sexta-feira, 22 de março de 2019


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Mas, com o tempo, descobri que há mil maneiras de se fugir de casa. Sempre há outros caminhos a seguir ou a desbravar, especialmente quando se navega na imensidão do homem, nas águas da alma, nas calmarias do espírito ou nas tormentas dos sonhos inalcançáveis pelos anos. Nesse aspecto, embora não menos traumático, tenho empreendido minhas quase fugas, travado imensuráveis batalhas, desbravado ilusões contidas, invadido territórios, derrotado corações indomáveis, bolinado a desventura de enigmas e mistérios nunca antes vistos, coisinhas muito próprias que a vida real cuidou de me privar até aqui e que só no nosso interior encontra alguma guarida.

Decerto, o homem precisa, ao menos uma vez na vida, fugir de casa! Subir ao sótão onde guarda, a miúde, baús de seus segredos inconfessáveis, tralhas arrumadas num canto pelo tempo e apear-se naquela sandália esquecida atrás da porta, ferramenta destinada somente aos peregrinos caminheiros e devotos. Sonhar também é um meio de se perder no mundo e de fugir de casa! (...)


Do Livro "Entre Farol, Poesia e Vagalumes" (Teófilo Júnior)

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