quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O falecido senador Fábio Lucena, do Amazonas, tinha o hábito de passar o tempo, nos aviões, com um copo de uísque nas mãos – talvez para disfarçar o medo de voar.

Quando Tancredo Neves percorria o País, em 1984, para legitimar sua campanha presidencial, Lucena viajava para um comício em Belém (PA) quando um repórter perguntou: “Senador, quantas horas são mesmo de avião entre Brasília e Manaus?”

Ele respondeu: “Quantas horas, eu não sei. Só sei que são cinco doses de uísque.”
 
 
DiáriodoPoder



terça-feira, 18 de fevereiro de 2020


Não te rendas

Não te rendas, ainda estás a tempo
de alcançar e começar de novo,
aceitar as tuas sombras
enterrar os teus medos,
largar o lastro,
retomar o voo.


Não te rendas que a vida é isso,
continuar a viagem,
perseguir os teus sonhos,
destravar os tempos,
arrumar os escombros,
e destapar o céu.


Não te rendas, por favor, não cedas,
ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se esconda,
e se cale o vento:
ainda há fogo na tua alma
ainda existe vida nos teus sonhos.


Porque a vida é tua, e teu é também o desejo,
porque o quiseste e eu te amo,
porque existe o vinho e o amor,
porque não existem feridas que o tempo não cure.


Abrir as portas,
tirar os ferrolhos,
abandonar as muralhas que te protegeram,
viver a vida e aceitar o desafio,
recuperar o riso,
ensaiar um canto,
baixar a guarda e estender as mãos,
abrir as asas
e tentar de novo
celebrar a vida e relançar-se no infinito.


Não te rendas, por favor, não cedas:
mesmo que o frio queime,
mesmo que o medo morda,
mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
ainda há fogo na tua alma,
ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque cada dia é um novo início,
porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, por eu te amo.



 Mário Benedetti

Peixe transparente: conheça a curiosa espécie Salpa maggiore!





Peixe transparente: essas curiosas criaturas gelatinosas e transparentes são especialmente interessantes para os cientistas porque têm muito em comum com os seres humanos. E, na verdade, não são peixes como se verá abaixo. Cientistas acreditam que nosso sistema nervoso evoluiu a partir de um sistema similar ao de um salpa.
Tenho janelas na alma. Elas lembram-me o imensurável desejo de perder-se no mundo! 

Teófilo Júnior

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020


Só tenho fronteira onde acaba o sonho. Meu território é todo emoção!

Teófilo Júnior

Ó Captain, My Captain ! Um poema de Walt Whitman e o seu contexto

1. - Walt Whitman
Walt Whitman (Huntington, 31 de maio de 1819 – Camden, 26 de março de 1892) foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano, considerado por muitos como o "pai do verso livre". Paulo Leminski o considerava o grande poeta da Revolução americana, como Maiakovsky seria o grande poeta da Revolução russa. Sua obra Folhas de Relva é considerada um marco na literatura universal, principalmente dentro do gênero poético.

Leaves of Grass


No início de Julho de 1855 publicou a primeira edição de "Leaves of Grass", impressa na Rome Brothers de Brooklyn e cujos custos Whitman suportou. Os versos deste livro eram livres, longos e brancos, imitando os ritmos da fala.


Com esta obra, Walt Whitman inventou um novo tipo de poesia para uma nova nação. O livro foi primeiro visto como bizarro e obsceno - um crítico disse que o autor deveria ser açoitado em público. Através de revisões e adições ao livro até à sua morte, Whitman atingiu o seu objetivo, criando uma nova referência para poetas americanos.


A primeira edição da obra mais importante da sua carreira, não mencionava o nome do autor, e continha apenas 12 poemas e um prefácio.


A obra poética de Whitman centra-se na colectânea "Leaves of Grass", dado que ao longo da sua vida o escritor se dedicou a rever e completar aquele livro, que teve oito edições durante a vida do poeta.



Fernando Pessoa escreveu um poema de nome "Saudação a Walt Whitman".


"Introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida. A técnica inovadora dos seus poemas, nos quais a ideia de totalidade se traduziu no verso livre, influenciou não apenas a literatura americana posterior, mas todo o lirismo moderno, incluindo o poeta e ensaísta português Fernando Pessoa."


2. - Ó Captain, My Captain


"Ó Captain! My Captain!" é um poema metafórico, escrito em 1865 por Walt Whitman, relativo à morte do Presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln.


Walt Whitman escreveu o poema depois do assassinato de Abraham Lincoln


Repetidas referências metafóricas são feitas a esta questão durante todo o verso. O "navio" de que fala é a intenção de representar os Estados Unidos da América, enquanto a sua "viagem terrível", lembra os problemas da Guerra Civil Americana. O personagem titular "Capitão" é o próprio Lincoln.

Com uma metrica convencional e esquema de rimas, o que é incomum para Whitman, foi o único poema antológico durante a vida de Whitman.

3. - Abraham Lincoln


Abraham Lincoln (Hodgenville, 12 de fevereiro de 1809 — Washington, D.C., 15 de abril de 1865) foi um político norte-americano que serviu como o 16° presidente dos Estados Unidos, posto que ocupou de 4 de março de 1861 até seu assassinato em 15 de abril de 1865. Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional.

Ao fim da guerra, em face da persistente e amarga divisão do país, Lincoln mostrou-se moderado quanto à sua Reconstrução, buscando reunir a nação rapidamente através de uma política de reconciliação generosa.
Seis dias depois de o general Robert E. Lee, comandante das forças Confederadas, se render, Lincoln foi assassinado pelo ator e simpatizante confederado John Wilkes Booth. 
Como foi o primeiro presidente dos Estados Unidos ter sido assassinado, sua morte levou seu país a entrar em luto. Lincoln tem sido consistentemente considerado por estudiosos e pelo povo como um dos três maiores presidentes dos Estados Unidos.



4. - O Poema - Versão original

O Captain! my Captain! our fearful trip is done;The ship has weathered every rack, the prize we sought is won;The port is near, the bells I hear, the people all exulting,While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:

But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;For you bouquets and ribboned wreaths—for you the shores a-crowding;For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still;My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;The ship is anchored safe and sound, its voyage closed and done;From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

A declamação do poema em Inglês 
 
5. - Poema (Tradução em português)


Ó Captain, My Captain
Oh capitão! Meu capitão! nossa viagem
medonha terminou;
O barco venceu todas as tormentas,
o prêmio que perseguimos foi ganho;
O porto está próximo, ouço
os sinos, o povo todo exulta,
Enquanto seguem com o olhar a quilha firme,
o barco raivoso e audaz:
Mas oh coração! coração! coração!
Oh gotas sangrentas de vermelho,
No tombadilho onde jaz meu capitão,
Caído, frio, morto.
Oh capitão! Meu capitão! erga-se
e ouça os sinos;
Levante-se – por você a bandeira dança – por
você tocam os clarins;
Por você buquês e fitas em grinaldas –
por você a multidão na praia;
Por você eles clamam, a reverente multidão
de faces ansiosas:
Aqui capitão! pai querido!
Este braço sob sua cabeça;
É algum sonho que no tombadilho
Você esteja caído, frio e morto.
Meu capitão não responde, seus lábios
estão pálidos e silenciosos
Meu pai não sente meu braço, ele não
tem pulsação ou vontade;
O barco está ancorado com segurança
e inteiro, sua viagem finda, acabada;
De uma horrível travessia o vitorioso barco
retorna com o almejado prêmio:
Exulta, oh praia, e toquem, oh sinos!
Mas eu com passos desolados,
Ando pelo tombadilho onde jaz meu capitão,
caído, frio, morto.
Tradução obtida no site: www.cultseraridades.com.br

6. - O filme "Sociedade dos Poetas Mortos" (Carpe diem)

Conta a história de um professor de poesia nada ortodoxo, de nome John Keating, em uma escola preparatória para jovens, a Academia Welton, na qual predominavam valores tradicionais . Esses valores traduziam-se em quatro grandes pilares: tradição, honra, disciplina e excelência.

Com o seu talento e sabedoria, Keating inspira os seus alunos a perseguir as suas paixões individuais e tornar as suas vidas extraordinárias.
O filme mostra também que em certa altura da vida, as pessoas, em especial os jovens, deveriam opor-se, contestar, gritar e sobretudo ser "livres pensadores", e não deixar que ninguém condicione a sua maneira de pensar, mas também ensina esses mesmos jovens a usarem o bom-senso.
Sociedade dos poetas mortos deixa uma profunda mensagem de vida sintetizada na expressão latina Carpe diem ("aproveite o dia"), cujo sentido é: aproveite, goze a vida, ela dura pouco, é muito breve.



7. - Algumas cenas do filme Sociedade dos Poetas Mortos

8. - Referências

Wikipedia - Walt Whitman / O Captain, My Captain / Abraham Lincoln / Sociedade dos Poetas Mortos

Youtube - Oh Captain, My Captain / Sociedade dos Poetas Mortos


Fonte e créditos: aqui
É com enorme felicidade e alegria que noticio a realização da doação do livro "Entre Farol, Poesia e Vagalumes" à Biblioteca "Padre Sólon Dantas de França" da Universidade Federal de Campina Grande, Campus de Pombal-PB, possibilitando assim o acesso a obra a  todos os discentes e docentes daquela Instituição de Ensino Superior.
Para mim, é muito gratificante contribuir com o acervo de uma biblioteca que leva o nome de parente tão próximo e que se destacou na luta pela educação pombalense.

Teófilo Júnior

domingo, 16 de fevereiro de 2020


"Não se pode virar as costas para quem nos conhece as feridas."

Mia Couto in "O Bebedor de Horizontes"