domingo, 19 de janeiro de 2020


"Eu sou um anticomunista que se declara anticomunista. 
Geralmente, o anticomunista diz que não é. 
Mas eu sou e confesso.
 E por quê?
 Porque a experiência comunista inventou
 a anti-pessoa, o anti-homem. 
Conhecíamos o canalha, o mentiroso. 
Mas, todos os pulhas de todos os tempos 
e de todos os idiomas, ainda assim, homens. 
O comunismo, porém,
 inventou alguém 
que não é homem. 
Para o comunista, o que nós chamamos de dignidade
 é um preconceito burguês.
 Para o comunista,
 o pequeno burguês é um idiota absoluto
 justamente porque tem escrúpulos".
 
Nelson Robrigues 
(Entrevista à Veja em 1969)
Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado.

De todas as criaturas de Deus, somente uma não pode ser castigada. Essa é o gato. Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.

FAZER UMA IMAGEM DA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL QUE VIAJA À TODA VELOCIDADE EM FRENTE AO DISCO LUNAR É UM DESAFIO CLÁSSICO PARA QUALQUER ASTROFOTÓGRAFO ...

Usando um timing preciso, a plataforma espacial na órbita da Terra é vista nesta impressionante foto fotografada contra a Lua gibosa em março do ano passado.

A imagem foi obtida em Palo Alto, Califórnia, nos Estados Unidos, com um tempo de exposição de apenas 1/667 segundos, enquanto meio segundo foi a duração do trânsito da ISS por toda a Lua.

Os contornos de numerosos painéis Solares e estruturas de estações espaciais são claramente visíveis.
Também observamos a cratera Tycho no canto inferior esquerdo, bem como terrenos de cores claras conhecidas como terras altas e áreas relativamente lisas de cor escura, conhecidas como mares Lunares.

Imagem: A figura inconfundível da Estação Espacial Internacional é capturada nesta foto tirada da Califórnia em março de 2019.

(Caso queira copiar, por favor mantenha os créditos no texto, esse tipo de pesquisa dá bastante trabalho... Obrigada!!)

Créditos da imagem: Eric Holland.
Página: Astronomia & Tecnologia.
(Márcia Molina Schmidt)
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=513260059544741&id=374907813379967

“Eu fui acusado do hábito de mudar minhas opiniões. Eu não tenho um pingo de vergonha de ter mudado minhas opiniões. Um físico que já estava ativo em 1900 sonharia em dizer que suas opiniões não mudaram durante o último meio século? Na ciência, os homens mudam suas opiniões quando novos conhecimentos se tornam disponíveis; mas a filosofia na mente de muitos é assimilada à teologia, não à ciência. O tipo de filosofia que eu valorizo ​​e me esforço para buscar é a científica, no sentido de que há algum conhecimento definido a ser obtido e que as novas descobertas podem tornar a admissão de um erro anterior inevitável a qualquer mente sincera. Pelo que eu disse, seja cedo ou tarde, não reivindico o tipo de verdade que os teólogos reivindicam por seus credos. Eu reivindico, apenas, na melhor das hipóteses, que a opinião expressada, na época, era a sensata de se manter no momento em que foi expressada. Clareza, acima de tudo, tem sido meu objetivo.”

— Bertrand Russell, preface to The Bertrand Russell Dictionary of Mind, Matter and Morals (1952).

Gêmeos univitelinos, moradores de Cachoeira Alta, a 358 quilômetros de Goiânia, se aproveitavam da extrema semelhança física, desde crianças, para pregar peças.
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A partir da adolescência, a dupla se valia da aparência idêntica para ocultar traições e angariar maior número de mulheres.
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Da torpeza de comportamento de ambos, nasceu uma menina, cuja paternidade é impossível para a ciência distinguir entre os dois.
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Isso porque gêmeos monozigóticos, ou univitelinos, têm o código genético igual, portanto, exames laboratoriais de DNA revelaram a compatibilidade da criança com os dois homens.
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Diante do impasse, já que nenhum dos homens quis se responsabilizar, o juiz da comarca determinou que ambos sejam incluídos na certidão de nascimento da menina e que paguem, cada um, pensão alimentícia no valor de 30% do salário mínimo.
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Fonte: TJGO

sábado, 18 de janeiro de 2020

O centaurinho feio

Quando nasci, duas mães se engalfinharam, discutindo de qual eu era. Levado a um juiz repetente de Salomão, ele arbitrou que eu fosse cortado ao meio, não esclarecendo, porém, se no sentido horizontal ou longitudinal. Esta inepta intervenção felizmente não se consumou, porque as duas senhoras se mantiveram imperturbáveis, assim demonstrando, cada uma, que eu era filho da outra.

Havendo o juiz me mandado andar, trotei alegremente até a mocidade, quando caí sentado de amores por uma cadeira, que me levou todo o dinheiro em ingressos ao seu camarote. Era uma cadeira de pernas cruzadas, que sentada comigo ficava, mas não dava jeito de deitar. Devido a esse seu obtuso ângulo puritano, acabei na lona: dando voltas no picadeiro cercado de exemplares bípedes variados. Cada noite de função a cadeira estava com um.

Tive também um caso com uma mesa, que eu julgava de cabeceira, mas era de botequim, onde vivia de equilibrismos com sua perna realmente única.
Desencantado das minhas afinidades eletivas, busquei o esquecimento chamando irmãos os animais. Dizia — Meus irmãos centauros!

Mas na verdade me sentia filho único, pois os sinais particulares que os tornavam excepcionais eram um certo ar animal, enquanto que eu sou todo lado humano.

Minhas pernas são perfeitamente normais como os braços da deusa hindu, dentro da sua espécie. Pelo outro lado, não me adorna vestígio de rabo e a maior prova de que me encontro no mais alto grau da escala evolutiva é de que no lugar disso sou provido de pudor.

Incapaz de andar de pernas nuas como impudentes cavalos não-motores, afinal realizei o meu sonho: hoje sou o perfeito garoto-propaganda de um paletó — o complemento ideal para a sua gravata — e duas calças de oito vincos permanentes e à prova de caimento.

— Próxima atração: comercial do perfeito garoto-propaganda do terno de uma calça e dois fundos. (Fundo musical).



Reginaldo José de Azevedo
Fortuna


Geladinho de água de coco e pedaços de frutas





Apenas desejo a tranquilidade e o descanso, que são os bens que os mais poderosos reis da terra não podem conceder a quem os não pode tomar pelas suas próprias mãos.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020


E fico a meditar se depois que se navega,
a algum lugar, enfim, se chega...
O que será, talvez, até mais triste.
Nem barca, nem gaivota:
Somente sobre-humanas companhias.

[...]


De longe o horizonte avisto,
aproximado e sem recurso.
Que pena a vida ser só isso...


Cecília Meireles

O cativeiro psicológico e o medo de ir mais longe

Recentemente chegaram à minha casa dois gatos que passaram por uma situação peculiar. Após 4 anos vivendo em uma casa com total acesso a todos os espaços e convivendo ativamente com as pessoas com quem moravam foram, por motivos que não vêm ao caso aqui, confinados a um espaço único da casa, no caso, o quintal. O espaço era limitado e infinitamente menor do que o que eles estavam vivendo até então. O contato com as pessoas da casa passou a ser quase que somente nos momentos de troca de água, ração e limpeza da areia higiênica.

O que chamou minha atenção foi o seguinte: esses dois gatos estavam muito assustados e com muito medo justamente do que? Do excesso de espaço. O quintal aqui é bem amplo e eles simplesmente, ao chegarem, não tinham coragem de avançar no espaço inteiro. Limitavam-se a um pequeno espaço, que consideravam seguro, e agiam como se tivesse um campo de força invisível que os impedisse de avançar mais. Quando arriscavam-se, voltavam correndo para aquele espacinho que delimitaram como seguro.

Isso me fez refletir muito sobre isso: se gatos que viveram mais tempo com uma maior liberdade, tendo acesso a um mundo bem maior (antes, o mundo para eles era a casa inteira), ao serem confinados durante meses, acostumam-se com esse espaço menor e limitado, passando, então, a desconfiar de tudo que está fora desse espaço delimitado – ainda que esse espaço seja ruim e não apropriado para eles -, imagine só gatos que nascem e são criados já em um pequeno cativeiro?

Ora, isso se parece muito com a zona de conforto – ou de desconforto – em que nos instalamos tantas e tantas vezes e da qual temos tanto receio de sair. Muitas vezes, agimos como gatos assustados que, mesmo tendo um mundo muito mais amplo e interessante à sua disposição, não têm coragem de sair daquele pequeno espaço delimitado que os deixa seguros, mesmo que esse seja muitas vezes ruim e insuficiente.

Isso me lembrou o texto de Étienne de La Boétie, chamado Discurso da Servidão Voluntária. Esse texto, publicado por volta de 1570 e escrito quando ele tinha apenas 18 anos de idade, discute justamente essa questão: por que as pessoas obedecem determinadas regras se não tem, muitas vezes, nada nem ninguém que as faça obedecer de forma forçosa? Ele diz que mais do que tentar entender o que um tirano precisa ter e fazer para poder exercer poder sobre as massas, vale tentar entender por que as massas obedecem sem resistir.

É como se, inicialmente, fosse necessário fechar a porta impedindo a entrada dos gatos na casa, mas, depois de um tempo, não precisasse mais da barreira física. Cria-se um cativeiro psicológico, de forma que os gatos não saem mais de seu espaço mesmo que nada os impeça de fato. Eles se acostumam com os impedimentos e barreiras e passam a temer deixar aquela situação.

Tenho a impressão de que o mesmo acontece conosco. Parte desse processo já começa na educação: desde muito pequenos já somos colocados em salas de aula, somos obrigados a ficar sentados e a seguir diversas regras que, com o passar do tempo, interiorizamos como verdades inabaláveis. E quando enxergamos possibilidades de novos e infinitos mundos que poderíamos explorar, nós simplesmente paralisamos, como se houvesse o tal campo de força invisível. Não damos um passo a mais, mesmo que não haja nada nem ninguém nos impedindo.

“A liberdade é a única coisa que os homens não desejam; e isso por nenhuma outra razão (julgo eu) senão a de que lhes basta desejá- la para a possuírem; como se recusassem conquistá-la por ela ser tão simples de obter” (Étienne de La Boétie).

Criamos um roteiro de vida a ser seguido, criamos conceitos sobre nós mesmos, criamos crenças e pré-conceitos, criamos até mundos paralelos e virtuais, como o Facebook, por exemplo, onde não precisamos nem mais sair do lugar. O cativeiro está mais do que perfeito, porque não há ninguém obrigando ninguém a ficar com a cara grudada na tela do celular tendo o mundo inteiro ao seu redor, mas ficamos! E, incrivelmente, acreditamos que esse é o mundo.

Há um tempo, reduzi drasticamente meu uso do Facebook, passando a usar apenas profissionalmente e entrando muito esporadicamente com o intuito de “interagir” com os amigos. E é impressionante a quantidade de tempo que sobra no dia, tempo em que você levanta a cabeça do seu cativeiro psicológico e descobre que existe um quintal enorme à sua frente, esperando para ser explorado. E esse quintal pode ser seu quintal mesmo, literalmente, mas pode ser um livro, pessoas de carne e osso, pode ser uma música que você escuta prestando atenção, um hobby, um cachorro alegre na sua frente. E você sai desse espacinho e começa a explorar o quintal e descobre que não assusta tanto, mais. E você não quer mais voltar para aquele espaço limitado. Você volta a se acostumar com o mundo amplo à sua volta.

O mesmo ocorre quando você descobre que, apesar de ter se formado em uma faculdade, existe um mundo inteiro de outras coisas legais para aprender, estudar. Que o diploma de médica veterinária não me impede de estudar filosofia. Que o casamento às vezes não é vitalício e que a solteirice também não é. Que existem infinitos roteiros de vida que podem lhe satisfazer, assim como roteiros de viagens.

“Assim é: os homens nascem sob o jugo, são criados na servidão, sem olharem para lá dela, limitam-se a viver tal como nasceram, nunca pensam ter outro direito nem outro bem senão o que encontraram ao nascer, aceitam como natural o estado que acharam à nascença. Mas o costume, que sobre nós exerce um poder considerável, tem uma grande força de nos ensinar a servir e (tal como de Mitrídates se diz que aos poucos foi se habituando a beber veneno) a engolir tudo até que deixamos de sentir o amargor do veneno da servidão” (Étienne de La Boétie).

Então, você descobre, inclusive, que pode, se desejar, voltar para seu espacinho anterior quando quiser, passar um tempo lá, usar seu Facebook de vez em quando, mas já não teme mais afastar-se e explorar novos mundos. Vai ficando mais corajoso, vai gostando desse mundo que se abre e ficando cada vez mais resistente ao cabresto psicológico. Vai voltando a ser aquele gato explorador, livre, que às vezes se assusta, às vezes faz umas traquinagens, às vezes não gosta do que encontra em suas explorações, mas que não se deixa limitar mais.


Texto de  Juliana Santin
Fonte Genialmente Louco
 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020