terça-feira, 25 de agosto de 2015

A casa dos solteiros

Sempre nas manhãs de domingo tenho o costume de sair fotografando a nossa cidade. Casas antigas, placas, vielas, figuras folclóricas, futuras área habitacionais, ruas, estabelecimentos comerciais, enfim, fazendo imagens da nossa terra querida. Claro que também há registros de coisas inusitadas e engraças a exemplo da "Casa dos Solteiros" localizada no velho rói (meretrício), logo ali depois da linha do trem. 

Teófilo Júnior

O antes e o depois. Praça Getúlio Vargas (Pombal-PB)

Arquivo Verneck Abrantes

Urânio pode 'expulsar' famílias de cidade no Sertão

Famílias inteiras sendo retiradas às pressas para regiões onde a radioatividade não as alcance, deixando para trás o lugar em que fixaram raízes, estreitaram laços sociais e construíram o patrimônio de toda uma vida. O cenário, que mais parece o de um Armagedom, pode, em alguns anos, se tornar realidade para os moradores do município de São José de Espinharas, no Sertão da Paraíba.
A cidade, de pouco mais de 4.760 habitantes, localizada a noroeste da Paraíba, fazendo divisa com o estado do Rio Grande do Norte, é uma das poucas no país a contar com uma importante jazida de urânio.
Caso fosse necessário explorar o minério, seria preciso remover toda a população do município, devido aos altos índices de radioatividade durante a extração do minério, extremamente prejudicial à saúde.
Apesar de descartada a exploração imediata do urânio de São José de Espinharas, a preocupação dos cientistas com a exposição dos moradores do município ao alto teor do minério encontrado em diversos pontos da cidade existe. Um estudo está sendo realizado há cerca de um ano pelo Departamento de Energia Nuclear (DEN) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para avaliar a relação entre os casos de câncer na população e a presença de urânio.
Isso porque se especula que o contato prolongado com a radioatividade propagada por esse minério poderia ocasionar um envenenamento de baixa intensidade (inalação, ou absorção pela pele), produzindo também efeitos colaterais, tais como: náusea, dor de cabeça, vômito, diarreia e queimaduras.
Segundo o engenheiro nuclear José Araújo, do DEN, responsável pela pesquisa, o efeito direto do urânio no organismo é cumulativo (o que significa que o mineral, por não ser reconhecido pelo ser vivo, não é eliminado, sendo paulatinamente depositado, sobretudo nos ossos), e a radiação assim exposta pode ocasionar o desenvolvimento de câncer.
A equipe de pesquisadores do DEN está fazendo visitas periódicas na cidade para colher amostras da fauna e da flora local e de além de ‘testemunhos’, que são amostras de urânio retiradas do interior das pedras, através de tubos de metal altamente resistentes.
“Queremos fazer um cruzamento com os dados obtidos em pesquisas anteriores para levantar as causas do elevado número de pessoas em São José de Espinharas com câncer de pele, problemas respiratórios e uma série de outros problemas que acreditamos ter relação com a presença de urânio e outros minerais”, comentou José Araújo.

Fonte: (aqui)Jornal da Paraíba


Tribunal do júri de Pombal vai julgar Maria Bodé

O tribunal do júri da comarca de Pombal, no alto sertão da Paraíba, vai julgar no próximo dia 2 de setembro, a partir das 8h, a senhora Maria da Silva Pereira Almeida, mais conhecida como “Maria Bodé”.

Ela é acusada de ser mandante da morte do seu marido – o promotor de eventos Francisco Pereira de Almeida, conhecido por “Bodé” – que foi assassinado no início de março de 2013 pelo magarefe Luzimá de Sousa Alencar.

Luzimar já foi condenado pelo júri popular a 19 anos de reclusão. Maria Bodé, que se encontra presa desde 2013, nega o seu envolvimento no crime.

O julgamento de Maria Bodé será presidido pela juíza Andrea Costa Dantas Botto Targino. Funcionará no Ministério Público o Promotor de Justiça José Carlos Patrício. A defesa da acusada será feita pelo advogado criminalista Maciel Gonzaga de Luna. O julgamento vem movimentando a sociedade pombalense.

Da redação (www.altosertao.com) 

Escultura



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Nacional de Pombal vence o Cruzeiro de Itaporanga

O Nacional de Pombal, em partida realizada neste último domingo (23) pela 2ª divisão do paraibano, venceu por 1 X 0 o Cruzeiro de Itaporanga. O jogo, realizado no Pereirão, contou com um bom público. Durante a partida o Nacional desperdiçou inúmeras chances claras de gol e Manú, autor do único gol do Nacional, ainda perdeu um pênalti no final do jogo. 

O Cruzeiro mostrou-se ser uma equipe modesta com jogadores prata da casa e não esboçou muita resistência em campo.

Ficou claro, porém, que a equipe de Pombal não teve pernas e faltou fôlego para ir até o final da partida. 

Teófilo Júnior

A destruição dos federais

Mais de 80 dias de greve. Milhares de alunos sem aulas, e tudo bem? Dinheiro público pode ser assim tratado?

Um jovem brasileiro estava cursando uma escola de jornalismo da Universidade de Londres, uma instituição pública, quando aconteceu algo inédito, uma greve de professores. Os docentes pareciam tão incomodados com o que chamavam de atitude extrema que passaram o dia todo de greve se explicando com os alunos. Sim, isso mesmo, um dia de greve, depois de uma longa negociação com as autoridades educacionais.
Nosso jovem estudante, numa dessas rodas de conversa com os grevistas, comentou que não estava nem um pouco surpreendido. No Brasil, disse, docentes universitários faziam greve mais de mês. O professor britânico espantou-se. E comentou algo assim: a situação deve ser muito grave para que esses servidores aceitem ficar um mês sem receber salário.
Pois é. Não passava pela cabeça dele que servidores públicos pudessem ficar tanto tempo parados e continuar recebendo seus salários em dia.
A atual greve dos docentes das federais já passou dos 80 dias — e não há nem sinal de que vá terminar. O ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, reclama que os sindicatos de docentes iniciaram a paralisação antes de qualquer conversa. Os sindicatos reclamam que o ministro sequer recebe os grevistas.
O ministro tem razão, mas o ponto central não é esse, não é esta greve. Está em curso um cuidadoso trabalho de destruição das universidades federais. Os principais responsáveis são professores, funcionários e alunos que promovem longas greves todos os anos. O período letivo é prejudicado regularmente, pois os esquemas de reposição de aulas são mais do que precários, do tipo três meses em um.
Nas paralisações, os servidores continuam recebendo seus salários, muitos cursos de pós-graduação, especialmente na área de exatas, funcionam, alguns de graduação também, os de humanas param cem por cento, os alunos ficam na folga, exceto os militantes, e chega um momento em que ninguém mais liga. Esse é o panorama geral. Deveria ser grave.
Reparem: mais de 80 dias de greve em escolas públicas, que vivem do dinheiro do contribuinte, era para ser um desastre nacional. Milhares de alunos sem aulas, e tudo bem? Dinheiro público pode ser assim tratado?
Grevistas costumam culpar a imprensa por deixar de lado o noticiário a respeito. Engano. O assunto desaparece também das esferas políticas. Não é prioridade do governo federal, sequer do Ministério da Educação. E olha que os sindicatos de docentes estão no campo da esquerda, onde supostamente se encontram com pelo menos parte do governo Dilma.
No fundo, todo mundo sabe que as reivindicações dos grevistas não têm o menor cabimento. Querem mais salário e mais dinheiro do governo quando há uma grave crise das finanças públicas, que está em um momento agudo, levando a cortes nos gastos nos orçamentos das federais. Como, aliás, houve cortes em todos os outros setores.
Mas a crise vem de longe e vai mais longe ainda. É estrutural. Os gastos públicos já determinados por lei não cabem mais no Orçamento da União. Logo, a demanda adicional das escolas federais cabe muito menos. O caminho correto é cortar despesas de maneira estrutural — fazer mais com menos — e arranjar dinheiro que não venha do bolso do contribuinte, já sobrecarregado.
Em Brasília, não se encontra a menor disposição em dar mais recursos para as federais. Primeiro, porque elas já recebem bastante, com participação mais do que razoável no bolo dos gastos da União. Se houver um centavo sobrando para a Educação, deveria ir para os ensinos fundamental e médio. Segundo, porque há um entendimento ou sentimento difuso de que não adianta enviar mais dinheiro para as federais.
Professores e funcionários, no geral, não topam conversa sobre eficiência, ganhos de produtividade, avaliação de desempenho e mérito para subir na carreira. Sim, muitos servidores compreendem que as federais precisam de uma profunda reforma administrativa e pedagógica — mas, sabem como é, os militantes dominam a cena, impõem a agenda. Os outros vão na onda, alguns tentam manter seus cursos funcionando, os demais simplesmente deixam pra lá. Não vale a pena brigar ou não há condições para isso, dizem-me muitos professores que, como os ingleses, sentem-se incomodados com a situação.
Nesse ambiente, ninguém ousa dizer que o ensino superior federal precisa obter fontes de renda no setor privado. Por exemplo: vender serviços, como pesquisas ou desenvolvimento de projetos para empresas; cobrar taxas alunos dos que podem pagar; ou fazer coisas mais prosaicas, como cobrar pelas vagas nos imensos estacionamentos. Quem tem carro pode pagar pela vaga, não é mesmo? Ainda mais estudando de graça.
Não se caminha nessa direção. As federais perdem qualidade progressivamente, desperdiçam o suado dinheiro do contribuinte e não cumprem sua função de instituições públicas. Não deveria haver um mínimo de patriotismo, de noção de serviço público? Um mal-estar com quase três meses sem trabalhar? Afinal, os salários não são miseráveis, longe disso ou ao contrário disso, são mais do que razoáveis no quadro econômico brasileiro. São pagos em dia, mesmo durante as longas greves.
Isso deveria gerar mais responsabilidade, não é mesmo? Mas tem gerado apenas militância “contra o neoliberalismo e o arrocho” ou um difuso sentimento de "é assim mesmo".
Assim gastam quase R$ 10 bilhões/ano dos impostos tomados dos contribuintes. Uma desgraça.

Carlos Alberto Sardenberg é jornalista

Humor

Um chefe de departamento bem antipático, achando que seus subordinados não estavam respeitando muito sua liderança, resolve colocar a seguinte placa na porta da sua sala logo que chegou pela manhã:
- “ Aqui quem manda sou EU!”
Ao voltar de uma reunião, encontrou o seguinte bilhete na placa:
-“Sua esposa ligou e disse que é para o senhor levar a placa dela de volta.

Piadas:http://www.piadas.com.br/

Cântico dos cânticos


Quão belos são os teus pés
nas sandálias que trazes, ó filha de príncipe!
As colunas das tuas pernas são como anéis
trabalhados por mãos de artista.
o teu umbigo é uma taça arredondada, 
que nunca está desprovida de vinho.
O teu ventre é como um monte de trigo
cercado de lírios.
Os teus dois seios são como dois filhinhos 
gêmeos duma gazela.
O teu pescoço é como uma torre de marfim. 
Os teus olhos são como as piscinas de Hesebon, 
que estão situadas junto da porta de Bat-Rabim. 
O teu nariz é como a torre do Líbano, 
que olha para Damasco.
A tua cabeça levanta-se como o monte Carmelo; 
os cabelos da tua cabeça são como a púrpura
um rei ficou preso às suas madeixas.
Quão formosa e encantadora és, 
meu amor, minhas delícias!
A tua figura é semelhante a uma palmeira. 
Eu disse. Subirei à palmeira, 
e colherei os seus frutos.
Os teus seios serão, para mim, como cachos de uvas, 
e o perfume da tua boca como o das maçãs.



Salomão

Fotografia

Foto em baixa velocidade mostra artistas em performance no Miff 2015, em Minsk (Foto: Sergei Grits / AP)

domingo, 23 de agosto de 2015


Será que os dicionários liberaram o ‘dito-cujo’?

Brasileirismo informal, termo não está proibido, mas deve ser usado de forma brincalhona


 “Fiquei muito surpresa de encontrar em um dicionário a expressão ‘dito-cujo’, que eu acreditava ser escrita sem hífen e, além do mais, um erro crasso cometido por quem não sabe falar direito. Quer dizer que agora está liberado o ‘dito-cujo’, Sérgio?” (Elisa Freire)

Não é bem assim, Elisa. O registro num dicionário não dá certificado automático de adequação a expressão alguma: significa apenas que ela é usada com frequência suficiente para merecer a atenção dos lexicógrafos.
O substantivo “dito-cujo”, que substitui o nome de uma pessoa que já foi mencionada ou que por alguma razão não se deseja mencionar, é um brasileirismo antigo e, de certa forma, consagrado, mas aceitável apenas na linguagem coloquial.

Mais do que isso: mesmo em contextos informais seu emprego deve ser sempre “jocoso”, ou seja, brincalhão, como anotam diversos lexicógrafos, entre eles o Houaiss e Francisco Borba. Convém que quem fala ou escreve “dito-cujo” deixe claro que está se afastando conscientemente do registro culto.

Exemplo: “O leão procurou o gerente da Metro e se ofereceu para leão da dita-cuja, em troca de alimentação”, escreveu Millôr Fernandes numa de suas “Fábulas fabulosas”.

Também se diz em casos como esse – e também na língua informal brasileira – simplesmente “cujo”. Como nesta construção: “E não é que, depois de escorraçado, o cujo teve coragem de voltar?”.

O “cujo” do exemplo acima, como “dito-cujo”, é um substantivo. Não se deve confundi-lo com o pronome relativo “cujo”, que nada tem de coloquial – pelo contrário. Embora venha caindo em desuso no português brasileiro informal, é imprescindível no registro culto para estabelecer entre dois termos uma relação de posse em frases como esta:

“Agradeço a Elisa, cuja consulta muito apreciei.”

*
Envie sua dúvida sobre palavra, expressão, dito popular, gramática etc. Às segundas, quartas e quintas-feiras o colunista responde ao leitor na seção Consultório. E-mail: sobrepalavras@todoprosa.com.br (favor escrever “Consultório” no campo de assunto).

Sérgio Rodrigues



Sugestão de postagem do amigo Adauto 

História - Colônia em 1945

Em 8 de Maio de 1945, quando capitulou perante os Aliados, a Alemanha era um país devastado; poucos anos volvidos era a potência econômica n.º 1 da Europa. 

Alma de flores

Hoje encontrei esquecido numa prateleira de um supermercado o sabonete que minha mãe tanto gostava. Claro que o trouxe para casa, lugar de onde ele nunca deveria ter saído. As mães deviam ser eternas fadas a povoar a nossa vida e os nossos sonhos. Mas, a vida também é marcada pela dor. 

Como já dizia Cecília Meireles: "...E é nisso que se resume o sofrimento: cai a flor, - e deixa o perfume no vento!" 

Teófilo Júnior

Dá minha infância

As falsas recordações

Se a gente pudesse escolher a infância
que teria vivido, com enternecimento eu não
recordaria agora aquele velho tio de perna de pau,
que nunca existiu na familia, e aquele arroio que
nunca passou aos fundos do quintal,
e onde íamos pescar e sestear nas tardes de verão,
sob o zumbido inquietante dos besouros...

Mário Quintana

sábado, 22 de agosto de 2015


Aowwww Modão!!! Toooooop d+!!! #MuitoBom
Posted by Marcos e Claudio Oficial on Quinta, 5 de fevereiro de 2015

Virgulino

Há dias surgiu por aí um telegrama a anunciar que o meu vizinho Virgulino Ferreira Lampião tinha encerrado a sua carreira, gasto pela tuberculose, deitado numa cama, no interior de Sergipe. Mas a notícia não se confirmou — e a polícia do Nordeste continuará a perseguir o bandido, provavelmente o agarrará de surpresa e mostrará nos jornais a cabeça dele separada do corpo. Seria de fato bem triste que a punição dum indivíduo tão nocivo fosse realizada por uma doença. Ficam, pois, sem efeito os ligeiros comentários inoportunos e apressados, que ilustraram o canard.
Não é a primeira vez que Lampião tem morrido. E sempre que isto se dá as notas com que se estira o acontecimento deturpam a figura do bruto e manifestam a ingênua certeza de que tudo vai melhorar no sertão. O zarolho se romantiza, enfeita-se com algumas qualidades que se atribuíam aos cangaceiros antigos, torna-se generoso, desmancha injustiças, castiga ou recompensa, enfim aparece inteiramente modificado.
Esperamos e desejamos longos anos essa morte — e ao termos conhecimento dela soltamos um suspiro de alívio a que se junta uma espécie de gratidão. Teria sido melhor, sem dúvida, que o malfeitor houvesse acabado nas unhas da polícia. Não acabou assim, desgraçadamente, mas de qualquer forma o Nordeste se livrou dum pesadelo.
Repousamos algum tempo nesse engano, até que Lampião ressurge e prossegue nas suas façanhas. Inútil agredi-lo ou emprestar-lhe virtudes que ele não entende, ajudá-lo, fazê-lo combater os grandes, proteger os pequenos, casar donzelas comprometidas. Lampião não se corrigirá por isso: permanecerá mau de todo, insensível às balas, ao clamor público e aos elogios, uma das raras coisas completas que existem neste país.
Tudo aqui é meio-termo, pouco mais ou menos, somos uma gente de transigências, avanços e recuos. Hoje aqui, amanhã ali — depois de amanhã nem sabemos onde haveremos de ficar, como haveremos de estar. Abastardamo-nos tanto que já nem compreendemos esse patife de caráter e inadvertidamente lhe penduramos na alma sentimentos cavalheirescos que foram utilizados como atributos de outros malfeitores.
Deixemos isso, apresentemos o bandoleiro nordestino como é realmente, uma besta-fera. Há pouco mais de um ano, em condições bem desagradáveis, travei conhecimento com um discípulo dele, um sujeito imensamente forte, alourado, vermelhaço, de olho mau. Esse personagem me declarou que todas as vezes que praticava um homicídio abria a carótida da vítima e bebia um pouco de sangue. Anda por aí espalhada a longa série das barbaridades cometidas pelo terrível salteador, mas essa confissão voluntária dum companheiro dele surpreendeu-me.
Isso prejudica bastante o velho culto do herói, do homem que lisonjeamos para que ele não nos faça mal.
Lampião se conservará ruim. E não morrerá tão cedo. A vida no Nordeste se tornou demasiado áspera, em vão esperaremos o desaparecimento das monstruosidades resumidas nele.
Finaram-se os patriarcas sertanejos que vestiam algodão e couro cru, moravam em casas negras sem reboco, tinham necessidades reduzidas e soletravam mal. No pátio da fazenda uns cangaceiros bonachões preguiçavam. E nos arredores grupos esquivos rondavam, escondendo-se dos volantes. De longe em longe um emissário chegava à propriedade e recebia do senhor uma contribuição módica.
Tudo agora mudou. O sertão povoou-se e continua pobre, o trabalho é precário e rudimentar, as secas fazem estragos imensos. Os bandos de criminosos, que no princípio do século se compunham de oito ou dez pessoas, cresceram e multiplicaram-se, já alguns chegaram a ter duzentos homens. A luta se agravou, as relações entre fazendeiros e bandidos não poderiam ser hoje fáceis e amáveis como eram.
Jesuíno Brilhante é uma figura lendária e remota, o próprio Antônio Silvino envelheceu muito.
Resta-nos Lampião, que viverá longos anos e provavelmente vai ficar pior. De quando em quando noticia-se a morte dele com espalhafato. Como se se noticiasse a morte da seca e da miséria. Ingenuidade.

Graciliano Ramos
A Tarde, Rio de Janeiro, 27 jan. 1938
– – – – –
IN: RAMOS, Graciliano. Viventes das Alagoas. Rio de Janeiro: Record, 2007, p.151-154.

Horário do fim

Morre-se nada
quando chega a vez

é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos

morre-se tudo
quando não é o justo momento

e não é nunca
esse momento

Mia Couto


Enquanto isso em Sousa-PB



Humor: A diferença entre famílias

A menininha conversando com seu pai:
_ Pai, papai!
- O que foi minha filha?
- De onde viemos?
- Filha, o homem é descendente de Adão e Eva.
A menina, um pouco confusa, diz:
- Mas papai, a mamãe me disse que somos descendentes do macaco!
- Olha, querida, é muito simples.Uma coisa é a família da sua mãe, outra é a minha...
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