sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca.
 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014


Como deixar de fumar

Assim que entro num táxi acendo um cigarro. Acho que é pra me desforrar de quando entro num elevador e fico a viagem toda sem fumar. Antes de tirar um cigarro estendi o maço aberto para o motorista. Ele fez que não com a cabeça e vi um cigarro no outro canto da boca.

— Não reparei que já estava fumando.

— O cigarro está apagado.

Estendi o isqueiro.

— Obrigado. Deixei de fumar.

Quase guardei o isqueiro aceso no bolso.

— Fumar cigarro apagado não prejudica a saúde — ele explicou.

— Rê rê — eu ri com toda a naturalidade. E quantos cigarros apagados o sr. fuma por dia?

— Três ou quatro.

— Poucos, não?

— Quando eu fumava cigarro aceso eram dois três maços.

— É preciso muita força de vontade pra jogar fora um cigarro apagado.

— Isso é verdade.

— E quando é que um cigarro apagado acaba?

— Quando molha.

— Igual um cigarro aceso.

— Não, é quando molha a ponta que tá na boca. Aí eu jogo o cigarro apagado molhado fora e pego um cigarro apagado seco.

Acendi o meu cigarro e depois é que me lembrei de perguntar:

— A fumaça não incomoda?

— Pelo contrário, até me dá vontade de experimenta dessa marca. Agora aceito um cigarro apagado dos seus.

— Cigarro apagado com filtro deve prejudicar ainda menos a saúde, não?

Ele pegou um cigarro do maço e botou na boca, sem tirar o outro. Dois cigarros apagados com filtro devem fazer menos mal ainda.


Reginaldo José de Azevedo Fortuna,
maranhense de 1931, foi jornalista, desenhista, humorista e artista gráfico.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Adolescentes deixam o Facebook para os seus pais, diz estudo

Pesquisa nos EUA mostra que rede social perdeu mais de 3 milhões de usuários com idades de 13 a 17 anos desde 2011

 
Já o universo de pessoas com mais de 55 anos no site avançou 80%, de acordo com trabalho da iStrategy recém-divulgado
 
Mais de 3 milhões de adolescentes deixaram o Facebook desde 2011 nos Estados Unidos. É o que mostra um estudo do centro de pesquisas iStrategy, segundo o qual o número de usuários da rede social de 13 a 17 anos caiu de 13,1 milhões, em janeiro de 2011, para 9,8 milhões, em janeiro deste ano. O grupo, que representava 8,9% do total de usuários do site, hoje responde por 5,4%. Queda de 25,3%.

Entre as pessoas de 18 a 24 anos, a queda foi até um pouco maior, de 45,4 milhões para 42 milhões, de acordo com os dados da consulta, divulgada nesta quarta-feira. A faixa etária representava 30,9% da rede de Mark Zuckerbeg em 2011, mas, três anos depois, representa 23,3%.
 
No mesmo período, o Facebook saltou de 146,8 milhões de usuários para 180 milhões na terra do Tio sam. O estudo mostra que esse crescimento se deu graças a internautas mais velhos. Foi um avanço de 32,6% entre pessoas de 25 a 34 anos, de 41,4% entre usuários de 35 a 54 anos e de 80,4% entre aqueles com mais de 55 anos.
 
De acordo com a entidade, o objetivo da pesquisa não foi mostrar novas redes que os adolescentes estariam procurando. Até porque boa parte dos usuários que em 2011 eram adolescentes ou jovens continuam no Facebook, mas, obviamente, mudaram de faixa etária.
 
Em 2011, a principal faixa etária era a de 18 a 24 anos, que representava 30,9% do universo total. Em 2014, os usuários de 35 a 54 anos tomam a frente, com 31,1%. Os antigos líderes, hoje, têm a cota de 23,3%.
 

 
O Globo

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O ainda curto pontificado de Francisco já tem uma divisão clara, antes e depois da viagem ao Rio. Eleito em março e empossado em abril, Jorge Mario Bergoglio nunca deixou de sinalizar sobre o perfil que deseja para a Igreja: mais aberta ao povo, humilde, compreensiva.
 
Assim que afirmou não desejar viver nos suntuosos aposentos papais, Francisco mandou uma mensagem. E não parou mais. Logo depois, fez a primeira viagem ao exterior, ao Rio, onde, nas pregações na Jornada Mundial da Juventude, manteve o tom, reafirmado na entrevista à TV Globo e nas seguintes. Compreensão diante da homossexualidade e acolhimento a casais de divorciados, por exemplo, ganharam espaço no noticiário.
 
Francisco viveu momentos de catarse no contato com as multidões na viagem, mas retornou para um Vaticano no qual o esperava uma estrutura de poder cristalizada no pontificado de Bento XVI, que, tudo indica, teve a humildade de reconhecer a incapacidade até física de reformá-la, e entrou para a História como o primeiro Papa a renunciar em 600 anos.
 
Francisco, antes de viajar, numa indicação translúcida de que, dogmas à parte, deseja gerir a Igreja de forma compartilhada, nomeou um grupo de oito cardeais para assessorá-lo, o “G-8 papal”. E, na volta a Roma, afastou, como era imprescindível, o cardeal Tarcisio Bertone do cargo de secretário de Estado, a segunda pessoa do Vaticano, substituido-o por Pietro Parolin — começavam as trocas.
 
Identifica-se Bertone como forte liderança da ala conservadora, desinteressada em maiores alterações em nomes e na maneira de operar da Cúria romana, responsabilizada, em última análise, pela tíbia reação da Igreja às denúncias de pedofilia e de desmandos no Banco do Vaticano.
 
Recente reportagem do “New York Times” relaciona a dança das cadeiras em vários postos, em todo o mundo, sempre com a intenção de Francisco de se cercar de pessoas de confiança e comprometidas com a sua visão da Igreja.
 
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O Globo

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Os fogos e o santo

Caros conterrâneos,

Como sabemos, a cidade de Pombal-PB está encravada no alto-sertão da Paraíba. A exemplos de muitas outras cidades nordestinas e interioranas, padece de políticas públicas eficazes voltadas a melhorar a condição de vida de seus habitantes. Isso é fato...



Com pouco mais de 30 mil habitantes, a terra de Maringá vem sendo castigada pela violência crescente nos últimos meses. Apenas para se ter uma ideia, em 2013 foram registrados mais de 14 crimes praticados contra a vida em nossa cidade. Índice alarmante e preocupante.

Na saúde, temos um hospital que se arrasta numa reforma que parece não ter fim, como se a vida pudesse esperar eternamente pela ineficiência do poder-estado ou de quem quer que seja. Não temos UTI funcionando e, não raramente, os paciente daquele nosocômio precisam arcar com a compra de medicamentos para o seu tratamento intensivo.

Na farmácia popular do Brasil pude constatar pessoalmente esta semana a falta de medicamentos básicos como captopril e sinvastatina.

A economia da cidade gira em torno dos dividendos advindos dos empregos públicos. O comércio se aquece nos primeiros 15 dias de cada mês, período de pagamento dos servidores públicos e aposentados. Não temos indústrias capazes de dinamizar a oferta de empregos. As margens do nosso rio Piancó vê-se intermináveis plantações de capim, cultura voltada para a criação de gado e produção de leite, atualmente em declínio. As frutas e verduras consumidas aqui, em sua quase totalidade, são oriundas da cidade de Campina Grande-PB.

O nosso teatro é o muro de uma residência erguido sob os auspício de um sonho de Ícaro de um professor devotado a cultura.

A seca bate a nossa parte inquietando a nossa gente tão sofrida.

Poderia enumerar ainda muitas outras dificuldades graves enfrentadas por nossa cidade as quais estamos todos submetidos, ora por incompetência e falta de compromisso dos nossos políticos, ora pela apatia que se abateu sobre a nossa gente que prefere, acreditem, polemizar sobre a queima de fogos, as cinco da manhã, em louvor de algum santo sem mandato eletivo.

-Durma-se com um barulho desses!
 

 Teófilo Júnior



Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível.
 

sábado, 18 de janeiro de 2014

A extinção do macho jurubeba

Indiscutivelmente que a sociedade patriarcal que imperou e ainda hoje impõe desmedida intervenção ao universo que cerca as mulheres vem sofrendo progressivo combate prático e ideológico. A verdade é que nos idos atuais as mulheres se emanciparam e resolveram sair de casa, tomaram as rédeas, alçaram degraus, obtiveram conquistas, fizeram surgir novos pensamentos, a exemplo do movimento feminista, de modo que a fêmea de hoje vem se distanciado da mulher de outrora, recatada e educada apenas para os afazeres da casa e do marido. A mulher moderna é de outro naipe, se modificou, sobretudo no tangente ao seu papel no lar e no competitivo mercado de trabalho.

 
De certo modo, vejo com bons olhos tudo isso. Merecidamente a mulher vem conquistando, diga-se, com afinco e competência, o seu verdadeiro espaço e sua posição de destaque numa sociedade em que, infelizmente, ainda traz consigo ranços de equivocada dominação do homem construída através de séculos. 
Numa rápida análise, a mulher de agora vem deixando de ser a secretária do lar com meras atividades primárias para se transformar na mulher executiva que disputa em pé de igualdade as ofertas de emprego com o seu companheiro.
Queira ou não, o homem aos poucos vai dividindo, quando não perdendo, essa competição. O marido agora passa a cooperar ou mesmo a assumir as atividades domésticas, fato impensável de acontecer nos ares da década de 1920. Impossível imaginar o vó Miro cuidando da casa e dos meninos.
O fato é que elas, se antes dominavam os lares, agora tomam a dianteira no mundo. A Inglaterra já se rendeu a Margaret Thatcher, a dama de ferro dos ingleses. A Alemanha elegeu Ângela Merkel. A Argentina, além de Eva Perón viu surgir Cristina Kirchner e o Brasil é embalado pelos braços de Dilma Rousseff. 
Inevitavelmente  aquele macho jurubeba acostumado com a figura da mulher doméstica corre um sério risco de ser varrido de vez da face da terra, provavelmente extinto por não se adaptar a evolução da espécie, seja por comodismo, ausência de condições, incompetência ou por pura falta de melhor se posicionar diante da fronteira da história.
Em outras palavras, é sentença de morte. E nesse particular, estou enrascado!
Eu, como já dito, que embora veja com bons olhos todo esse avanço feminino, sou um incorrigível homem que nada sabe fazer numa casa, exceto sentar-se a mesa e esperar D. Marileide rodear-me com as suas iguarias. Não sei passar. Lavo muito mal e me confundo sempre com os botões do meu fogão de seis bocas. Sou, digamos, um cabra marcado para morrer, e ao que parece, de inanição.
Logicamente, isso era enormemente motivo de preocupação e vinha me tirando o sono. Vinha até ontem. É que, despretensiosamente como faço todas as manhãs, navegando em uma dessas redes sociais vejo o velho amigo José Ribeiro postar, quase como a estender-me um tábua de salvação, a seguinte mensagem em seu perfil social: “Não há problema nenhum um homem arrumar a casa, cuidar dos filhos, lavar roupa, passar, fazer comida e lavar a louça. Machismo, tô fora!”
- Zé, quer casar comigo?
Teófilo Júnior

Imagem do dia

Com fotos que mais parecem com um ensaio de revista, a fotógrafa russa Elena Shumilova mostra o cotidiano de seus filhos Yaroslav e Vanya na fazenda em que mora. As imagens trazem a ternura e o equilíbrio das crianças convivendo com os animais e a natureza.
 
 
UOL

Charge

Racismo

Racismo é o significado e a intenção verdadeira das ações dos shoppings paulistas. Eles ganharam de juízes de competência e intenções duvidosas as autorizações que lhes permite decidir, arrogante e ilegalmente, quem pode e quem não pode entrar em suas dependências.
 
Aliás, espera-se que a Justiça do Rio, onde devem acontecer rolezinhos neste final de semana, não mimetize a mediocridade moral e legal de juízes paulistas atrás de 15 minutos de fama inglória.
Racismo porque o perfil de impedidos e impedidas (ou, na acepção subliminar dos supostos juízes, “criminosos” e “criminosas”) não está descrito em canto algum, mas é fácil de ser compreendido pelos seguranças nas portas dos centros comerciais.
 
É sempre o mesmo: pele escura, jovem. Muitos usam bonés e quase sempre vêm de bairros pobres – esses crimes imperdoáveis... Estão ali para dar um passeio, o seu “rolezinho”, desfrutar da praça de alimentação e ir ao cinema. O mesmo que fazem todos os dias jovens moradores das zonas ricas da cidade, de pele clara e cabelo louro, sem que ninguém lhes peça identificação.
Jovens detidos após 'rolezinho' em shopping. Foto: Wanderley Preite Sobrinho / iG

Racismo é a motivação tão forte por trás do que fazem esses shoppings, verdadeiros supra sumos do capitalismo compulsivo, que os leva a contrariar até a racionalidade econômica que lhes dá sentido, impedindo consumidores de consumirem.
 
Racismo é a matriz ideológica que orienta as decisões de um Judiciário que assim respalda, incita e fornece a base legal do preconceito com que a sociedade trata há 514 anos pobres, negras, negros, indígenas e quem mora em favelas.
 
É o apartheid brasileiro desrespeitando a Constituição Federal e resistindo ao século 21, décadas após o apartheid original ter sido enterrado na África do Sul.
 
Racismo é a ideia por trás da cobertura que certa imprensa dá aos rolezinhos, reproduzindo denúncias anônimas de que os rolés se transformariam em arrastões e fechando os olhos para o fato de que correrias são diferentes de roubos em massa e que muitas vezes são provocadas por seguranças infiltrados – exatamente como a PM do Rio fez, e está fartamente documentado, nas manifestações de junho de 2013.
É assim que se fecha o ciclo pernicioso da notícia falsa, que alimenta novos fatos que justificam decisões judiciais, como se tudo não passasse de preconceito e fosse mesmo real. Justificando, inclusive, a violência da PM paulista e suas indefectíveis bombas e balas de borracha.
 
Racismo, enfim, é a palavra que ninguém ousa dizer ou escrever, mas que é o sentimento que vai no peito de administradores de shoppings, juízes e jornalistas unidos em torno daqueles valores velhos que levaram o Brasil a abolir apenas formalmente a escravidão.
 

Carlos Tautz, jornalista, é coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Robbie Williams - Advertising Space live at Leeds (2006)


"O futuro não é um lugar onde estamos indo, mas um lugar que estamos criando. O caminho para ele não é encontrado, mas construído e o ato de fazê-lo muda tanto o realizador quando o destino."
 

Ariano defende BBB que lhe colocou como maior escritor da história de Pernambuco

Questionada por Pedro Bial, bailarina recifense elegeu o escritor como o maior da história de Pernambuco e gerou polêmica nas redes sociais

 
Pedro Bial: Bella, o maior escritor da história de Pernambuco é…
Bella Maia: Ariano Suassuna!
Pedro Bial: Ah, que bom. Espero que ele esteja ouvindo isso...
 
…e estava. O escritor assistiu à edição do Big brother Brasil na qual a recifense o citou como referência. E gostou. No apartamento em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, onde costuma veranear com a família, ele deu uma pausa na fisioterapia para conversar com o Viver sobre televisão, adaptações literárias, hábitos perdidos (devido à idade) e o livro O jumento sedutor, que ainda escreve. O dramaturgo se recupera de um infarto sofrido no ano passado. Mas nem parece. Está cheio de energia, de volta às aulas-palestras e ainda guarda um tempinho para ver TV.
 
O que achou da resposta de Bella Maia?
 
Eu fiquei muito agradecido. Foi uma delicadeza muito grande dela em relação a mim. Não sei quem é ela… Ela é pernambucana, né? Eu imagino que seja, porque se não Bial não ia perguntar a ela sobre Pernambuco, especialmente. Mais um motivo, mais um carinho que recebo do povo pernambucano. Eu sei que iam questionar. Mas eu vou fazer a defesa dela. Bial não perguntou “qual é o maior escritor pernambucano?”. Ele perguntou: “qual é o maior escritor da história de Pernambuco?”. Pode-se questionar se eu sou, mas não que ela tenha dado uma resposta errada. Porque nasci na Paraíba, mas eu pertenço à história cultural de Pernambuco também. Eu estreei na literatura em Pernambuco. Você sabe quantos anos tenho de vida? 86. Sabe quantos anos eu vivi na Paraíba? 15.
 
Durante esses 15, fazia estágio em Pernambuco. Desde os dez anos, passo mais tempo em Pernambuco, que na Paraíba. Aqui, eu publiquei meu primeiro poema. Aos 18 anos, mais precisamente, no dia 7 de outubro de 1945. Participei do importante Teatro Popular do Nordeste, que fundei com meu querido amigo Hermilo Borba Filho, e criei o Movimento Armorial aqui. Escrevi também a minha primeira peça. Vamos tirar do assunto cultura e do assunto escritor… Se você me perguntar “quem foi o maior político pernambucano?”, vou dizer Agamenon Magalhães. Mas “qual o político mais importante da história de Pernambuco?”, vou responder que foi Miguel Arraes, apesar de ele ter nascido no Ceará.
 
Costuma assistir ao Big brother Brasil?
 
Normalmente, não. Assisti porque estava esperando a minissérie Amores roubados. Saí da novela que assisto regularmente, Amor à vida, e gosto. Eu quero que Aline seja castigada. Mulher ruim da peste. Sempre fui de assistir novela. Não quer dizer que goste de todas, tá certo? Quando vejo que é ruim, paro de assistir. A melhor foi Lado a lado. Achei muito bem feita. Eu prefiro novela a qualquer enlatado norte-americano. Os filmes norte-americanos que se vendem para a televisão são péssimos. As novelas são mais bem feitas.
 
O que acha da adaptação de Amores roubados?
 
Gosto muito do texto, dos atores. O diálogo tá bom. E não me admiro. Se não me engano, foi escrito por George Moura (roteirista), né? Quem eu conheço, gosto e admiro muito.
 
O que acha de adaptações literárias para televisão?
 
Gosto de umas, sim, outras, não. Eu devo muito à televisão por ver espetáculos que jamais veria. Outro dia, eu vi um concerto regido… Veja que coisa simpática: o regente era um judeu, o pianista era um chinês “endiabrado” e uma orquestra austríaca. Um concerto universal. Eu vi no canal chamado Arte 1. É muito bom.
 
Qual não o agradou?
 
Grande Sertões Veredas (Guimarães Rosa) perdeu a adaptação para a televisão. Perdeu muito. Eles fizeram uma coisa que não sei por que fizeram isso. Toda a história se baseia no fato de que o personagem é representado como homem, mas ele é uma mulher. Isso só se revela no fim do romance. Na televisão, eles colocaram logo no começo. Foi estragado.
 
Adaptação transforma a obra em outra?
 
Tem que transformar. É outra arte. Principalmente, como no caso de A pedra do reino, porque era romance para um espetáculo de televisão. Quando é de teatro para televisão, ainda há parentesco. Mas do romance é uma dificuldade muito grande. E ele venceu. Tudo o que coloquei no romance tava lá. Eu tive a impressão que o público, por causa do sucesso de Auto da Compadecida, esperava uma outra Compadecida…. Mas é completamente diferente. Não tem a leveza da comédia. A maior parte é dramática. Eu nunca tive romance adaptado para o teatro.
 
Qual a adaptação favorita de sua obra?
 
Não tem a de que mais gosto. Gostei muito das minhas experiências na televisão. Fui procurado pela primeira vez em 1963, mais ou menos. Vi que eles queriam que eu me adaptasse aos padrões. Recusei. Então fiquei 30 anos sem ter nada na televisão. Até que fui procurado por um extraordinario diretor, chamado Luiz Fernando Carvalho (Lavoura arcaica), e eu não tive dificuldade com ele. Ele era entusiasta da música armorial. Eu não tive que fazer concessão. Fizemos a adaptação da minha primeira peça, Uma mulher vestida de Sol. Fiz com ele A farsa da boa preguiça e, por fim, Guel Arraes fez O auto da compadecida. Teve também A pedra do reino. Gostei muito, mas acho que o público ficou absolutamente indiferente, não gostou muito. Os espetáculos são muito bonitos. Mas o grande público estranha.
 
Acha que a televisão mudou no quesito qualidade?
 
Eu acho que ela tem grandes momentos. Não gosto do que é ruim artisticamente e o que é o grosso. O que me queixo muito dos meios de comunicação de massa é porque eles procuram uma coisa, e eu, outra. Eles, lucro, audiência. Eu, não. Eu gosto de arte. E, aí, normalmente, a TV comum se nivela pelo gosto médio. E aí eu digo: o gosto médio é péssimo. Às vezes, eu digo que, entre o gosto médio e o mau gosto, a arte tem mais a ver com o mau gosto.
 
Você acompanha seriado americano?
 
Não. Não quer dizer que eu não gosto indiscriminamente, não. Existe um filme em que um autor norte-americano era apaixonado pelo México. Me identifico muito com ele. O tesouro de Sierra Madre. Vi na TV e gostei muito.
 
Você acompanha o cinema pernambucano?
 
Não acompanho. Eu não vou mais a cinema. Não tenho mais tempo, nem resistência.
 
Por que considera o Armorial um movimento?
 
É o que ele é. O movimento é organizado por um grupo de artistas e escritores, com características em comum, que se reúnem para mostrar que aquilo é um dos caminhos possíveis da arte. Foi assim com o movimento modernista.
 
E o Tropicalismo e o Mangue?
 
Eu acho pobre. Me diga uma coisa: Você já viu uma peça de teatro ou conhece um romance tropicalista? Conhece algum poeta tropicalista? Então é mais uma onda musical. Eu gostava muito de Chico (Science). Ele foi me procurar. Fiz críticas a ele. Acho o maracatu rural uma coisa linda. Acho rock uma desgraça. Eu disse a ele: gosto muito do que você tem de Chico. Mude o nome para Chico Ciência, que eu subo no palco com você. Tenho horror esse abastardamento do português pela língua inglesa. Hoje, inclusive, não se diz mais “tempo”. Diz fulano tem um time. Isso é uma coisa ridícula. País sem personalidade, meu Deus.
 
O que acha do brega?
 
Eu não tenho tempo para perder com isso. Gosto muito de Dostoiévski, Tolstói… Essas coisas, nem me pergunte. Até o nome eu tenho antipatia….
 
Como está a recuperação?
 
Está bem. A fisioterapeuta está me esperando para a gente continuar. Isso que estou fazendo aqui (a entrevista) é uma extravagância. Teve esse episódio do infarto e o aneurisma. Graças a Deus, escapei dos dois.
 
O senhor continua escrevendo?
 
Sim… mas não posso falar muito. Meu editor pediu. É o romance O jumento sedutor (escrito há mais de três décadas). Eu sou mais conhecido como dramaturgo, menos como romancista e, como poeta, sou completamente desconhecido. Nele, pela primeira vez, tô procurando fundir teatro, romance e poesia.
 
 
diariodepernambuco.com.br

Hora do recreio. Pescaria com meu filho e sobrinhos no águas do rio Piancó



"Causos" do deputado Chico Pereira - 1

Já que a política anda tão tumultuada, com todo mundo brigando entre si e ninguém se entendendo, vou relembrar aqui alguns políticos que faziam a política se tornar divertida. E começo pelo mais simplório e, nem por isso menos importante político que já viveu entre nós, Seu Chico Pereira de Pombal, homem de muitos votos, de pouca leitura e de muita presença de espírito.
 
Vinha ele de Pombal para João Pessoa, viajando no corujão da Gaivota, quando a certa altura retirou do bolso do paletó um grosso, comprido e vistoso charuto, fabricado em Arapiraca, acendendo-o com o isqueiro tabaqueiro e sem seguida ficou soltando baforadas que incensaram o ônibus de cabo a rabo.

Diligente, o cobrador se acercou dele e, educadamente, perguntou se o deputado sabia ler. Diante da resposta afirmativa, apontou para uma plaquinha instalada na parte de cima do parabrisa, bem à frente de Seu Chico e argumentou:
-Se sabe, deve ter lido ali na placa que é proibido fumar charuto, cachimbo e cigarro de palha.
-Bom basta, meu filho. Se eu fosse dar valor a placa, já tinha estourado meu bucho de tanto beber coca-cola”, respondeu seu Chico, depois de uma saborosa tragada.

**
Mesmo depois de deixar a carreira de deputado, Seu Chico Pereira continuou freqüentando a Assembléia, ao lado de Zé Fernandes, na sala destinada aos ex-deputados.
Meio “esquecido” por causa da idade, num inicio de tarde indagou:
-Meu filho Aércio, saber dizer se já estão pagando a “truxe”?
Referia-se a TRU, verba de representação paga ao deputado que estava na ativa.
-Seu Chico, o senhor não é mais deputado -, lembrou-lhe Aércio.
E Seu Chico, dando uma tapinha na testa: -Ah, sim! Agora é que eu me lembro!”

**

Campanha para senador, década de 70. Do lado do MDB, os dois maiores caciques da época: Humberto Lucena e Argemiro de Figueiredo. João Agripino, governador da Arena, estava sem candidatos. Reunião em Palácio, com as lideranças, para discutir o assunto. Todo mundo abestalhado, sem saber o que fazer. João, matreiro, aproveitou a indecisão e puxou um nome do bolso. Um nome desconhecido de todos. E perguntou:
-O que acham de Domicio Gondim?”
Todos se entreolharam, sem saber o que dizer. E João, olhando para o fundo da sala, viu o deputado Chico Pereira dormindo a sono solto. Imediatamente o chamou em voz alta:
-Seu Chico!”
-Ahnnn? – se espantou o veterano deputado.
-O que acha de Domicio Gondim?
-Lá em Pombal é só no que se fala -, garantiu ele, esfregando os olhos.
 
 
Tião Lucena

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A propósito dos rolezinhos...

Toni Braxton


Desculpa

Foto Delaney
 
Compreendi que é pouco decente ficar vivo
Quando os ratos já roeram os ossos e a coragem.
 
Mas, morrer, sem você é um dever abstrato,
Assim como viver um inútil desastre.

 
Roberto Marinho de Azevedo (Rio de Janeiro 1940 - 2003) Foi jornalista, crítico gastronômico e poeta. Robertinho, como era conhecido, assinou por 35 anos, sob o pseudônimo de Apicius, uma coluna de crítica gastronômica no Jornal do Brasil. Publicou em poesia As trufas podres, Cruzeiro turístico e Poemas de amor venal.

O fantasma do massacre do Carandiru ronda presídio no Maranhão

Um preso está trancafiado em um espaço que um dia foi um banheiro. Em uma área inferior a quatro metros quadrados há um buraco no chão para ele fazer suas necessidades. Do lado dessa privada improvisada, há uma marmita com arroz, feijão e um pedaço de carne com uma aparência esverdeada que mal foi tocada. O detento em questão, é Railson Amorim Silva, 21 anos. Com mais de 1,85m de altura, ele mal cabe deitado na cela, que nem colchão possui.
 
Preso por roubo no último dia de 2013 ele reclama que não teve acesso a advogados e que a situação na qual se encontra hoje, trancado sozinho em um antigo banheiro no Complexo de Pedrinhas, em São Luís, a capital do Maranhão, consegue ser melhor do que a dos três dias anteriores. “Fiquei três dias algemado no banco ali na entrada do presídio porque não tinha vaga nas celas”, afirma o detento.
 
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Afonso Benites, El Pais