segunda-feira, 16 de maio de 2011
domingo, 15 de maio de 2011
Trato é trato
Depois de exaustivas brigas, o marido grita:
- Eu não agüento mais!!! Vamos fazer o seguinte: eu fico com um lado da casa e você com o outro!
- Tudo bem! - concorda a esposa - Eu fico com o lado de dentro!
- Eu não agüento mais!!! Vamos fazer o seguinte: eu fico com um lado da casa e você com o outro!
- Tudo bem! - concorda a esposa - Eu fico com o lado de dentro!
As ilhas altas
Colombo descobriu a América; eu descobri as Ilhas Altas, ao largo de Copacabana e Ipanema. Pode ser que muita gente antes de mim as tenha visto; mas, que eu saiba, nunca ninguém disse nem escreveu nada a respeito. Descobri-as, portanto, por minha conta, pelo meu costume de estar sempre olhando o mar. Tenho várias testemunhas, e citarei Paulo Mendes Campos, que já as enxergou e as mostrou a outras pessoas.
Para falar verdade, tenho descoberto muita coisa no mar - eu, que sou apenas um homem de praia. Em Ipanema descubro jamantas imensas, e já enxerguei, próximo à arrebentação, por duas vezes, indiscutíveis tubarões - estou falando de tubarões, e não de botos traquinas. Mas as Ilhas Altas são minha melhor descoberta. Assim, pois, concito os povos de Copacabana e Ipanema a olharem com assiduidade o mar, com os olhos de quem procura disco voador voando baixinho. Mas antes de encontrar as Ilhas Altas é preciso cada um se familiarizar com a visão das outras, as comuns - as Tijucas, as Cagarras, a Redonda, a Rasa, a Contunduba e as elevações do outro lado da entrada da barra. Porque acontece que quem não está acostumado a ver, a ver reparando no que vê, não verá as minhas Ilhas Altas. Ou verá mas não achará nada de estranho - pois não saberá que está vendo ilhas que não existem, ou melhor, que não existem assim como aparecem.
E apenas nos dias de muito sol e mar manso que as tenho visto - quando no horizonte marinho há uma faixa de ar trêmulo. Então ali se projetam ilhas com penhascos soberbos, altas, nítidas, fabulosas. Têm, como as outras, o violeta sujo das penedias, o verde-escuro das árvores, tudo azulado pela distância; mas seus costões são verticais ou reentrantes, convexos, roídos pelas espumas, e se aprumam com uma fidalguia soberba no horizonte - penhascos de lenda, majestosos, fascinantes. Duram minutos, talvez uma hora, e depois se perdem numa bruma seca, vagamente.
Olhem, pois, meus irmãos, o horizonte marinho. Não perderão nada - o mar é sempre belo quando brilha ao sol, às vezes pula um peixe de prata, num salto sensacional; e todos os navios são bons de ver, até a traineira humilde que reboca um barquinho e vai para o Sul, o madeireiro chato e lento que vem carregado de pinho. Olhem o mar - um dia verão minhas Ilhas Altas, e verão que são belas. Se não as virem, ainda assim olhem o mar - porque ele ensina apenas força e liberdade.
Rubem Braga
(“Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”)
Paraíba e Pernambuco sediarão encontros de blogueiros e redes sociais
A ANID (Associação Nacional pela Inclusão Digital) está apoiando, junto com outras entidades, a realização de dois eventos no Nordeste. Trata-se dos Encontros de Blogueiros e Redes Sociais nos estados de Pernambuco e Paraíba, que serão realizados na próxima semana. Em João Pessoa, o encontro acontece no dia 20 de maio, no auditório da PBTUR, localizado no bairro de Tambaú. Em Olinda, o encontro ocorre no dia 21, no auditório Ribeira do Centro de Convenções. As inscrições são gratuitas e mais informações podem ser obtidas através do hotsite http://www.blogueiros.net.br.
Os encontros estão sendo promovidos pelo Centro de Estudos Barão de Itararé. A programação inclui debates, oficinas de blogs e de redes sociais, além de apresentação sobre assessoria jurídica para blogueiros.
O jornalista Altamiro Borges participará do debate inicial nos dois estados que, em João Pessoa, será realizado juntamente com o presidente da ANID, Percival Henriques e, em Olinda, com o jornalista Paulo Henrique Amorim. Na Paraíba, alguns convidados especiais já confirmaram presença, como os advogados Alexandre Guedes e Harrison Targino.
Deu no www.pbagora.com.br
sábado, 14 de maio de 2011
Democracia ou a felicidade política *
Democracia não é apenas voto, é a atitude cotidiana capaz de revelar o sentido da “felicidade política”.
Além do desejo de felicidade comum a cada pessoa individual, há um desejo ao qual precisamos hoje dar nome próprio, o desejo da felicidade política. No Brasil a política é, há tempos, e cada vez com mais veemência, destruída por mascarados e transformada num território de ninguém. A idéia de política como espaço da realização da comunidade, de cada indivíduo que se une em torno do bem comum, foi destruída há muito tempo. Talvez nem tenha nascido entre nós. De qualquer modo, é preciso assegurar que haja ainda sementes desta idéia que possam alimentar-nos no futuro. Do contrário, sem rumo político, sem a idéia do bem para todos, não haverá esperança, apenas a colonização e a escravidão com a qual iniciamos a história que precisamos a cada dia superar em nosso presente.
Não sabemos muito bem o que é política além do baile de máscaras que vemos pelos jornais, mas sabemos que uma das palavras que traduz sua incógnita é a democracia. Podemos dizer que ser feliz politicamente é hoje realizar a democracia. A democracia é uma palavra capaz de traduzir toda a nossa utopia política, nosso desejo de uma sociedade em que a vida boa seja a possibilidade geral. Se nem falamos tanto em política, pois perdemos seu sentido, a democracia parece ser a palavra mágica ainda capaz de assegurar este sentido perdido. Uma vida em nome da democracia parece a todos nós uma vida boa, porque justa. É preciso a cada dia revalidar o batismo e rever o que nasce sob a luz de nosso sonho. E é preciso sonhar e reinventar o futuro.
Apesar disso jamais, desde sua invenção, abandonamos a democracia. A modernidade refez o teor da democracia traduzindo-a em nossa capacidade de voto: é a democracia representativa. Quem eleger, como eleger, são questões que nos martelam a mente dia após dia, sobretudo, em tempos de eleição. Mas será só isso? A democracia representativa é prática, mas pouco utópica, exige uma resposta imediata. Nosso tempo é rei no elogio da prática e desdenhoso dos ideais, postura que precisa com urgência ser revista.
A pergunta que precisamos colocar hoje nos toca num ponto grave: será possível manter o sentido da política e mesmo da democracia se pensamos que a democracia é apenas o voto? Somos apenas inábeis para o voto? Ou será que é toda a concepção da política que está hoje perdida? Não seria a hora de re-colocar em cena e com toda a força a idéia de uma “felicidade política”?
Marcia Tiburi
* Publicado na Revista BemStar. São Paulo: Ed. Lua. Número 16, 2006. P. 37.
Simplifique. Um jeito fácil de ser feliz
Você sabia que existe um jeito muito fácil de ser feliz? É simplificando as coisas.
Sabe aquela discussão boba e sem assunto com a mulher amada? Deixe de lado. Sabe aquele problema que parece insolúvel? Deixe o tempo se acomodar, que as respostas irão fluir. Sabe aquele projeto que não deu certo? Não fique se lamentando: outros mais virão pela frente.
Assim é a nossa vida. Um dia vive-se a glória, no outro nem tanto. Mas para que ficar esquentando a cabeça ou deixando que a ansiedade tome conta do seu pensamento, desperdiçando uma energia poderosa? Para que ficar martelando sobre assuntos e coisas sem futuro, insistindo em razões sem sentido ou impróprias para a nossa essência?
Assim, ao acordar pela manhã, faça uma promessa: a partir de hoje, usarei a simplicidade como um grande instrumento em busca da minha felicidade. Faça isso e seja feliz!
Adonai Zanoni de Medeiros
"Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada."
Paulo de Tarso em correspondência aos Gálatas
Blogueiro posta mensagem após sua morte
Derek Miller, um blogger canadiano que relatou durante quatro anos a sua luta contra um cancro, deixou uma mensagem online depois de falecer.
"Aqui está. Estou morto", lê-se no último post de Derek Miller de 41 anos, que faleceu na passada terça-feira, depois de mais de quatro anos a escrever num blogue sobre a luta que travava contra um cancro colo-rectal.
"De antemão, pedi para que quando o meu corpo finalmente se desligasse dos castigos do cancro, a minha família e os meus amigos publicassem esta mensagem - A primeira parte do processo de passar isto de um website activo para um arquivo", escreveu Derek Miller no blogue "Pen Machine".
Um dia depois da morte, uma amiga de longa data, Alistair Calder, publicou a mensagem. Em pouco tempo, a notícia da morte de Derek e a sua última mensagem corriam o mundo e o blogue atingiu os 3 milhões de visitantes.
O músico e compositor de Banbury na Colômbia Britânica, Canadá, deixou ainda mensagens à esposa, Airdrie, e às duas filhas, Marina de 13 anos e Lauren de 11.
"Hoje não há respostas", escreveu. "Enquanto estive vivo a escrever isto, fiquei triste por saber que ia sentir falta destas coisas - não porque não poderei testemunha-las, mas porque Air, Marina e Lauren não me terão cá para apoiar os seus esforços".
Fonte
Jornal de Notícias, Portugal
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Soneto da Armida
O cabelo castanho, a face pura,
Uns olhos onde pinta-se a candura
De um coração que dorme, inda inocente.
Um seio que estremece de repente
Do mimoso vestido na brancura,
A linda mão na mágica cintura,
E uma voz que inebria docemente.
Um sorriso tão angélico! tão santo
E nos olhos azuis cheios de vida
Lânguido véu de involuntário pranto!
É esse o talismã, é essa a Armida,
O condão de meus últimos encantos,
A visão de minh’alma distraída!
Álvares de Azevedo
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Os olhos são órgãos marotos. Mesmo perfeitos, não são dignos de confiança. “Não vemos o que vemos; vemos o que somos”, escreveu Bernardo Soares. A gente pensa que os olhos põem dentro o que está longe, lá fora, quando o que os olhos fazem é por lá longe o que está dentro.
É o caso dos olhos do pai e os olhos do apaixonado por sua filha… Olho de pai é olho que se educou com a vida. Conhece a menina, viu-a nascer, crescer, voar, cair… Alegrou-se nos dias de sol, entristeceu-se nos dias de sombras e escuridão.
Os olhos do apaixonado são diferentes. Neles mora uma pitada da loucura que se chama fantasia. O apaixonado vê como realidade aquilo que existe dentro dele como sonho. Versinho enorme de Fernando Pessoa: “Quando te vi, amei-te já muito antes”. Traduzindo: vejo no seu rosto o rosto que já morava dentro de mim, adormecido… O apaixonado é um porta-sonhos.
Vocês, meu leitores, não devem estar percebendo a propósito de que é essa meditação sobre os olhares. É que eu escrevo por meio de parábolas, e o que está em jogo é um pai de olhar claro, uma donzela linda, sua filha, e um apaixonado que vê com olhos de poeta. Respectivamente, o professor José Pacheco, a Escola da Ponte e eu, Rubem Alves.
Visitei Portugal, acho que no ano 2000, e lá conheci uma escola diferente: a Escola da Ponte. Para mim, foi um espanto. Fiquei apaixonado e escrevi um livrinho sobre ela: “A Escola com que Sempre Sonhei Sem Imaginar que Pudesse Existir”. Amei a Escola da Ponte, amor à primeira vista.
Sou um educador. Escrevi muitas coisas sobre a educação no transcorrer da minha vida. Mas, de tudo o que escrevi, acho que minha contribuição mais significativa para a educação foi esse relato espantado e apaixonado.
Texto de Rubem Alves, publicado na Folha de S.Paulo, em 5/4/2011.
Não Sei se Você se Lembra
Então, não sei se você se lembra, nos veio aquela vontade súbita de comer siris. Havia anos que nós não comíamos siris e a vontade surgiu de uma conversa sobre os almoços de antigamente. Lembro-me bem — e não sei se você se lembra — que o primeiro a ter vontade de comer siris fui eu, mas que você aderiu logo a ela, com aquele entusiasmo que lhe é peculiar, sempre que se trata de comida ou de mulher.
Então, não sei se você se lembra, começamos a rememorar os lugares onde se poderia encontrar uma boa batelada de siris, para se comprar, cozinhar num panelão e ficar comendo de mãos meladas, chão cheio de cascas do delicioso crustáceo e mais uma para rebater de vez em quando. E só de pensar nisso a gente deixou pra lá a vontade pura e simples e passou a ter necessidade premente de comer siris.
Então, não sei se você se lembra, telefonamos para o Raimundo, que era o campeão brasileiro de siris e, noutros tempos, dava famosos festivais do apetitoso bicho em sua casa. Ele disse que, aos domingos, perto do Maracanã, havia um botequim que servia siris maravilhosos, ao cair da tarde. Não sei se você se lembra que ele frisou serem aqueles os melhores siris do Rio, como também os únicos em disponibilidade, numa época em que o siri anda vasqueiro e só é vendido naquelas insípidas casquinhas.
Ah... foi uma alegria saber que era domingo e havia siris comíveis e, então, nos dois — não sei se você se lembra — apesar da fome que o uisquinho estava nos dando — resolvemos não almoçar para ficar com mais vontade ainda de comer siris. Passamos incólumes pela refeição, enquanto o resto do pessoal entrava firme num feijão que cheirava a coisa divina do céu dos glutões. O pessoal — aliás — achava que era um exagero nosso, guardar boca para um siri que só comeríamos à tarde, porque podíamos perfeitamente ter preparo estomacal para eles, após o almoço.
Mas — não sei se você se lembra — fomos de uma fidelidade espartana aos siris. Saímos para o futebol com uma fome impressionante e passamos o jogo todo a pensar nos siris que comeríamos ao sair do Maracanã.
Então — não sei se você se lembra — saímos dali como dois monges tibetanos a caminho da redenção e chegamos no tal botequim. Então — não sei se você se lembra — que a gente chegou e o homem do botequim disse que o siri já tinha acabado.
Stanislaw Ponte Preta
A crônica acima consta do livro "Garoto Linha Dura", lançamento da Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1964, pág. 163.
Roupas íntimas com alerta para exames preventivos
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou [ontem] projeto que obriga os fabricantes de calcinhas, cuecas e sutiãs a afixarem, nas peças produzidas e comercializadas no Brasil, uma etiqueta com advertência sobre a importância de exames preventivos de câncer de colo de útero, de próstata e de mama.
O projeto já foi ao Senado e foi votado, em caráter conclusivo na CCJ. Se não houver recurso para votação em plenário, seguirá à sanção presidencial.
Apresentado em 1999, pelo deputado então deputado Barbosa Neto (PMDB-GO), o projeto dizia apenas que as etiquetas de peças íntimas deveriam conter alertas para que homens e mulheres fizessem exames preventivos. E que a regulamentação seria feita pelo poder Executivo em 90 dias.
No Senado, o projeto foi modificado, para maior detalhamento e o prazo para que a lei entre em vigor estendido para 180 dias.
No caso das cuecas para tamanho adulto, a etiqueta deve conter a advertência sobre o exame de detecção precoce do câncer de próstata para homens com mais de 40 anos.
Nas calcinhas, a etiqueta deve conter mensagem sobre a importância do uso de preservativos como prevenção do câncer de colo de útero, além da realização do exame preventivo periódico. Nos sutiãs, a advertência é em relação a importância do auto-exame dos seios, para detectar sinais indicativos do câncer de mama.
Deu em "O Globo"
Isabel Braga
segunda-feira, 9 de maio de 2011
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