quarta-feira, 9 de junho de 2010

Justiça de MS regulamenta união estável de casais homossexuais

A Corregedoria Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul publicou, na terça-feira (8), no Diário da Justiça, uma norma que regulamenta o registro civil da união estável de pessoas do mesmo sexo, em cartórios do estado.

De acordo com a publicação, casais homossexuais poderão procurar qualquer cartório do estado para registrar o documento. A escritura serve como prova de dependência econômica, inclusive perante a Previdência Social, Entidades Públicas e Privadas, Companhias de Seguro, Instituições Financeiras e Creditícias e outras similares.

“Alguns cartórios já faziam o registro, mas sem qualquer regulamentação, o que poderia causar transtornos futuros. Não existe uma lei federal que trate da união entre casais homossexuais, mas essa norma autoriza cartórios a fazer a escritura”, diz Ruy Celso Barbosa Florence, juiz auxiliar da Corregedoria.



Fonte G1

Pierre Auguste Renoir

La songeuse - jeune femme assise - 1877

Elba Ramalho - Entre o céu e o mar

Sangue com HIV pode ser usado em transfusões, revela estudo.

O sangue de pessoas infectadas com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causadora da aids, pode ser usado de forma segura para transfusões de sangue, como aponta um estudo médico recente apresentado em Nairóbi e que é citado hoje pela imprensa local.

O estudo do médico Samwel Oketch, do New Nyanza Provincial General Hospital, da província queniana de Nyanza que prova que a "lavagem dos glóbulos vermelhos elimina o plasma do ARN (ácido ribonucleico) do HIV, tornando o sangue seguro para transfusões", assinala o jornal queniano "Daily Nation".

"Os pesquisadores foram capazes de limpar o sangue de qualquer rastro do HIV usando uma solução salina, composta de sal de cozinha e água", segundo a publicação.

Oketch apresentou os resultados da pesquisa no 29º Congresso Mundial de Ciência Biomédica de Laboratório, que começou em Nairóbi que se encerra nesta semana.

Em caso de ser adotado, este método seria especialmente útil em países da África Subsaariana como o Quênia, onde há escassez de reservas de sangue "devido ao temor dos doadores de que seu sangue seja analisado para identificar se são portadores da aids".

Pelos últimos dados da Organização Mundial da Saúde, no mundo há 33,4 milhões de pessoas com aids, dos quais 22 milhões vivem na África Subsaariana.


FONTE: Agência EFE

terça-feira, 8 de junho de 2010

Vital Farias - Cantilena de Lua Cheia

Participação de Elomar, Xangai e Geraldo Azevedo

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Greve no Judiciário da Paraíba. Pombal e outras cidades paralisaram suas atividades forenses

Os Servidores do Poder Judiciário na Comarca de Pombal, a exemplo de todo o Judiciário da Paraíba, fizeram uma mobilização expandindo o movimento grevista nesta Unidade Judiciária.

Na manhã da última segunda-feira(07 de junho), Analistas, Técnicos Judiciários e Oficiais de Justiça levaram ao conhecimento da sociedade e dos jurisdicionados as razões que os motivaram a parar as suas atividades e desencadeassem uma greve estadual. Na ocasião, fizeram uso da palavra vários servidores enfatizando a atual situação dos Serventuários da Justiça.

O ato público contou ainda com a solidariedade do representante da OAB local, e do membro da Defensoria Pública. Os servidores ainda participaram de entrevista direta com a Rádio Maringá de Pombal, ocaisão em que representantes da ASTAJ e do SOJEP fizeram suas explanações, explicando a sociedade paraibana as suas reivindicações.

A paralisação contou com cerca de 90% dos servidores do Fórum. UM carro de som foi instalado diante do prédio da Unidade Judicial para o ato público.

Durante a semana, outras mobilizações e manifestações estão marcadas para acontecer.

Os servidores lutam pela elaboração de um novo PCCR que represente os interesses da categoria, com a participação das entidades representativas; 15% de perda salarial, referente à inflação do período de 2007 a 2010; 33,32% em razão do aumento da jornada de trabalho; Garantia do direito de remoção para Analistas, Técnicos e Auxiliares Judiciários, além da melhoria das condições de trabalho.

Várias outras Comarcas do Estado, a exemplo de João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Patos, Sousa e Cajazeiras encontram-se com suas atividades forenses paralisadas em razão da greve dos servidores.

O Judiciário de outros Estados brasileiros também encontram-se em greve.


Segundo o comando do movimento na Paraíba, o canal de negociação está aberto ao diálogo.

Radialista pombalense será homenageado com a medalha Epitácio Pessoa

Acabei de receber o convite para a solenidade de outorga da merecida Medalha e Diploma Epitácio Pessoa, a mais alta honraria da Assembléia Legislativa da Paraíba, concedida ao radialista Clemildo Brunet de Sá, cuja solenidade está marcada para o próximo dia 10 de junho, pelas 10hs, no plenário daquela casa de leis, na capital do Estado.

A homenagem e o reconhecimento ao decano da comunicação pombalenese é justíssima. Sua história e trajetória no rádio vai além das fronteiras de nossa cidade de Pombal-PB.

Nossos mais sinceros parabéns!

domingo, 6 de junho de 2010

Vamos rir: cuidado na hora da paquera!

No nordeste é tempo de festa: conheça Santo Antônio, São João e São Pedro


"Com a filha de João/Antônio ia se casar/mas Pedro fugiu com a noiva/na hora de ir para o altar."

Esta e outras cantigas de roda são característica marcante das Festas Juninas realizadas em todo o país. Especialmente no interior, as homenagens a Santo Antônio, São João Batista e São Pedro mobilizam a população e levam visitantes às pequenas e grandes cidades, nos dias 13, 24 e 29 de junho.

Que tal conhecer o que diz a tradição católica sobre esses santos?


Santo Antônio
Para seguir a ordem cronológica das festas, pode-se começar por Santo Antônio. Ele nasceu em Lisboa, em data incerta, entre 1190 e 1195. Seu nome de batismo era Fernando. Pertencia a uma família de posses, chamada Bulhão ou Bulhões. No entanto, abdicou da riqueza por volta de 1210, ingressando na ordem dos franciscanos.

Seguiu para o atual Marrocos para desenvolver trabalho missionário, mas sua saúde não se adaptou ao clima africano. Adoeceu e regressou à Europa, fixando-se na Itália. Lá, demonstrou grande talento para a oratória, o qual desenvolveu praticando ao máximo durante nove anos.

Possuía grande conhecimento da Bíblia e seus sermões impressionavam tanto os intelectuais quanto as pessoas simples. Alguns de seus escritos foram conservados e são conhecidos ainda hoje. Seu carisma conquistava multidões. A saúde, porém, continuava frágil e ele morreu com cerca de 35 anos, em 13 de junho de 1231, sendo canonizado no ano seguinte. Está enterrado em Pádua (Itália) e sobre seu túmulo ergueu-se uma basílica, que é lugar de grande peregrinação.


São João Batista
Em geral, os dias consagrados aos santos são aqueles em que eles morreram. No caso de São João Batista, acontece o contrário: comemora-se o seu nascimento, que teria sido em 24 de junho de ano desconhecido. João Batista foi profeta e precursor de Jesus Cristo. Era filho de Zacarias, um sacerdote de Jerusalém, e de Isabel, parente da mãe de Jesus.

João apareceu como pregador itinerante em 27 d.C. Aqueles que confessavam seus pecados eram por ele lavados no rio Jordão, na cerimônia do batismo. Atualmente, Israel e a Jordânia disputam a posse do local exato do rio onde São João batizava, já que isso atrai uma imensa quantidade de peregrinos e turistas.

João teve muitos discípulos e batizou o próprio Jesus. Porém, logo depois, foi atirado na prisão por haver censurado o rei Herodes Antipas, quando este se casou com Herodíades, a mulher de seu meio-irmão.

De acordo com a Bíblia, Herodes prometeu à jovem Salomé, filha de Herodíades e execelente dançarina, o que ela lhe pedisse, depois de tê-la visto dançar. Instigada pela mãe, Salomé pediu a cabeça de João Batista, que lhe foi entregue numa bandeja. O episódio teria ocorrido em 29 d.C.


São Pedro
São Pedro também tem parte de sua vida registrada pelo Novo Testamento. Era um pescador no mar da Galiléia, casado, irmão de Santo André. Juntamente com este, foi chamado por Cristo para tornar-se "pescador de homens". Seu nome original era Simão, mas Jesus deu-lhe o título de Kephas, que, em língua aramaica, significa "pedra", e cujo equivalente grego tornou-se Pedro.

O nome se origina quando Simão declarou "Tu és Cristo, o filho de Deus vivo", ao que Jesus respondeu "Tu és Pedro e sobre essa Pedra edificarei minha Igreja", entregando-lhe as "chaves do reino do Céu" e o poder de "ligar e desligar". Os evangelhos dão testemunho da posição de destaque ocupada por Pedro entre os discípulos de Jesus. No entanto, mesmo assegurando que jamais trairia Cristo, negou conhecê-lo por três vezes, quando seu mestre foi preso. Após a ressurreição, Pedro foi o primeiro apóstolo a quem Cristo apareceu e, depois disso, ele se tornou chefe da comunidade cristã.

A tradição, que não está relatada explicitamente no Novo Testamento, conta que Pedro teria sido crucificado em Roma. O fato tem sido muito questionado, mas as pesquisas arqueológicas têm contribuido para confirmar a tradição, deixando claro que Pedro foi martirizado a mando de Nero.

Conta-se que ele pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, para não igualar-se a Jesus. No local onde foi sepultado, segundo a tradição, ergueu-se a basílica do Vaticano, mas as escavações feitas no local não são conclusivas quanto ao fato de ali ser ou não o túmulo do santo.


Quo vadis?
Das várias histórias que surgiram em torno de São Pedro, uma delas conta que o santo, fugindo da perseguição, estava deixando Roma, quando encontrou-se com Cristo e perguntou-lhe: "Onde vais, Senhor?" (em latim, Quo vadis, Domine?). Jesus disse que voltava para Roma, onde seria novamente crucificado. Pedro então voltou para Roma e acabou martirizado.

Este episódio deu origem ao romance "Quo Vadis", do escrito polonês Henrik Sienkiewicz, Prêmio Nobel de 1905, adaptado pelo cinema norte-americano num filme de 1951, dirigido por Mervin LeRoy, que se tornou um clássico de Hollywood.

Para encerrar, uma curiosidade lingüística. Você sabe o que significa comemoração? Comemorar, junta o prefixo latino "co" (uma redução de "com") com "memorar" que significa trazer à memória, lembrar. Ou seja, trata-se de lembrar com os outros alguma pessoa ou fato importante para a comunidade.



Fonte:
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
http://educacao.uol.com.br/folclore/ult1687u35.jhtm
Acesse o uol

Versículos do Dia

E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne; Para que andem nos meus estatutos, e guardem os meus juízos, e os cumpram; e eles me serão por povo, e eu lhes serei por Deus. (Ezequiel 11:19,20)

Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; (Romanos 2:10)

Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...


Mário Quintana

sábado, 5 de junho de 2010

Direção perigosa

Os riscos por que passa a matemática dos contrários

Se Isaac Newton fosse nosso contemporâneo estaria, hoje, envolvido na maior controvérsia com os economistas da Rede Globo.

Na qualidade de um dos maiores matemáticos de nossa história Newton continuaria sustentando que ninguém pode, ao mesmo tempo, SER e NÃO SER a mesma realidade.

Exemplifico.

O cavalo BRANCO de Napoleão não pode ser ao mesmo tempo, PRETO. Ou então, se preferir, responda a pergunta: De que cor é o cavalo BRANCO de Napoleão? Difícil, não? Afinal, quem está com a razão, Newton ou a Miriam Leitão? Mais uma perguntinha: A quem pertence a aposentadoria que o aposentado comprou e pagou com seu suor de 35 anos de trabalho? Segundo Miriam pertence a ela que se perfuma, se maquia, que se aboleta nos escritórios refrigerados da Rede Globo para poder, com a maior comodidade, espalhar mentiras e calúnias contra os aposentados.

No entanto, hoje, na época dos absurdos, da supervalorização dos contrários, do eclipse da razão, os economistas, os jornalistas da Rede Globo e os servidores de uma MIDIA que é a encarnação mais grosseira do culto à MENTIRA e do mistério da iniqüidade, continuam sustentando, às escancaras, que não existem os contrários, que tudo é a mesma coisa, que Dilma Rousseff, portadora de uma das FICHAS MAIS SUJAS da paróquia, é igual a todas as mulheres brasileiras e pode competir até com a Virgem Maria, Mãe de Deus, isto é, que todas são sujas e farinha do mesmo saco. Não há contrários. É o nivelamento por baixo, é o GLOBALISMO MORAL (imoral) que despeja na mesma panela todos os ingredientes, os sujos e os limpos, os venenosos e os inócuos para o caldeamento de uma sopa que facilite a deglutinação da peçonha mortífera. Diga-se, de passagem, que também este é o GLOBALISMO RELIGIOSO, a moderna técnica posta em prática pelo anticristo para colocar no mesmo nível o EVANGELHO DA VERDADE com AS FÁBULAS DA MENTIRA. Verdade e mentira não se distinguem mais, hoje em dia. O evangelho da CRUZ é o mesmo que o da pouca vergonha, o da falta de vergonha, o do culto ao dinheiro que se amontoa para comprar votos e a consciência dos que votam com a barriga e não com a cabeça. Esta é a técnica luciferina, trancar no mesmo confinamento os rebanhos das OVELHAS e dos BODES para tentar, no final, conseguir o hibridismo do hermafroditismo moral e religioso, perfeitamente estéril como toda a anomalia genética.

Voltando, porém, à matemática dos contrários observamos que a Constituição Federal, em seu artigo 201 e a lei 8.213/91, bem como a jurisprudência subseqüente, firmada por todos os Tribunais, determinam TAXATIVAMENTE que o valor inicial de nossas aposentadorias deve ser preservado e permanentemente reajustado de tal maneira que seu valor aquisitivo seja mantido em qualquer época. Isto é matematicamente certo e deve ser religiosamente respeitado pelo mais convicto dos ladrões.

Não tardou muito, porém, que o estadista Fernando Henrique Cardoso e sua equipe capenga surgissem em nosso cenário econômico para afirmar justamente o contrário do que é determinado pela lei com a implantação do FATOR PREVIDENCIÁRIO. Este FATOR promove exatamente a degradação do valor de nossas aposentadorias. Pretendem estes senhores tocar para frente este ABSURDO CONTRADITÓRIO com o pomposo apelido de política previdenciária, de convivência pacifica entre o leão e o cordeiro. SER e NÃO SER ao mesmo tempo, viver e não viver amigavelmente a mesma realidade, aceitar e não aceitar esta sociedade espúria em que o leão mata e devora e o cordeiro é morto e devorado, como se fosse esta a expressão da verdade, esta a justiça que deverá ser imposta aos cidadãos da maioria, quase absoluta, pela ínfima minoria dos governantes corruptos, corruptores, praticantes da pior ESCRAVIDÃO que persegue, que mata e dá gargalhadas sobre os estertores de suas vítimas. O novo líder mundial que estão esculpindo nas rodas diplomáticas é a materialização de um pesadelo que evaporou do bico de uma garrafa de cachaça nalgum botequim de Garanhuns. Lula sonhou que havia sido escolhido pelo chifrudo para ser o ANTICRISTINHO, adorado pelo Castrinho de Cuba, capangado pelo Huguinho Chavesinho da Venezuela e drogado pelo Evinho da cocaína boliviana. Leia meu amigo aposentado, o capitulo 13 do livro do Apocalipse e você encontrará muitos detalhes sobre o filho do pesadelo. O número dele é 666. Ele inventou uma calculadora para calcular a matemática dos contrários. Esta maquininha descobriu que, nesta matemática, a abastança dos governantes é igual à MISÉRIA DOS APOSENTADOS. Só que, numericamente, esta igualdade, se escreve em sentido oposto: 3.000.000.000 = 0,000.000.000.

E VIVA A FARRA!

La Fontaine, contudo, em uma de suas fábulas, nos conta como tudo isto vai acabar. No duelo entre o leão e o mosquito, este foi taxado pela fera de inseto desprezível, de excremento da terra. Seus urros ameaçadores eram correspondidos apenas pelos zumbidos do mosquito que pela força de sua perseverança romperam seus tímpanos e o levaram, pela raiva, a furar os próprios olhos. E já furou tarde. A colméia dos aposentados vai continuar zumbindo até furar os tímpanos dos surdos e com o apimentado de seus ferrões porão para correr a obesidade dos malandros.

Um dia é o do caçador, o outro o da caça. Neste jogo devemos sempre ter os olhos fixos na trava e as chuteiras sempre afiadas para marcar o gol da vitória. Quem ri por último, ri melhor. Recentemente ouvi o Senador Mão Santa afirmar e repetir muitas vezes da tribuna do Senado que quem paga sua aposentadoria é o aposentado e que quem dela tenta se apropriar é ladrão e que lugar de ladrão é na cadeia. Eu, pessoalmente, durante 38 anos de contribuição paguei ao INSS o seguro social com o suor de meu rosto. Este seguro é meu, é a garantia de minha subsistência bem como de minha família. Quem estiver de olho nele que se prepare porque temos a resposta exata para lhe dar, eu e meus companheiros. Ultimamente, em Manifesto à Nação, nosso companheiro, Oswaldo Colombo Filho, economista, membro fundador do Movimento Brasil Dignidade, escrevendo pela internet, nos brindou com uma magistral aula sobre a questão dos aposentados, tanto assim que o Senador Paulo Paim, pela tribuna do Senado, adotou o texto de sua explanação como última palavra sobre a verdade deste pleito.

Parabéns, amigo Oswaldo, mais do que parabéns, obrigado à sua santa mãe que teve a ventura de o ter gerado, amamentado, educado e plantado no caminho dos aposentados brasileiros. Esta é, como inúmeras outras, a mãe gloriosa que merece o nome de cidadã brasileira e não de guerrilheira das trevas e do ódio.

Continuo cada dia mais certo de que o aposentado brasileiro é, antes de tudo, um bravo e que a mulher brasileira não fica atrás no cultivo a esta bravura. Como é bom ser filho de uma brasileira, de ter sugado os seios que inundaram meus lábios com o leite e o mel da vida que só Deus tem o poder de nos dar por sua maternidade.


José Cândido de Castro


Artigo de responsabilidade do professor José Cândido de Castro
Enviado por e-mail

Ervas e temperos do sertão expostos na porta do mercado público de Pombal-PB




Entrevista Michel Foucault: O homem está morto?


Michel Foucault (Entrevista)

L'homme est-il mort? (entrevista com C. Bonnefoy), Arts et Loisirs, no 38, 15-21, junho de 1966, pp.8-9. Traduzido a partir de FOUCAULT, Michel. Dits et Écrits. Paris: Gallimard, 1994, vol. I., p.540-544, por Marcio Luiz Miotto. Revisão de Wanderson Flor do Nascimento.

[... primeiro pedimos a Michel Foucault que definisse o lugar exato e a significação do humanismo em nossa cultura. ]

- Cremos que o humanismo é uma noção muito antiga que remonta a Montaigne e bem mais além. Ora, a palavra "humanismo" não existe nos Ensaios. Na verdade, com essa tentação da ilusão retrospectiva à qual sucumbimos muito freqüentemente, imaginamos de boa vontade que o humanismo sempre foi a grande constante da cultura ocidental. Assim, o que distinguiria esta cultura das outras, das culturas orientais ou islâmicas, por exemplo, seria o humanismo. Comovemo-nos quando reconhecemos vestígios deste humanismo noutro lugar, num autor chinês ou árabe, e temos então a impressão de nos comunicar com a universalidade do tipo humano.

Ora, não somente o humanismo não existe nas outras culturas, mas está provavelmente na nossa cultura na ordem da miragem.

No ensino secundário, aprendemos que o século XVI foi a era do humanismo, que o classicismo desenvolveu os grandes temas da natureza humana, que o século XVIII criou as ciências positivas e que chegamos enfim a conhecer o homem de maneira positiva, científica e racional com a biologia, a psicologia e a sociologia. Imaginamos que, ao mesmo tempo, o humanismo tem sido a grande força que animou o nosso desenvolvimento histórico e que é finalmente a recompensa desse desenvolvimento, resumidamente, que é o princípio e o fim. O que nos admira na nossa cultura atual, é que ela possa ter a preocupação com o humano. E se falamos de barbárie contemporânea, é na medida em
que as máquinas, ou certas instituições, nos aparecem como não humanas.

Tudo isso é da ordem da ilusão. Primeiramente, o movimento humanista data do fim século XIX. Em segundo lugar, quando se olha ligeiramente as culturas dos séculos XVI,XVII e XVIII, percebe-se que o homem não tem literalmente nenhum lugar. A cultura é então ocupada por Deus, pelo mundo, pela semelhança das coisas, pelas leis do espaço, e certamente também pelo corpo, pelas paixões, pela imaginação. Mas o homem mesmo é completamente ausente.

Em As Palavras e as Coisas, quis mostrar de quais peças e quais pedaços o homem foi composto no fim século XVIII e início do XIX. Tentei caracterizar a modernidade dessa figura, e o que me pareceu importante era mostrar isso: não é tanto porque se teve um cuidado moral com o ser humano que se teve a idéia de conhecê-lo cientificamente, mas é pelo contrário porque construiu-se o ser humano como objeto de um saber possível que em seguida desenvolveram-se todos os temas morais do humanismo contemporâneo, temas que são encontrados nos marxismos frouxos, em Saint-Exupéry e Camus, em Teilhard Chardin, resumidamente, em todas essas figuras pálidas da nossa cultura.

- Você falou aqui de humanismos frouxos. Mas como você situa algumas formas mais sérias de humanismo, o humanismo de Sartre, por exemplo ?

- Se afastamos as formas fáceis de humanismo que representam Teilhard e Camus, o problema de Sartre aparece como completamente diferente. Aproximadamente, pode-se dizer isso: o humanismo, a antropologia e o pensamento dialético estão ligados. O que ignora o homem, é a razão analítica contemporânea que se viu nascer com Russell, e que aparece em Lévi-Strauss e nos lingüistas. Esta razão analítica é incompatível com o humanismo, enquanto que a própria dialética se nomeia acessoriamente de humanismo.

Ela se nomeia por várias razões: porque é uma filosofia da história, porque é uma filosofia da prática humana, porque é uma filosofia da alienação e da reconciliação. Por todas essas razões e porque continua, no fundo, uma filosofia do retorno a si mesmo, a dialética promete em certa medida ao ser humano que ele se tornará um homem autêntico e verdadeiro. Ela promete o homem ao homem e, nessa medida, não é dissociável de uma moral humanista. Neste sentido, os grandes responsáveis do humanismo contemporâneo, são evidentemente Hegel e Marx.

Ora, parece-me que escrevendo a Crítica da razão dialética, Sartre pôs em certa medida um ponto final, ele fechou novamente o parêntese sobre todo este episódio da nossa cultura que começa com Hegel. Ele fez tudo o que pôde para integrar a cultura contemporânea, isto é, as aquisições da psicanálise, da economia política, da história, da sociologia, à dialética. Mas é característico que ele não poderia deixar cair tudo o que é da competência da razão analítica e que faz profundamente parte da cultura contemporânea: lógica, teoria da informação, lingüística, formalismo. A Crítica da razão dialética é o magnífico e patético esforço de um homem século XIX para pensar o século XX. Neste sentido, Sartre é o último hegeliano, e eu diria mesmo o último marxista.

- Ao humanismo sucederá então uma cultura não dialética. Como você a concebe e o que se pode dizer dela agora?

- Esta cultura não dialética que está a caminho de se formar é ainda muito balbuciante por diversas razões. Primeiro, porque tem aparecido espontaneamente em regiões extremamente diferentes. Ela não tem lugar privilegiado. Também não se apresentou, de entrada, como uma inversão total. Ela começou com Nietzsche quando ele mostrou que a morte de Deus não era o aparecimento, mas o desaparecimento do homem, que o homem e Deus tinham estranhos parentescos, que eram ao mesmo tempo irmãos gêmeos e pais e filhos um do outro, que Deus estando morto, o homem não poderia não
desaparecer, ao mesmo tempo, deixando atrás de si uma monstruosidade.

Ela apareceu igualmente em Heidegger, quando tentou retomar a abordagem fundamental do ser em um retorno à origem grega. Apareceu igualmente em Russell, quando fez a crítica lógica da filosofia, em Wittgenstein, quando colocou o problema das relações entre lógica e linguagem, nos lingüistas, e nos sociólogos como Lévi-Strauss.

Resumidamente, para nós mesmos atualmente, as manifestações da razão analítica ainda são dispersas. É aqui que se apresenta a nós uma tentação perigosa, o retorno puro e simples ao século XVIII, tentação que ilustra bem o interesse atual pelo século XVIII. Mas não se pode ter um tal retorno. Não refaremos mais a Enciclopédia ou o Tratado das sensações de Condillac1.

- Como evitar essa tentação ?

- É necessário tentar descobrir a forma própria e absolutamente contemporânea desse pensamento não dialético. A razão analítica século XVII era caracterizada essencialmente por sua referência à natureza; a razão dialética do século XIX desenvolveuse sobretudo em referência à existência, ou seja, ao problema das relações do indivíduo à sociedade, da consciência à história, da práxis à vida, do sentido ao sem sentido, do vivo ao inerte.

Parece-me que o pensamento não dialético que se constitui agora não põe em jogo a natureza ou a existência, mas isso que é o saber. Seu objeto próprio será o saber, de tal modo que esse pensamento esteja em posição segunda em relação ao conjunto, à rede geral dos nossos conhecimentos. Ele terá que se interrogar sobre a relação que pode haver, por um lado, entre os diferentes domínios do saber e, por outro lado, entre saber e não-saber.

Não se trata de uma empresa enciclopédica. Primeiramente, a Enciclopédia acumulava os conhecimentos e fazia sua justaposição. O pensamento atual deve definir isomorfismos entre os conhecimentos. Em segundo lugar, a Enciclopédia tinha por tarefa de expulsar o não-saber em benefício do saber, das luzes. A nós, temos a compreender positivamente a relação constante que existe entre o não-saber e o saber, porque um não suprime o outro; eles estão em relação constante, apoiam-se um no outro e podem ser compreendidos apenas um através do outro. É por isso que a filosofia passa atualmente por uma espécie de crise de austeridade.

É menos sedutor falar do saber e dos seus isomorfismos que da existência e o seu destino, menos consolador falar das relações entre saber e não-saber que falar da reconciliação do homem consigo mesmo numa iluminação total. Mas, depois de tudo, o papel da filosofia não é forçosamente o de adocicar a existência dos homens e prometerlhes algo como uma felicidade.

- Você fala de literatura. Em As Palavras e as Coisas, na margem da arqueologia das ciências humanas, mas no mesmo movimento de pensamento, você esboça, a propósito de Dom Quixote e Sade sobretudo, isso que poderia ser uma abordagem nova da história literária. Qual deveria ser esta abordagem?

- A literatura pertence à mesma trama que todas as outras formas culturais, a todas as outras manifestações do pensamento de uma época. Disso nós sabemos, mas o traduzimos comumente em termos de influências, de mentalidade coletiva, etc. Ora, creio que a maneira mesma de utilizar a linguagem numa cultura dada em um momento dado está ligada intimamente a todas as outras formas de pensamento.

Pode-se perfeitamente compreender em um só movimento a literatura clássica e a filosofia de Leibniz, a história natural de Lineu, e a gramática de Port-Royal. Parece-me da mesma maneira que a literatura atual faz parte desse mesmo pensamento não dialético que caracteriza a filosofia.

-Como assim?

- À partir de Igitur, a experiência de Mallarmé (que era contemporânea de Nietzsche) mostra bem como o jogo próprio e autônomo da linguagem vem se alojar precisamente onde o homem acaba de desaparecer. Depois, pode-se dizer que a literatura é o lugar onde o homem não cessa de desaparecer em proveito da linguagem. Onde "isso fala", o homem não existe mais.

Desse desaparecimento do homem em benefício da linguagem, obras tão diferentes como as de Robbe-Grillet e de Malcolm Lowry, de Borges e Blanchot o testemunham. Toda a literatura está em uma relação com a linguagem que é no fundo a que o pensamento mantém com o saber. A linguagem diz o saber não sabido da literatura.

- As Palavras e as Coisas é aberto com uma descrição de As Meninas de Vélasquez, que se apresenta como o exemplo perfeito da idéia de representação no pensamento clássico. Se você fosse escolher um quadro contemporâneo para ilustrar da mesma maneira o pensamento não dialético de hoje, qual você escolheria?

- Parece-me que é a pintura de Klee que representa melhor, em relação ao nosso século, o que pôde ser Vélasquez em relação ao seu. Na medida em que Klee faz aparecer em forma visível todos os gestos, atos, grafismos, vestígios, lineamentos, superfícies que podem constituir a pintura, ele faz o ato mesmo de pintar o saber manifesto e cintilante da própria pintura.

Sua pintura não é de arte bruta, mas uma pintura re-significada pelo saber aos seus elementos mais fundamentais. E estes elementos, aparentemente os mais simples e os mais espontâneos, os mesmos que não apareciam e que pareciam não dever jamais aparecer, são os que Klee espalha sobre a superfície do quadro. As Meninas representava todos os elementos da representação, o pintor, os modelos, o pincel, a tela, a imagem no espelho, elas decompunham a pintura mesma nos elementos que faziam uma representação.

Já a pintura de Klee compõe e decompõe a pintura nos seus elementos que, por serem simples, não são menos suportados, assombrados, habitados pelo saber da pintura.

14º salário de professores de rede pública pode ser votado na próxima semana


Em reunião na próxima terça-feira (8), com início às 10h, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) deverá analisar o projeto de lei que cria o décimo-quarto salário dos profissionais de educação básica da rede pública (PLS 319/08). Do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), a matéria tem como relator o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), autor de um texto substitutivo à proposta, que ainda será votada em decisão terminativa pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

O décimo-quarto salário seria vinculado à melhora dos resultados escolares. O texto autoriza a União, Distrito Federal, estados e municípios a conceder a bonificação anual aos profissionais da educação básica, lotados e em exercício nas escolas públicas de suas respectivas redes de ensino que elevarem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ou outro indicador que o suceda, em 50% ou obtiverem o respectivo índice mínimo de 6.

Garantia-Safra

Em caráter terminativo, a comissão analisará ainda projeto de lei do senador Jefferson Praia (PDT-AM) que estende o Benefício Garantia-Safra, destinado a agricultores familiares atingidos pelo fenômeno da estiagem, à área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A matéria (PLS 324/09) tem o voto favorável do relator da proposta, o senador Gérson Camata (PMDB-ES).

Também em caráter terminativo, será analisado projeto de lei que estabelece incentivo fiscal de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas a empresas que fizerem doações de materiais para uso em programas governamentais de habitação popular (PLS 25/06). De autoria da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), a matéria tem como relator o senador João Tenório (PSDB-AL), favorável à proposta.

O projeto que estabelece isenção de impostos federais quando da aquisição de veículos pelos governos dos estados, municípios e Distrito Federal, do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), também será analisado em caráter terminativo pela comissão. A proposta conta com voto favorável do relator, senador Valdir Raupp, que apresentou substitutivo ao projeto (PLS 347/09).

Ainda em caráter terminativo, será analisado projeto que concede incentivos fiscais a empresas privadas que contratarem trabalhadores de faixa etária a partir de 50 anos (PLS 220/00). Do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), a matéria tramita em conjunto com outros dois projetos que tratam do mesmo tema.

Sabatina

Na primeira parte da reunião, a CAE analisará a recondução de Vinícius Marques de Carvalho ao cargo de conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O relatório da matéria, de autoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), será apreciado em votação secreta.



Da Agência Senado

No Sertão da Paraíba: detento foge, se arrepende e volta para cadeia na cidade de Pombal

A Polícia do Sertão da Paraíba registrou um fato, no mínimo curioso, na noite da quarta-feira (2), quando um detento arrependido por fugir da cadeia decidiu voltar para a cela. O fato foi divulgado nesta sexta-feira (4).

De acordo com informações oficiais, Mário Soares da Rocha, mais conhecido como 'Mauro' ou 'Coroa', cumpria pena em uma cadeia pública instalada em Pombal e gozava do privilégio de ficar fora da cela para realização de serviços internos juntos com outros detentos.

O benefício havia sido concedido ao preso há cerca de uma semana. Porém, na última quarta-feira, ao se encontrar sozinho no pátio, o detento decidiu pular o muro e fugir.

A grande surpresa aconteceu no dia seguinte quando o fugitivo se apresentou espontâneamente à direção da cadeia para registrar que estava voltando para a cela por ter se arrependido da fuga.

O fugitivo foi conduzido de volta ao interior da casa de detenção onde vai cumprir o resto da pena atrás das grades.


Correio da Paraíba

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Hora do recreio: Paquera incerta

Comercial da Pepsi

Simone e Pablo Milanés - Yolanda (1992)


Simone e Pablo Milanés interpretam Yolanda, em 1992, na Espanha.

Um idoso na fila do Detran

"O senhor aqui é idoso", gritava a senhora para o guarda, no meio da confusão na porta do Detran da Avenida Presidente Vargas, apontando com o dedo o tal "senhor". Como ninguém protestasse, o policial abriu o caminho para que o velhinho enfim passasse à frente de todo mundo para buscar a sua carteira.

Olhei em volta e procurei com os olhos 0 velhinho, mas nada. De repente, percebi que o "idoso" que a dama solidária queria proteger do empurra-empurra não era outro senão eu.

Até hoje não me refiz do choque, eu que já tinha me acostumado a vários e traumáticos ritos de passagem para a maturidade: dos 40, quando em crise se entra pela primeira vez nos "entra"; dos 50, quando, deprimido, salte que jamais vai se fazer outros 50 (a gente acha que pode chegar aos 80, mas aos 100?); e dos 60, quando um eufemismo diz que a gente entrou na "terceira idade". Nunca passou pela minha cabeça que houvesse uma outra passagem, um outro marco, aos 65 anos. E, muito menos, nunca achei que viesse a ser chamado, tão cedo, de "idoso", ainda mais numa fila do Detran.

Na hora, tive vontade de pedir à tal senhora que falasse mais baixo. Na verdade, tive vontade mesmo foi de lhe dizer: "idoso é o senhor seu pai. O que mais irritava era a ausência total de hesitação ou dúvida. Como é que ela tinha tanta certeza? Que ousadia! Quem lhe garantia que eu tinha 65 anos, se nem pediu pra ver minha identidade? E 0 guarda paspalhão, por que não criou um caso, exigindo prova e documentos? Será que era tão evidente assim? Como além de idoso eu era um recém-operado, acabei aceitando ser colocado pela porta adentro. Mas confesso que furei a fila sonhando com a massa gritando, revoltada: "esse coroa tá furando a fila! Ele não é idoso! Manda ele lá pro fim!" Mas que nada, nem um pio.

O silêncio de aprovação aumentava o sentimento de que eu era ao mesmo tempo privilegiado e vítima — do tempo. Me lembrei da manhã em que acordei fazendo 60 anos: "Isso é uma sacanagem comigo", me disse, "eu não mereço." Há poucos dias, ao revelar minha idade, uma jovem universitária reagira assim: "Mas ninguém lhe dá isso." Respondi que, em matéria de idade, o triste é que ninguém precisa dar para você ter. De qualquer maneira, era um gentil consolo da linda jovem. Ali na porta do Detran, nem isso, nenhuma alma caridosa para me "dar" um pouco menos.

Subi e a mocinha da mesa de informações apontou para os balcões 15 e 16, onde havia um cartaz avisando: "Gestantes, deficientes físicos e pessoas idosas." Hesitei um pouco e ela, já impaciente, perguntou: "O senhor não tem mais de 65 anos? Não é idoso?"

— Não, sou gestante — tive vontade de responder, mas percebi que não carregava nenhum sinal aparente de que tinha amamentado ou estava prestes a amamentar alguém. Saí resmungando: "não tenho mais, tenho só 65 anos."

O ridículo, a partir de uma certa idade, é como você fica avaro em matéria de tempo: briga por causa de um mês, de um dia. "Você nasceu no dia 14, eu sou do dia 15", já ouvi essa discussão.

Enquanto espero ser chamado, vou tentando me lembrar quem me faz companhia nesse triste transe. Ai, se não me falha a memória — e essa é a segunda coisa que mais falha nessa idade —, me lembro que Fernando Henrique, Maluf e Chico Anysio estariam sentados ali comigo. Por associação de idéias, ou de idades, vou recordando também que só no jornalismo, entre companheiros de geração, há um respeitável time dos que não entram mais em fila do Detran, ou estão quase não entrando: Ziraldo, Dines, Gullar, Evandro Carlos, Milton Coelho, Janio de Freitas (Lemos, Cony, Barreto, Armando e Figueiró já andam de graça em ônibus há um bom tempo). Sei que devo estar cometendo injustiça com um ou com outro — de ano, meses ou dias —, e eles vão ficar bravos. Mas não perdem por esperar: é questão de tempo.

Ah, sim, onde é que eu estava mesmo? "No Detran", diz uma voz. Ah, sim. "E o atendimento?" Ah, sim, está mais civilizado, há mais ordem e limpeza. Mas mesmo sem entrar em fila passa-se um dia para renovar a carteira. Pelo menos alguma coisa se renova nessa idade.


Zuenir Ventura


Zuenir Carlos Ventura nasceu em 01/06/1931 na cidade de Além Paraíba (MG). Após várias mudanças, em 1950 fixa-se na cidade do Rio de Janeiro, ingressando na Faculdade Nacional de Filosofia, da ex-Universidade do Brasil, hoje UFRJ, onde recebe o diploma de bacharel e licenciado em Letras Neolatinas. Colunista do jornal "O Globo" e da revista "Época", é autor de "1968 - O ano que não terminou", foi o ganhador do Prêmio Jabuti - 1995 , na categoria reportagem. São, de sua lavra, "Cidade partida", "Mal secreto - Inveja", "O Acre de Chico Mendes", "Minhas histórias dos outros", "1968 - O ano que não terminou / O que fizemos de nós", dentre outros.


Este texto foi publicado no livro "Crônicas de um fim de século", Ed. Objetiva - Rio de Janeiro - 1999 - pág. 25; e extraído do livro "As cem melhores crônicas brasileiras", Ed. Objetiva - Rio de Janeiro - 2007 - pág. 265 - organização de introdução de Joaquim Ferreira dos Santos.

Desilusão


Como a folha no vento pelo espaço
Eu sinto o coração aqui no peito,
De ilusão e de sonho já desfeito,
A bater e a pulsar com embaraço.

Se é de dia, vou indo passo a passo
Se é de noite, me estendo sobre o leito,
Para o mal incurável não há jeito,
É sem cura que eu vejo o meu fracasso.

Do parnaso não vejo o belo monte,
Minha estrela brilhante no horizonte
Me negou o seu raio de esperança,

Tudo triste em meu ser se manifesta,
Nesta vida cansada só me resta
As saudades do tempo de criança.


Patativa do Asarré

(Mantida a grafia original)

Sino causa discórdia em Brasília




Fonte: uol
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Old Fashioned Way, Charles Aznavour


Charles Aznavour e o sucesso "Les Plaisirs Demodés", traduzida para o ingles como "Old Fashioned Way", em espetáculo realizado no "Carnegie Hall" de New York.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo.
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!


Florbela Espanca