quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023
terça-feira, 14 de fevereiro de 2023
(1949) Um Fato Curioso: "O ônibus corria a uma velocidade de 40 quilômetros horários pela estrada que liga a cidade Colatina à vila de Patrão Mor no interior do Estado do Espírito Santo. 11 passageiros desembarcaram numa pequena vila e ônibus prosseguiu viagem. Quinhentos metros adiante, foi atingido em cheio por uma árvore que se erguia à beira da estrada. O chofer e seu ajudante, além do susto, nada sofreram. Examinado o tronco da árvore, foi constatado que o mesmo não estava podre nem apresentava sinais de machado ou serra. O proprietário do terreno onde estava a árvore, doou-a ao chofer. Este vendeu-a por bom preço. A quantia deu para custear os reparos no veiculo."
Reportagem da Revista O Cruzeiro 30.04.1949 Ed. 0028 - Biblioteca Nacional
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
sábado, 11 de fevereiro de 2023
Álvaro de CAMPOS
Fernando PESSOA
in "Aniversário"
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino.
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa.
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
Essa imagem fala de solidão e rejeição pra você?
Pois é... no momento em que você toma a decisão de ter foco, decidir realmente o que você quer, se destacar seja de que forma for, você vai se ver assim como essa garota na foto. Quer saber o porque?
Vivemos numa sociedade cheia de castas e isso também se reflete na escola.
Mais de 90% das pessoas não sabem o que querem, estão confusas, indecisas e têm dificuldade de adotarem uma rota, lhes faltam um foco e quando elas veem alguém que tem e que está buscando ter hábitos e padrões de sucesso elas automaticamente a deixa de lado, se fecham em suas castas. Sabe o porque? Porque estando ao lado dessa pessoa expõe todas as desculpas e comodismo que tanto cultiva. Assim, parece-lhe ser mais cômodo fechar-se entre os iguais, cultivar turminha muito mais preocupada com a vida dos outros ou com a próxima série da Netflix.
O invejoso não quer subir o degrau para alcançar o outro no topo, o que seria o caminho mais óbvio e salutar. O invejoso quer que o outro desça de seu degrau para equiparar-se a ele, aqui embaixo.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
"Enquanto não possuía nada além da minha cama e dos meus livros, eu estava feliz. Agora eu possuo nove galinhas e um galo, e minha alma está perturbada. A propriedade me tornou cruel.
Sempre que comprava uma galinha amarrava-a dois dias a uma árvore, para impor a minha morada, destruindo em sua memória frágil o amor à sua antiga residência. Remendei a cerca do meu quintal, a fim de evitar a evasão dos meus pássaros, e a invasão de raposas de quatro e dois pés. Eu me isolei, fortifiquei a fronteira, tracei uma linha diabólica entre mim e meu vizinho. Dividi a humanidade em duas categorias; eu, dono das minhas galinhas, e os outros que podiam tirá-las de mim. Eu defini o crime. O mundo encheu-se para mim de alegados ladrões, e pela primeira vez eu lancei do outro lado da cerca um olhar hostil.
Meu galo era muito jovem. O galo do vizinho pulou a cerca e começou a corte das minhas galinhas e a amargar a existência do meu galo. Despedi o intruso a pedrada, mas eles pularam a cerca e avoaram na casa do vizinho. Eu reclamei os ovos e meu vizinho me odeia. Desde então vi a cara dele na cerca, o seu olhar inquisidor e hostil, idêntico ao meu. Suas galinhas passavam a cerca, e devoravam o milho molhado que consagrava aos meus. As galinhas dos outros me pareciam criminosas. Persegui-os e cego pela raiva matei um. O vizinho atribuiu grande importância ao atentado. Ele não aceitou uma indenização pecuniária. Retirou gravemente o corpo do seu frango, e em vez de comê-lo, mostrou-o aos seus amigos, o que começou a circular pela aldeia a lenda da minha brutalidade imperialista. Tive que reforçar a cerca, aumentar a vigilância, aumentar, em suma, meu orçamento de guerra. O vizinho tem um cão determinado a tudo; eu pretendo comprar uma arma.
Onde está minha antiga tranquilidade? Estou envenenado pela desconfiança e pelo ódio. O espírito do mal tomou conta de mim.
Eu era um homem.
Agora eu sou um dono."
("Galinhas", do anarquista Rafael Barrett, Paraguai, 1910.) Um relato exemplar para discutir as célebres frases de Rousseau ou Hobbes.
Jean Jacques Rousseau, “O primeiro homem que, havendo cercado um pedaço de terra, disse “isso é meu”, e encontrou pessoas tolas o suficiente para acreditarem nas suas palavras, este homem foi o verdadeiro fundador da sociedade civil", em Do Contrato Social (1762).
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
Assinar:
Postagens (Atom)
























