sábado, 10 de outubro de 2020

 


Resposta a cavalgadura


Deputado oito vezes, o general gaúcho Flores da Cunha era muito culto e, grande tribuno, tinha uma admirada rapidez de raciocínio.

Certa vez, discursava na Câmara presidida por Ulysses Guimarães, e tentava ignorar os pedidos de aparte de um deputado do baixo clero, que gritava: “V. Exa. foge ao debate! É incoerente! Dá uma no cravo, outra na ferradura!” 

Flores da Cunha se impacientou e demoliu o provocador: “V. Exa. é o culpado! Por que se mexe tanto? Assim não posso ferrá-lo…” 

O plenário desabou em demorada gargalhada.
 

TV da Alemanha mostrou elefantes ao falar das queimadas no Brasil


A fotografia exibida na matéria sobre as queimadas no Brasil foi tirada em Botsuana, na África, em 2013.

A emissora N-TV, da Alemanha, exibiu imagens de elefantes — animal que não faz parte da fauna do Brasil — em reportagem sobre as queimadas no Brasil.


O caso aconteceu em 2019, mas as imagens dos elefantes na tv alemã voltaram a circular neste ano em meio aos ruídos envolvendo os incêndios florestais no país.

A emissora diz que, de fato, exibiu a referida reportagem, mas que, constatada a falha, a retirou do ar.

“Infelizmente, foi um erro, cometido em 2019. Ela foi removida no ano passado e a falsa imagem no contexto desta reportagem não pode mais ser encontrada”, diz a N-TV, em contato com agências de checagem de fatos.

A fotografia dos elefantes exibida na matéria foi tirada por Charmaine Noronha, fotógrafa da agência Associated Press (AP), em Botsuana, na África, em 2013.
 
 
TARCISO MORAIS - RenovaMídia

 



O que o poeta faz é mais do que dar nome às coisas.
O que ele faz é converter as coisas em aparência pura.
O que o poeta faz é iluminar as coisas.

Mia Couto

Foto Alisa Aslanova

 


O brasileiro tem cada uma...

 


 


Natureza

 







 



sexta-feira, 9 de outubro de 2020

 


Pobre velha música


Pobre velha música!
Não sei porque agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.

Recordo outro ouvir-te.
Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.

Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.

 

Fernando Pessoa

 

Lágrimas ocultas


"Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê brotar dentro de mim!"

Florbela Espanca (in "Antologia Poética") Livro de Mágoas

Pintura: Daniel Gerhartz

 


Eu não vou por os fundamentos da minha fé em pequenos deuses que podem ser destruídos em uma era atômica, mas em um Deus que tem sido nosso socorro desde as eras passadas, e nossa esperança para os anos que virão, e nosso abrigo no tempo da tempestade, e nosso eterno lar. Este é o Deus em quem eu estou colocando o fundamento da minha fé. Este é o Deus que eu rogo a vocês para adorarem nesta manhã.


Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir. Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço. Meu maior medo é escrever para não pensar.


(trecho de Pais e filhos maridos e esposas II)

 



Eu tenho em mim um punhado de sementes; emoções sentidas; despedidas; reencontros; redemoinhos de sonhos e medos medonhos.

- Um dia vou reflorestar minh`alma!

Teófilo Júnior


Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim: um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “ladrões, ladrões, malditos ladrões!” Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Kahlil Gibran

quinta-feira, 8 de outubro de 2020


A nota que se obtém numa prova ou num concurso público é uma inverdade. Aquilo que um aluno produz numa prova não mede seu conhecimento nem tampouco revela o que ele pensar.

 


À noite


O silêncio é teu gêmeo no Infinito.
Quem te conhece, sabe não buscar.
Morte visível, vens dessedentar
O vago mundo, o mundo estreito e aflito.

Se os teus abismos constelados fito,
Não sei quem sou ou qual o fim a dar
A tanta dor, a tanta ânsia par
Do sonho, e a tanto incerto em que medito.

Que vislumbre escondido de melhorei
Dias ou horas no teu campo cabe?
Véu nupcial do fim de fins e dores.

Nem sei a angústia que vens consolar-me.
Deixa que eu durma, deixa que eu acabe
E que a luz nunca venha despertar-me!

Fernando Pessoa