sexta-feira, 27 de março de 2020
quarta-feira, 25 de março de 2020
Roter Franz: a impressionante múmia ruiva que teve a causa de sua morte descoberta após 1.600 anos
A reconstrução de seu rosto, feita em cera, e o atual estado da múmia - Divulgação
Encontrada no pântano Bourtanger, na fronteira da Alemanha com a
Holanda, em 1900, a múmia foi intensamente estudada nos últimos 120 anos
Encontrada em 1900 no pântano de Bourtanger, localizado na fronteira
da Alemanha com a Holanda, a múmia de Roter Franz impressiona por suas
características acentuadas que permaneceram ao longo dos anos com sua
mumificação, porém, uma das múmias mais bonitas já vistas foi conservada
pelo acaso.
Com a análise feita na época que foi descoberta por
arqueólogos da Alemanha, Roter Franz é uma múmia de um homem jovem, que
foi popularmente apelidada de “Neu Versen Man”, devido a sua cor da
barba, cabelo e sobrancelhas que se mantiveram rígidos e com a cor
vermelha devido a reação dos ácidos presentes no local.
A equipe
que o analisou chegou a conclusão de que o homem viveu entre 220 e 430
d.C., quando teria aproximadamente 30 anos de idade. Além da datação,
foi possível chega a conclusão de que o cadáver, originalmente, possuía
cabelos loiros. Porém, as principais descobertas foram notadas no estudo
ao longo de seu corpo.
Sinais de cortes profundos na garganta permaneceram visíveis nos
tecidos moles mumificados, além de uma clavícula quebrada e um machucado
no braço, que acreditam ser de uma flechada ou golpe com lança. Pelo
local, uma das hipóteses passa seu assassinato seria um sacrifício
humano, porém, pouco provável pelo fato do corpo ter sido encontrado
deitado.
Pelo molde de deformação em suas coxas e virilha, a
equipe observou que a musculatura de suas pernas se assemelha a de
pessoas que passaram longos períodos montados em um cavalo, levando a
conclusão de que o homem era um experiente jóquei. Sua altura, de
aproximadamente 1,85m em vida, levanta a hipótese de que foi um membro
da cavalaria das Legiões Romanas.
A possibilidade mais plausível sobre a situação que o levou a morte
foi um ataque de latrocínio, um roubo seguido de morte, visto que, além
da violência, o corpo não continha bens materiais e nem vestia roupas
quando encontrada. O pântano, entretanto, foi o elemento-chave para
manter a memória viva.
Sua conservação aconteceu acidentalmente,
sendo enterrada pelos próprios movimentos pantanosos. Além disso, a
acidez do solo e a ausência de oxigênio presentes nos pântanos do norte
da Europa puderam retardar o processo de putrefação. Esta hipótese foi
concluída em 1957, após encontrar diferentes tipos de pólen nos tecidos
da múmia.
Wallacy Ferrari
Aventuras na História
Fonte aqui
Pintura: Edouard Debat Ponsan, (1847-1913), "A verdade saindo do poço"
Conta a lenda, que um dia a Verdade e a Mentira se cruzaram.
- Bom dia. Disse a Mentira.
- Bom dia. Respondeu a Verdade.
- Lindo dia. Disse a Mentira.
Então a Verdade se espreitou para ver se era verdade. Era, sim.
- Lindo dia. Disse então a Verdade.
- Ainda mais bonito está o lago. Disse a Mentira.
Então a Verdade olhou para o lago e viu que a Mentira dizia a verdade e acenou.
Correu a Mentira para a água e disse...
- A água está ainda mais linda. Nademos.
A Verdade tocou na água com seus dedos e realmente estava linda e confiou na Mentira.
Ambas tiraram as roupas e nadaram tranquilas.
Um pouco depois saiu a Mentira, vestiu-se com as roupas da Verdade e foi embora.
A Verdade, incapaz de se vestir com as roupas da Mentira começou a caminhar sem roupa e todos se horrorizavam ao vê-la, desviando o olhar com desprezo e raiva.
Sem saber o que fazer, escondeu-se num poço.
Desde então, a Mentira viaja ao redor do mundo, vestida como a Verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque, em todo caso, o mundo não nutre nenhum desejo de encontrar a Verdade nua.
Um dia a Verdade sairá do poço para fustigar os mentirosos.
terça-feira, 24 de março de 2020
segunda-feira, 23 de março de 2020
"Não direi: Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi: Que nem sequer o esforço de as dizer merecem, Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais boiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo."
Zé Saramago
domingo, 22 de março de 2020
"Há muitos anos, um aluno perguntou à antropóloga Margaret Mead o que
ela considerava ser o primeiro sinal de civilização numa cultura.
O aluno esperava que Mead falasse a respeito de anzóis, panelas de barro ou pedras de amolar.
Mas não. Mead disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura
antiga era um fêmur (osso da coxa) quebrado e cicatrizado. Mead explicou
que no reino animal, se você quebrar a perna, morre. Você não pode
correr do perigo, ir até o rio para beber
água ou caçar comida. Você é carne fresca para os predadores. Nenhum
animal sobrevive a uma perna quebrada por tempo suficiente para o osso
sarar.
Um fêmur quebrado
que cicatrizou é evidência de que alguém teve tempo para ficar com
aquele que caiu, tratou da ferida, levou a pessoa à segurança e cuidou
dela até que se recuperasse. “Ajudar alguém durante a dificuldade é onde
a civilização começa” disse Mead.
Estamos no nosso melhor quando servimos aos outros. Sejamos civilizados neste período, mesmo não fazendo parte do grupo de risco."
Autor desconhecido
Estamos no nosso melhor quando servimos aos outros. Sejamos civilizados neste período, mesmo não fazendo parte do grupo de risco."
Autor desconhecido
Estava a chover torrencialmente quando alcançou a rua, Melhor assim,
pensou, ofegando, com as pernas a tremer, vai sentir-se menos o cheiro,
Alguém tinha deitado mão ao último farrapo que mal tapava da cintura
para cima, agora ia de peitos descobertos, por eles lustradamente ,
palavra fina, lhes escorria água do céu, não era a liberdade guiando o
povo, os sacos, felizmente cheios, pesam demasiado para os levar
levantados como uma bandeira. Tem isto o seu inconveniente, já
que as excitantes fragâncias vão viajando à altura do nariz dos cães,
como podiam eles faltar, agora que os donos se cuidem e alimentem, é
quase uma matilha que segue a mulher do médico, oxalá um destes bichos
não se lembre de adiantar o dente para experimentar a resistência do
plástico. Com uma chuva destas, que pouco lhe falta para dilúvio, seria
de esperar que as pessoas estivessem recolhidas, à espera de que o tempo
estiasse. Não é bem assim, porém por toda a parte há cegos de boca
aberta para as alturas, matando a sede, armazenando água em todos os
recantos do corpo, e outros cegos, mais previdentes, e sobretudo mais
sensatos, sustentam na mão baldes, tachos e panelas, e levantam-nos ao
céu generoso, é bem certo que Deus dá a nuvem conforme a sede. Não tinha
ocorrido à mulher do médico a possibilidade de que das torneiras das
casas poderia não estar a sair uma gota do precioso líquido, é o defeito
da civilização, habituamo-nos à comodidade da água encarnada, posta ao
domicílio, e esquecemo-nos de que para que tal suceda tem de haver
pessoas que abram e fechem a válvula de distribuição, estações de
elevação que necessitam de energia elétrica, computadores para regular
débitos e administrar reservas, e para tudo nos faltam os olhos.
José Saramago
"Ensaio Sobre a cegueira"
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