A vida é como a música. Deve ser composta de ouvido, com sensibilidade e intuição, nunca por normas rígidas.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
Jovem preso por falsificação paga a própria fiança com notas falsas e é preso novamente
Santa Catarina - Um jovem, que já havia sido detido
por usar dinheiro falso, foi novamente preso, nesta quarta-feira, por
pagar a própria fiança com notas falsas. As informações são do portal
OCP News, de Santa Catarina, onde o crime ocorreu.
O homem, de 23 anos, pagou sua fiança após ser
encaminhado a uma audiência de custódia, por usar notas falsificadas
para comprar produtos em um parque aquático. Apenas quando o cartório
foi depositar a quantia em sua conta judicial, contudo, descobriu-se que
as notas usadas para pagar sua fiança também eram falsas.
Com isso, o Setor de Investigação Criminal (SIC) foi acionado para localizar o homem e foi decretada sua prisão preventiva.
Marcello Casal / Agencia Brasil
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
IG | @decifrandoastronomia
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
A história nada romântica por trás do beijo no fim da Segunda Guerra
Reproduzida como símbolo de amor e esperança, a verdadeira narrativa da cena é, no mínimo, decepcionante
Era 14 de agosto nos Estados Unidos quando multidões foram às ruas –
bem mais efusivamente do que em maio, no caso dos Estados Unidos, assim
como na China, Coreia e Austrália, inimigos mais afetados pelo Japão. Nesse dia, a célebre foto reproduzida acima foi tirada pelo fotógrafo Alfred Eisenstaedt na Times Square, em Nova York.
É certo que isso vai estragar muito de seu encanto, mas a história real da fotografia não é exatamente romântica.
O fervor na Times Square
Indo imediatamente para as ruas, Alfred Eisenstaedt começou a
fotografar a felicidade das pessoas com o fim da guerra. Foi então que
ele avistou o marinheiro George Mendonça, que comemorava com Rita, sua
namorada e futura esposa. Acontece que George estava completamente
bêbado, agarrando e beijando todas as mulheres que via: não importava se
eram avós, robustas, magras ou desconhecidas.
"Nenhuma das fotos
possíveis me agradou. Então, de repente, vi algo branco sendo
agarrado. Eu me virei e cliquei no momento em que o marinheiro beijou a
enfermeira", afirmou Eisenstaedt, fotógrafo responsável pela fotografia,
em entrevista posterior.
Portanto, ao invés de retratar um casal apaixonado, a cena reproduz
um dos muitos beijos roubados que homens deram em enfermeiras naquele
dia. O fotógrafo registrou o momento exato em que George pulou sobre a
enfermeira Greta Friedman para beijá-la.
“De repente, eu fui agarrada pelo marinheiro. Não era exatamente um beijo”,
afirmou Greta em 2005, numa entrevista para o Veterans History Project.
“Senti que ele era muito forte, e estava me segurando firme. Não tenho
certeza sobre o beijo... era só alguém celebrando. Não era um evento
romântico.”
Em uma das quatro fotos tiradas por Eisenstaedt, é
possível ver Rita Mendonça sorrindo ao fundo. Despreocupada, ela parecia
não se importar muito com a loucura do namorado, se atentando mais em
celebrar o fim da Guerra.
Segundo a filha dos Mendonsa, Sharon Molleur, o marinheiro morreu no dia
17 de fevereiro de 2019, após uma queda em uma casa de repouso em Rhode
Island, EUA. Ele tinha 95 anos. Já Greta faleceu em 2016, aos 92 anos
de idade.
Simone Bitar
Aventuras na História
domingo, 23 de fevereiro de 2020
Ser Gagá
Ser Gagá não é viver apenas nos idos do passado: é muito mais! É
saber que todos os amigos já morreram e os que teimam em viver,
são entrevados. É sorrir, interminavelmente, não por necessidade
interior, mas porque a boca não fecha ou a dentadura é maior do
que a arcada.
Ser Gagá é
ficar pensando o dia inteiro em como seria bom ter trinta anos
ou, vá lá, quarenta, ou mesmo, ó Deus, sessenta! É ficar olhando
os brotinhos que passeiam, com o olhar esclerosado, numa inútil
esperança. É ficar aposentado o dia inteiro, olhando no vazio,
pensando em morrer logo, e sair subitamente, andando a meia hora
que o separa dos cem metros da esquina, porque é preciso
resistir. É dobrar o jornal encabulado, quando chega alguém
jovem da família, mas ficar olhando, de soslaio, para os íntimos
da coluna funerária. Ser Gagá é saber todos os mortos inscritos
no Time, em Milestones. Não é saber o Who is
who, mas os WHEN. É só pensar em comer, como na
infância. E em certo dia passar fome as vinte e quatro horas, só
de melancolia. É, na hora mais ativa do mais veloz Bang-Bang,
descobrir, lá no terceiro plano, uni ator antigo, do cinema
mudo, e sentir no peito a punhalada. É surpreender, subitamente,
um olhar irônico que trocam dois brotinhos, que, no entanto, o
ouvem seriamente. É querer aderir à bossa nova, falar “Sossega
Leão” e morrer de vergonha ao perceber o fora. É não querer, não
querer, mas cada dia ficar mais necessitado de amparo do que
outrora. É ter estado em Paris, em 19. É descobrir, de repente,
um buraco na roupa e dar graças a Deus, por ser na roupa.
Ser Gagá é
sentir plenamente que tudo que se leu, que se aprendeu, que se
viu e se viveu não vale nada diante do que estua. Ser Gagá é
estar sempre na iminência de ouvir em plena rua: “Olha o
tarado!” É ficar contente em ver Chaplin e Picasso como os “mais
charmosos” de sessenta! É chamar de menina à quarentona. É ter
uma esperança senil nos cientistas. É reparar, nos mais jovens,
o imperceptível sinal de decadência. É ficar olhando o detalhe,
nos amigos; a lentigem nas mãos, o cabelo que afina, a pele que
vai desidratando. Ser Gagá é o orgulho vão de ainda ter cabelo e
poucos brancos! A vaidade tola de não ter barriga; a felicidade
de ter dentes próprios. E fazer grandes planos quinquenais que
espantam os jovens que acham cinco anos a própria eternidade,
mas que o Gagá sabe que voam como voaram tantos, tantos, tantos.
É se apegar,
desesperadamente, pelo tremendo impulso da existência, aos
filhos, aos netos e aos bisnetos, embora saiba que eles não o
querem, que a convivência com eles é apenas parte e total do
egoísmo vital que o enterra. É sentir que agora, outra vez, está
bem de saúde. É sentir a saúde ocasional. É carregar o corpo o
tempo todo. É sentir o caixão no próprio corpo. É saber que já
não há quem tenha prazer em lhe acarinhar a pele. É já não ter
prazer em passar a mão na própria pele. É esquecer de coisas
importantes e lembrar, sem saber por que, um gosto, um calor,
uma palavra há tempos esquecidos.
Ser Gagá é
procurar com afã a importância do cargo para de novo ser
solicitado, embora pelo cargo. É sentir que nada do que faça,
espantoso que seja, terá a importância do feito de outro homem,
nos inícios da vida. Ser Gagá é quando dormir tarde se torna uma
loucura, resgatada em feroz resfriado que dura uma semana. É ter
sabido francês, e esquecido. É já não jogar xadrez como outrora!
É olhar o retrato amarelado e lembrar que fotógrafo usava
magnésio. É dizer, como um feito, que ainda lê sem óculos. É
ouvir que alguém diz, quando passa na rua: “inda está firme!” É
ficar galante e baboseiro na terceira taça de champanha. É casar
com uma mulher mais jovem e querer dar logo ao mundo a inegável
prova de um filhinho.
Ser Gagá é, num
esforço mortal, aceitar tudo que inventam, todas as ideias, as
modas, a música, o ritmo de vida, mas não deixar de dizer numa
ironia profunda e amargurada. “Eu não entendo”. É sentir de
repente o isolamento. É ficar egoísta, e amedrontado. É não ter
vez e nem misericórdia.
Ser Gagá é
fogo. Ou melhor, é muito frio.
Millôr Fernandes
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