segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
Versiculo do dia
Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do
princípio ao fim é pela fé, como está escrito: "O justo viverá pela fé".
Mulher beija réu que tentou matá-la com 5 tiros em 2019; caso aconteceu no julgamento do acusado
Vítima beija réu que tentou matá-la com 5 tiros
Uma mulher que foi vítima de tentativa de feminicídio em 2019
acompanhava o julgamento do acusado e surpreendeu a todos os presente
após levantar-se e beijar o homem que atirou contra ela por cinco vezes.
O caso aconteceu no Rio Grande do Sul, na última terça.
Micheli Schlosser, 25 anos, na época, namorada de Lisandro Rafael
Posselt, 28 anos, ainda pediu permissão ao juíz para abraçar e beijar o
acusado, e mesmo com o pedido negado, Micheli trocou carinhos com o
acusado.
A vítima ainda declarou que tudo aconteceu porque provocou o réu. “Ele nunca tinha me agredido, sempre foi muito bom para mim e já pagou pelo erro dele”, alegou. Michele informou também que tudo aconteceu porque a própria provocou o réu.
De acordo com o site Folha do Mate, o réu cumpre prisão na Penitenciária
Estadual de Venâncio Aires, é apontado com o autor dos cinco tiros
contra ela, no centro de Venâncio Aires, em setembro de 2019.
O réu pediu uma nova chance aos jurados e referiu que não quer voltar para ‘aquele inferno’. Sua defesa alegou que a vítima é a mais interessada no julgamento e ela já perdoou o réu.
Extra
Arribaçã Editora faz doação de livros publicados à Biblioteca de Cajazeiras
A Arribaçã Editora fez a doação de um exemplar de cada livro publicado até o final do ano passado. No total, 13 obras, nos mais diversos gêneros literários, foram entregues pelos editores Lenilson Oliveira e Linaldo Guedes
à diretora da Biblioteca Pública Municipal Castro Pinto, Francisca
Vieira Rolim, ao bibliotecário Marcos José Guedes Feitosa e ao agente
administrativo Alberto Dias na manhã desta quinta-feira (30).
As obras entregues foram: Acendedor de relâmpagos – Políbio Alves, A doida paixão de um doido – Geraldo Bernardo, Antes de ser blues – Fidélia Cassandra, Travessuras do desejo em Grande Sertão: Veredas – Paulo Tarso Cabral de Medeiros, Sinais – Emília Guerra, Nenhum espelho reflete seu rosto – Rosângela Vieira Rocha, Antônio Joaquim do Couto Cartaxo – Francisco Sales Cartaxo Rolim, O Mistério no Galinheiro – Naldinho Braga, Ruas de Sal e outros poemas – Bartolomeu Oliveira, Os baobás do Pirulito – Veruza Guedes, Identidade e Realidade: artigos e crônicas – Dermival Moreira dos Anjos, Cajazeiras, uma aldeia poética – Irismar di Lyra e Murilo Mendes: do pretexto plástico à verdade plástica – Maria Bernardete da Nóbrega.
Criada pelos jornalistas e poetas Lenilson Oliveira e Linaldo Guedes,
a Arribaçã Editora tem suas raízes fincadas no Alto Sertão da Paraíba,
mais especificamente em Cajazeiras. A editora trabalha com obras
literárias, acadêmicas, biografias, entre outras. Criada no segundo
semestre de 2018, já publicou 13 livros e tem mais três no prelo.
Contatos podem ser feitos na página da editora no Facebook, Twitter e
Instagram ou pelo email: arribacaeditora@gmail.com .
ClickCZ
domingo, 2 de fevereiro de 2020
Humor
Português caçador
O Joaquim estava caçando perto de um morro no Rio de Janeiro.
Logo, ele avista um sujeito voando de asa-delta. Ele aponta a espingarda e manda dois tiros.
Fica observando um pouco e diz para o companheiro de caçada:
- Oh Manoel, não sei se matei o pássaro, mas que ele largou o homem, largou!
Logo, ele avista um sujeito voando de asa-delta. Ele aponta a espingarda e manda dois tiros.
Fica observando um pouco e diz para o companheiro de caçada:
- Oh Manoel, não sei se matei o pássaro, mas que ele largou o homem, largou!
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Humor
O rapaz vai passar por uma delicada cirurgia e o médico tenta tranquilizá-lo:
– Não tenha medo, companheiro. Sou muito experiente nessa área. Olhe bem para minha longa barba e tenha confiança. Quando você voltar da anestesia, conversaremos.
Após a cirurgia, o rapaz abre os olhos e depara com uma enorme barba. Não se contendo de alegria, ele exclama:
– Obrigado, doutor! Eu sabia que podia confiar no senhor!
– Que doutor nada, homem! Eu sou São Pedro!
– Não tenha medo, companheiro. Sou muito experiente nessa área. Olhe bem para minha longa barba e tenha confiança. Quando você voltar da anestesia, conversaremos.
Após a cirurgia, o rapaz abre os olhos e depara com uma enorme barba. Não se contendo de alegria, ele exclama:
– Obrigado, doutor! Eu sabia que podia confiar no senhor!
– Que doutor nada, homem! Eu sou São Pedro!
Presente para a Senhora
Percorro as listas de presentes possíveis para o Dia das Mães, e sinto a
dificuldade do problema. Tanta coisa! Até parece que a mamãe, coitada,
não tem objeto algum em casa, desprovida de geladeira, armários, lenços,
liquidificador, porta-notas, tigelas de cerâmica, fogão, secador de
cabelo, batas...
Não, mamãe tem geladeira sim, claro que tem. Não é desse eletrodoméstico fundamental que saem os refrigerantes, os cremes, as coisas gostosas que ela reservou para o paladar do filhinho? O filhinho hoje é executivo, mas sempre que vai visitar mamãe, sabe que ela guardou para ele um sorvete especial na caverna do congelador. É, mas a geladeira deve ter envelhecido mais depressa que mamãe. Não tem esses babados modelo 75, sugerido para presente a mães classe A.
- Filhinho, que exagero!
- Que nada, mãe, a senhora merece muito mais.
- Você devia ter deixado seu pai fazer esta despesa.
- Papai lhe deu um carro novo, não deu? Vi na calçada.
- Não. O carro eu ganhei do seu irmão Tavinho, que esteve aqui agora mesmo para me entregar as chaves.
- E papai, nada?
- Bom, seu pai me deu... O que foi mesmo que seu pai me deu? Ando com a cabeça tão distraída. Ah, sim, uma lancha de passeio.
- Se ele deu a lancha, não ia dar a geladeira.
- Ora, você sabe que seu pai vai casar com aquela loura de São Paulo, e tem procurado ser gentil comigo de todas as maneiras, enquanto não chega o divórcio.
O filhinho sai de queixo triste. Dera o presente mais insignificante. Ano que vem terá mais cuidado, consultará mais atentamente o rol de regalos. Dia das Mães provoca frustrações assim.
Se pensam que nas classes B e C a coisa é fácil, enganam-se. Pior. Mamãe ganhou tantos pares de meia que dava para abrir uma casa-olga. Precisava ter recebido um ou dois pares de sapatos para usar aquele monte de meias, mas filho não sabe nunca o número do pé de mamãe. A nora, chamada a opinar, vai dizendo, de cabeça leve: 40. Ou 35. A mãe calça 37. Vai trocar na loja, a loja tem 37 daquele modelo? Pois sim. O excesso converte-se em carência. Poucas mães conseguem o presente exato. A coleção de talcos que mamãe guardou no armário do banheiro, no armário do quarto e na mala, para dar de presente às amigas que fazem anos, tem origem no segundo domingo de maio. Mas o talco de sua predileção, esse ela tem de comprar na drogaria distante.
- Posso escolher meu presente do Dia das Mães, meu fofinho?
- Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora vai ver. Compro um barato.
- Barato? Admito que você compre uma lembrancinha barata , mas não diga isso a sua mãe. É fazer pouco de mim.
- Ih, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não sabe que barato é o melhor que tem, é um barato!
- Deixe eu escolher, deixe...
- Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado que a senhora me deu no Natal!
- Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe lhe deu um blazer furado?
- Viu? Não sabe nem o que é furado. Aquela cor já era, mãe, já era!
Pelo visto, todos damos presentes errados: os filhos às mães, as mães aos filhos. Maridos, namorados, idem. Sábia foi Dona Lucrécia que chamou os cinco filhos e comunicou-lhes:
- Não precisam tomar trabalho comigo. Nem fazer despesa. Fico muito grata a vocês pela intenção. Basta cada um me trazer um pacotinho de paz, ouviram?
- Onde a gente arranja isso, mãe?
- Sei lá. O melhor é não procurar muito. Tragam pacotinhos vazios. A paz deve estar lá dentro.
Não, mamãe tem geladeira sim, claro que tem. Não é desse eletrodoméstico fundamental que saem os refrigerantes, os cremes, as coisas gostosas que ela reservou para o paladar do filhinho? O filhinho hoje é executivo, mas sempre que vai visitar mamãe, sabe que ela guardou para ele um sorvete especial na caverna do congelador. É, mas a geladeira deve ter envelhecido mais depressa que mamãe. Não tem esses babados modelo 75, sugerido para presente a mães classe A.
- Filhinho, que exagero!
- Que nada, mãe, a senhora merece muito mais.
- Você devia ter deixado seu pai fazer esta despesa.
- Papai lhe deu um carro novo, não deu? Vi na calçada.
- Não. O carro eu ganhei do seu irmão Tavinho, que esteve aqui agora mesmo para me entregar as chaves.
- E papai, nada?
- Bom, seu pai me deu... O que foi mesmo que seu pai me deu? Ando com a cabeça tão distraída. Ah, sim, uma lancha de passeio.
- Se ele deu a lancha, não ia dar a geladeira.
- Ora, você sabe que seu pai vai casar com aquela loura de São Paulo, e tem procurado ser gentil comigo de todas as maneiras, enquanto não chega o divórcio.
O filhinho sai de queixo triste. Dera o presente mais insignificante. Ano que vem terá mais cuidado, consultará mais atentamente o rol de regalos. Dia das Mães provoca frustrações assim.
Se pensam que nas classes B e C a coisa é fácil, enganam-se. Pior. Mamãe ganhou tantos pares de meia que dava para abrir uma casa-olga. Precisava ter recebido um ou dois pares de sapatos para usar aquele monte de meias, mas filho não sabe nunca o número do pé de mamãe. A nora, chamada a opinar, vai dizendo, de cabeça leve: 40. Ou 35. A mãe calça 37. Vai trocar na loja, a loja tem 37 daquele modelo? Pois sim. O excesso converte-se em carência. Poucas mães conseguem o presente exato. A coleção de talcos que mamãe guardou no armário do banheiro, no armário do quarto e na mala, para dar de presente às amigas que fazem anos, tem origem no segundo domingo de maio. Mas o talco de sua predileção, esse ela tem de comprar na drogaria distante.
- Posso escolher meu presente do Dia das Mães, meu fofinho?
- Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora vai ver. Compro um barato.
- Barato? Admito que você compre uma lembrancinha barata , mas não diga isso a sua mãe. É fazer pouco de mim.
- Ih, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não sabe que barato é o melhor que tem, é um barato!
- Deixe eu escolher, deixe...
- Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado que a senhora me deu no Natal!
- Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe lhe deu um blazer furado?
- Viu? Não sabe nem o que é furado. Aquela cor já era, mãe, já era!
Pelo visto, todos damos presentes errados: os filhos às mães, as mães aos filhos. Maridos, namorados, idem. Sábia foi Dona Lucrécia que chamou os cinco filhos e comunicou-lhes:
- Não precisam tomar trabalho comigo. Nem fazer despesa. Fico muito grata a vocês pela intenção. Basta cada um me trazer um pacotinho de paz, ouviram?
- Onde a gente arranja isso, mãe?
- Sei lá. O melhor é não procurar muito. Tragam pacotinhos vazios. A paz deve estar lá dentro.
Carlos Drummond de Andrade
O gramático
Alto, magro, com os bigodes grisalhos a desabar, como ervas
selvagens pela face de um abismo, sobre os cantos da funda boca
munida de maus dentes, o professor Arduíno Gonçalves era um
desses homens absorvidos completamente pela gramática. Almoçando
gramática, jantando gramática, ceando gramática, o mundo não
passava, aos seus olhos, de um enorme compêndio gramatical,
absurdo que êle justificava repetindo a famosa frase do Evangelho
de João:
— No princípio era o VERBO!
Encapado pela gramática, e às voltas, de manhã à noite, com os pronomes, com os adjetivos, com as raízes, com o complicado arsenal que transforma em um mistério a simplicíssima arte de escrever, o ilustre educador não consagrava uma hora sequer às coisas do seu lar. Moça e linda, a esposa pedia-lhe, às vezes, sacudindo-lhe a caspa do paletó esverdeado pelo tempo:
— Arduíno, põe essa gramatiquice de lado. Presta atenção aos teus filhos, à tua casa, à tua mulher! Isso não te põe para diante!
Curvado sobre a grande mesa carregada de livros, o cabelo sem trato a cair, como falripas de aniagem, sobre as orelhas e a cobrir o colarinho da camisa, o notável professor retirava dos ombros a mão cariciosa da mulher, e pedia-lhe, indicando a estante:
— Dá-me dali o Adolfo Coelho.
Ou:
— Apanha, aí, nessa prateleira, o Gonçalves Viana.
Desprezada por esse modo, Dona Ninita não suportou mais o seu destino: deixou o marido com as suas gramáticas, com os seus dicionários, com os seus volumes ponteados de traça, e começou a gozar a vida passeando, dançando e, sobretudo, palestrando com o seu primo Gaudêncio de Miranda, rapaz que não conhecia O padre Antônio Vieira, o João de Barros, o frei Luís de Sousa, o Camões, o padre Manuel Bernardes, mas que sabia, como ninguém, fazer sorrir as mulheres.
— Êle não prefere, a mim, aquela porção de alfarrábios que o rodeiam? Então, que se fique com eles!
E passou a adorar o Gaudêncio, que a encantava com a sua palestra, com o seu bom-humor, com as suas gaiatices, nas quais não figuravam, jamais, nem Garcia de Rezende, nem Gomes Eanes de Azurara, nem Rui de Pina, nem Gil Vicente, nem, mesmo, apesar do seu mundanismo, D. Francisco Manuel de Melo.
Assim viviam, o professor, com seus puristas e Dona Ninita com o seu primo, quando, de regresso, um dia, ao lar, o desventurado gramático surpreendeu a mulher nos braços musculosos, mas sem estilo, de Gaudência de Mianda. Ao abrir0se a porta, os dois culpados empalideceram, horrorizados. E foi com o pavor no coração que o rapaz se atirou aos pés do espôso traído, pedindo súplice, de joelho:
— Me perdôe, professor!
Grave, austero, sereno, duas rugas profundas sulcando a testa ampla, o ilustre educador encarou o patife, trovejando, indignado:
— Corrija o pronome, miserável! Corrija o pronome!
E, entrando no gabinete, começou, cantarolando, a manusear os seus clássicos...
— No princípio era o VERBO!
Encapado pela gramática, e às voltas, de manhã à noite, com os pronomes, com os adjetivos, com as raízes, com o complicado arsenal que transforma em um mistério a simplicíssima arte de escrever, o ilustre educador não consagrava uma hora sequer às coisas do seu lar. Moça e linda, a esposa pedia-lhe, às vezes, sacudindo-lhe a caspa do paletó esverdeado pelo tempo:
— Arduíno, põe essa gramatiquice de lado. Presta atenção aos teus filhos, à tua casa, à tua mulher! Isso não te põe para diante!
Curvado sobre a grande mesa carregada de livros, o cabelo sem trato a cair, como falripas de aniagem, sobre as orelhas e a cobrir o colarinho da camisa, o notável professor retirava dos ombros a mão cariciosa da mulher, e pedia-lhe, indicando a estante:
— Dá-me dali o Adolfo Coelho.
Ou:
— Apanha, aí, nessa prateleira, o Gonçalves Viana.
Desprezada por esse modo, Dona Ninita não suportou mais o seu destino: deixou o marido com as suas gramáticas, com os seus dicionários, com os seus volumes ponteados de traça, e começou a gozar a vida passeando, dançando e, sobretudo, palestrando com o seu primo Gaudêncio de Miranda, rapaz que não conhecia O padre Antônio Vieira, o João de Barros, o frei Luís de Sousa, o Camões, o padre Manuel Bernardes, mas que sabia, como ninguém, fazer sorrir as mulheres.
— Êle não prefere, a mim, aquela porção de alfarrábios que o rodeiam? Então, que se fique com eles!
E passou a adorar o Gaudêncio, que a encantava com a sua palestra, com o seu bom-humor, com as suas gaiatices, nas quais não figuravam, jamais, nem Garcia de Rezende, nem Gomes Eanes de Azurara, nem Rui de Pina, nem Gil Vicente, nem, mesmo, apesar do seu mundanismo, D. Francisco Manuel de Melo.
Assim viviam, o professor, com seus puristas e Dona Ninita com o seu primo, quando, de regresso, um dia, ao lar, o desventurado gramático surpreendeu a mulher nos braços musculosos, mas sem estilo, de Gaudência de Mianda. Ao abrir0se a porta, os dois culpados empalideceram, horrorizados. E foi com o pavor no coração que o rapaz se atirou aos pés do espôso traído, pedindo súplice, de joelho:
— Me perdôe, professor!
Grave, austero, sereno, duas rugas profundas sulcando a testa ampla, o ilustre educador encarou o patife, trovejando, indignado:
— Corrija o pronome, miserável! Corrija o pronome!
E, entrando no gabinete, começou, cantarolando, a manusear os seus clássicos...
(Foi mantida a gramática da época).
Humberto de Campos
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