terça-feira, 8 de agosto de 2017
A Intuição é mais forte que a Razão
Devemos sempre dominar a nossa
impressão perante o que é presente e intuitivo. Tal impressão, comparada
ao mero pensamento e ao mero conhecimento, é incomparavelmente mais
forte; não devido à sua matéria e ao seu conteúdo, amiúde bastante
limitados, mas à sua forma, ou seja, à sua clareza e ao seu imediatismo,
que penetram na mente e perturbam a sua tranquilidade ou atrapalham os
seus propósitos. Pois o que é presente e intuitivo, enquanto facilmente
apreensível pelo olhar, faz efeito sempre de um só golpe e com todo o
seu vigor.
Ao contrário, pensamentos e razões requerem tempo e tranquilidade para serem meditados parte por parte, logo, não se pode tê-los a todo o momento e integralmente diante de nós. Em virtude disso, deve-se notar que a visão de uma coisa agradável, à qual renunciamos pela ponderação, ainda nos atrai. Do mesmo modo, somos feridos por um juízo cuja inteira incompetência conhecemos; somos irritados por uma ofensa de caráter reconhecidamente desprezível; e, do mesmo modo, dez razões contra a existência de um perigo caem por terra perante a falsa aparência da sua presença real, e assim por diante.
Em tudo se faz valer a irracionalidade originária do nosso ser.
Novo Ano, mas não nova vida. Quem
pensa em ser mais crédulo, se tem medo de ser enganado? Se o mundo é de
enganos, por que não deixar que nos façam pirraças e troças? Ninguém
quer ser parvo, e é pior: porque para não ser enganado, desonra-se como
pessoa de lisura e sinceridade. Há mais covardes em ser iludidos, do que
em ir para a guerra. Quando os simples são afinal os mais poderosos e
quem cede, ganha.
Frase
Mesmo desacreditado e ignorado por todos, não posso desistir, pois para mim, vencer é nunca desistir.
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Último Soneto
Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
Mário de Sá-Carneiro
Requeriam-te os tapetes – e vieste...
– Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste –
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço –
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa ? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
Mário de Sá-Carneiro
Amor é síntese
Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
Mário Quintana
Versículos do dia
Porque,
quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esses se alegrarão, vendo
o prumo na mão de Zorobabel; esses são os sete olhos do Senhor, que
percorrem por toda a terra. Zacarias 4:10
Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança; Hebreus 6:11
domingo, 6 de agosto de 2017
Novo jogo, velhos problemas. Nacional de Pombal vence mais não convence!
O Nacional de Pombal continua com as suas atividades visando
sua estreia na 2ª Divisão do Campeonato Paraibano de Futebol no próximo dia 13
de agosto, na vizinha cidade de Patos, onde enfrentará o Canarinho do Sertão.
Neste último domingo (05), o Naça enfrentou em jogo amistoso
no Estádio “O Pereirão” o Selecionado da cidade de Pau dos Ferros-RN, equipe
amadora que veio a Pombal para o confronto com o Camaleão do sertão.
Acompanhamos o Nacional de Pombal em seus três últimos
amistosos. A equipe não evolui. Os problemas são os mesmos apresentados em
todas as partidas e o torcedor começa a perder a paciência.
A equipe não tem um meio campo nem armado nem marcador. Com
pouca criatividade no meio, a bola parece queimar nos pés dos atletas, as
jogadas são açodadas, geralmente partindo de um chutão do goleiro Danilo em
busca de algum atacante desmarcado lá na frente. Por outro lado, se o meio não cria e também
não marca sobrecarrega a sua defesa. O problema foi visível e sofrível nos três
últimos amistosos.
Não há jogada de triangulação pelas laterais. O lateral
esquerdo do Camaleão, sem cobertura e individualista, sobe demais ao ataque
deixando uma avenida à disposição do adversário. Naquele setor, a recomposição
da marcação é muito lenta. A zaga central é inexperiente.
Ao ataque, quando a bola chega, falta-lhe pontaria e quase
sempre essa bola não vem trabalhada. O Nacional peca ainda quanto ao aproveitamento
dos rebotes. A segunda bola sempre fica com o adversário.
Não há jogadas ensaiadas nem um razoável cobrador de faltas.
Por alguns instantes a equipe amadora de Pau dos Ferros dominou o jogo.
A impressão que tenho é que o time está muito mal treinado em
que pese a falta de talentos individuais. Até mesmo o posicionamento da equipe em
campo nos parece equivocado.
A partida terminou com a vitória do Nacional por 1 x 0, resultado
que não refletiu o desempenho do time em campo.
Claro que não se faz futebol de graça, custa dinheiro e
investimento, mas a situação está de “vaca desconhecer bezerro”. Desse jeito,
fica difícil a torcida ajudar o time e comparecer em campo.
Domingo é dia da onça, ou melhor, do Camaleão beber água!
Teófilo Júnior
Eros e Psique
que vos foram dadas no Grau de Neófito, e
aquelas que vos foram dadas no Grau de Adepto
Menor, são, ainda que opostas, a mesma verdade.
(Do Ritual Do Grau De Mestre Do Átrio
Na Ordem Templária De Portugal)
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa
Publicado pela primeira vez in Presença, n.os 41-42, Coimbra, maio de
1934. Acerca da epígrafe que encabeça este poema diz o próprio autor a
uma interrogação levantada pelo crítico A. Casais Monteiro, em carta a
este último:
A citação, epígrafe ao meu poema “Eros e Psique”, de
um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro
Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente – o que é fato –
que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa
Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de 1888. Se não estivesse em
dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois se não devem citar
(indicando a origem) trechos de Rituais que estão em trabalho [In
VO/II.]
Colhe o Dia, porque És Ele
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.
Ricardo Reis, in “Odes”
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.
Ricardo Reis, in “Odes”
Fernando Pessoa
“Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um
livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do
que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é
pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia
é maior que a cidade…
“Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura.”
E não do tamanho da minha altura.”
Frases como
estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me
de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as
ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os
muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me
estremece no corpo todo.
“Sou
do tamanho do que vejo!” Cada vez que penso esta frase com toda a
atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir
consteladamente o universo. “Sou do tamanho do que vejo!” Que grande
posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas
estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão.
E
já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva
dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando.
“Sou do tamanho do que vejo!” E o vago luar, inteiramente meu, começa a
estragar de vago o azul meio-negro do horizonte. Tenho vontade de erguer
os braços e gritar coisas de uma selvageria ignorada, de dizer palavras
aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos
grandes espaços da matéria vazia.
Mas recolho-me e abrando-me.
“Sou do tamanho do que vejo!” E a frase fica sendo-me a alma inteira,
encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como
sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa
largo com o anoitecer.
Do “Livro do Desassossego”
Deus deixou cem por cento da beleza encantando as paisagens do Sertão
Não
sei se é um quadro ou esculturas
Em todo lugar por lá eu me encantei
Olhando para o céu quando logo avistei
Um gavião peneirando nas alturas
Com certeza é celestiais pinturas
As cenas que compõem esse torrão
Ao pintá-la Cristo não usou borrão
Em tela digna duma realeza
Deus deixou cem por cento de beleza
Encantado as paisagens do sertão!
(Francisco Evangelista - Glosa: Dulce Esteves)
Em todo lugar por lá eu me encantei
Olhando para o céu quando logo avistei
Um gavião peneirando nas alturas
Com certeza é celestiais pinturas
As cenas que compõem esse torrão
Ao pintá-la Cristo não usou borrão
Em tela digna duma realeza
Deus deixou cem por cento de beleza
Encantado as paisagens do sertão!
(Francisco Evangelista - Glosa: Dulce Esteves)
Esposas & Amantes
Dou minha palavra de escoteiro que existem sim trabalhos científicos
sobre essa milenar questão. Desde a antiguidade sempre houve o embate
entre esposas e amantes. As grandes pesquisas desenvolvidas sobre o tema
são claras em diferençar as amantes das prostitutas, se bem que para as
esposas elas sejam a mesma coisa.
Dizem os cientistas que eonquanto as prostitutas cobram pelo prazer
proporcionado e são flexíveis quanto aos parceiros, as amantes
permanecem fiéis a um só homem e nada recebem dele, afora umas bolsinhas
Channel aqui, um carrinho zero quilometro ali, um cartãozinho de
credito sem limite mais adiante... . Na verdade, há um paradoxo nessa
estranha relação entre esposas e amantes. Indicam os estudos que
enquanto as amantes sonham um dia ocupar o lugar das esposas, por
incrível que possa parecer as esposas também tem o desejo de serem
tratadas da mesma maneira que seus maridos tratam as amantes. E isso
nada tem a ver com carinho e atenção. É a questão material que se impõe
mesmo. Qual esposa não gostaria de receber de presente as tais bolsas,
os carros e os cartões de credito ao invés de fogões e geladeiras novos
no natal?
Já os homens...ah, quando falam sobre o tema revelam coisas
incríveis. Todos os entrevistados são unanimes em dizer que se as
esposas soubessem como eles ficam mais tranquilos quando voltam de suas
amantes para o lar, não fariam questão quanto a esses relacionamentos.
Um deles chegou mesmo a comparar os comportamentos. Ele possui uma
lancha e quando marca com a esposa para ir passear na ilha de Areia
Vermelha, sai antes de casa para guarnecer o barco com bebidas e
comidas, gelo e gasolina. Acontece que a esposa sempre chega uma hora
após o combinado (como se a maré esperasse) porque passou no salão de
Fia para fazer uma escova. A bordo ela não admite que uma gota de agua
molhe seus cabelos, o sol incomoda demais e o vento está terrível, afora
uma dezena de outras “pequenas” reclamações. Já a amante chega meia
hora antes, senta na frente da lancha para receber agua salgada no rosto
e se encarrega de servir na boca do seu capitão os drinques que ela
mesmo prepara, e ainda leva a reboque duas vizinhas “piriguetes” para
quem, orgulhosa, exibe seu namorado, enquanto que para ele são um
colírio a mais.
Com relação à questão dos maridos e os amantes de suas esposas os estudos de ponta ainda estão sendo finalizados. Aguardemos.
Marcos Pires
Fonte aqui
sábado, 5 de agosto de 2017
A Paraíba perde Zabé da Loca
E
a Paraíba, por sua vez, perdeu Zabé da Loca, um das nossas
representantes mais simpáticas da Música Invisível Brasileira. Zabé
fazia uma música dos tempos das cavernas, a música coletiva e
tradicional que não tem nada a ver com a indústria. Que tenha feito
shows pelo Brasil e gravado discos é um pequeno milagre.
Bráulio Tavares
Bráulio Tavares
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