sábado, 5 de setembro de 2015

A saída para a crise diversificar



Papa Francisco prova um par de óculos em uma ótica no centro de Roma. O passeio do pontífice provocou comoção nas ruas, que ficaram lotadas de populares em busca de imagens do inesperado encontro.

D de dor – Dicionário Particular

                                  D de Dor, grafite sobre papel sobre uma velha Underwood.
Talvez pudéssemos escrever nossas biografias contando a história de nossas dores. A história impossível de ser contada, como a história dos sonhos, como a história dos sentimentos e afetos. A história da dor poderia ser confundida com a história psicológica das mágoas. Ou com a grande história dos ressentimentos que não deixamos de escrever todos os dias. A dor é física e sobre ela teríamos tanto a dizer, mas a dor é inexprimível e não podemos com ela.
A imagem da dor não expressa a dor. E, no entanto, conseguimos dizer “que dor” diante de muitos fatos. Hoje em dia a lista é infinita e fatos como chacinas, linchamentos, são a própria dor. Quem esquecerá as mãos de Gisele decepadas? O que dizer do homem que as decepou? A dor não acaba porque não se pode dizâ-la. Nem começa nesse indizível. A dor extrema e o extremo do horror que a provoca confluem no horror de não poder dizer a dor. Um horror histórico, social, econômico, racial, patriarcal faz parte de toda dor. Há um apagamento do outro que faz nascer a dor.
Por isso, não se pode escrever sobre a dor para tentar entendê-la ou explicá-la. Só o que podemos em relação à dor é não provocá-la e tentar amenizá-la quando impedi-la foi impossível.
A dor é uma passagem do físico ao simbólico que não deixa espaço para que nada seja dito. A verdade da dor é o horror do mutismo. Mas não podemos nos conformar com ele.
E, no entanto, na miséria da expressão na base de toda expressão, a dor aparece por meio de um grito. O grito instantâneo na hora da dor. O grito que assinala sem dizer. Há dores que não acabam no tempo do grito. A dor sempre foi apavorante e, justamente por isso, questão estética com a qual filósofos se preocuparam de vez em quando. No século 18, vários filósofos escreveram sobre a necessidade de representar a dor. perguntavam qual seria o papel da arte, das tragédias gregas ou modernas. A representação da dor já era problema dos filósofos muito antes daquela época, desde os gregos antigos, na Poética de Aristóteles, por exemplo. Hoje, questiona-se se podemos fotografar a dor dos outros, se as cenas trágicas que vemos na televisão podem ser mostradas sem mais nem menos. Certo é que transformar a dor em mercadoria, seja na arte, seja na televisão, não parece algo justo, porque o sofrimento que está na dor das pessoas é um dado de negatividade que não poderia ser usado como uma coisa positiva. A dor que pertence a cada um é sagrada. Não pode ser profanada na forma de mercadoria. E no entanto, é a todo momento. Mas quem respeitaria a dor do outro até esse ponto radical de esquecer de seus fins mais egoístas?
Cada um conhece a medida de sua dor e ninguém mais. Fácil banalizar ou brincar com a dor dos outros. Schopenhauer falava da compaixão como a capacidade de sentir a dor do outro. Cristão, por sua vez, seria um seguidor de Cristo, alguém que imitasse Cristo que, de braços abertos, encarou a dor, assim como o outro (o próximo e o desconhecido), até a morte.
Na nossa época há poucos cristãos no sentido de estar, como Cristo, de braços abertos ao outro, braços abertos de compaixão. A dor que está na base da religião cristã é apagada todos os dias por muitos cristãos que se entregam à religião como delírio ou grife sem pensar no seu fundo afetivo que é a compaixão.
Nesse contexto, cristão ou não, pensar na dor de si mesmo e na dor dos outros é um desafio para um tempo anestesiado.

Márcia Tiburi

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Europa pratica mais um genocídio

É ao mesmo tempo fácil e complexo descrever a barbárie que boa parte dos países europeus, principalmente a Inglaterra, está praticando com seres humanos refugiados da África, Ásia e do Oriente Médio. Mais uma vez em nossa história moderna a Europa mostra a face diabólica do genocídio, quando não permite que velhos, jovens e crianças não entrem em seus feudos, sob um argumento fajuto de mudanças de costumes e religião. O fato é que algo tem que ser feito. É urgente a intervenção das nações unidas nesse que se transformou no maior afogamento humano em série já visto no mundo. É ultrajante, é aterrorizador, é gritante, horripilante. Nesse dia 1º, a imagem do pequeno corpo de um garoto sírio que se afogou enquanto tentava atravessar uma das ilhas da Grécia até a costa turca, mostra a barbárie que chegamos. De acordo com a Organizações das Nações Unidas, cerca de 2.500 pessoas perderam a vida tentando atravessar o mar para chegar à Itália ou à Grécia.

Do face do Fernando Patriota

Humor



"Desistir... 
Eu já pensei seriamente nisso,
 mas nunca me levei realmente a sério; 
é que tem mais chão nos meus olhos 
do que o cansaço nas minhas pernas, 
mais esperança nos meus passos, 
do que tristeza nos meus ombros, 
mais estrada no meu coração 
do que medo na minha cabeça."

Cora Coralina

Dúvida

Pergunta nº: 450 
10/08/2015 - ADAUTO FERREIRA DE ALMEIDA NETO 
Consulta: Diante da palavra "cabeça", nas construções seguintes, é necessário o uso do hífen: "teledramaturgia cabeça", "assunto cabeça", "papo cabeça"?
Resposta:
Não se usa hífen nesses casos porque aí a palavra cabeça – que tem o sentido figurado de “interesse ou abertura intelectual”, funciona como apositivo (o que explico no livro SÓ PALAVRAS COMPOSTAS - Manual de consulta e autoaprendizagem, p. 127). Ou seja, em filme cabeça, por exemplo, não se fala de um filme que é ao mesmo tempo uma cabeça, mas sim de um filme “que tem a cabeça aberta”.
Maria Tereza Queiroz Piacentini

O casamento e a cegonha

Os pais da noiva tinham resolvido que o casamento da filha se faria ali mesmo, na chácara, à boa moda antiga, com mesada de doces, churrasco, muita empada, leitoa, frango assado, boas comidas e abundantes bebidas.

Armou-se o altar na sala da frente. Cobriu-se a mesa do civil com um lindo atoalhado de plástico. Vieram os convidados. Veio o vigário, veio o juiz e veio o escrivão. Testemunhas e a roda dos parentes. Fizeram o casamento. A moça sempre fora alta, grandalhona, fornida de carnes e de bons quartos. Naquele vestido branco, rodado, de babados subindo e descendo, de véu e grinalda, inda mais reforçada parecia.

Como a festança era mesmo de arromba, fogos pipocando, música chegando e  muita gente entrando e saindo, ninguém mais reparou nos noivos que depois de posarem para o retrato de praxe, na cabeceira da mesa e de cortarem juntos o bolo artístico, se misturaram com os convidados e cada qual se achou à vontade e sem constrangimento.
O juiz e o vigário deixaram-se ficar numa roda de amigos, conversando com advogados, escrivães, gente do foro.

O baile tinha começado. A moçada saracoteava alegre. Os que não eram de dança, rodeavam a mesa posta, com pratos, copos e garrafas. Espetos de churrasco e bandas de leitão se cruzavam por todos os lados.

Boas comidas, muita bebida e os donos da casa pondo o pessoal à vontade, incansáveis, não cabendo em si de contentes com o casamento daquela primeira filha. Nada alegra tanto o coração da criatura como mesa posta, carne assada, bebidas de graça e falta de cerimônia. Quem contestar esta verdade simples, não merece dois vinténs de crédito.

Bem por isso mesmo diz o caboclo: a alegria vem das tripas — barriga cheia, coração alegre. O que é pura verdade.

A orquestra assoprava valsas e boleros com furor. Os pares girando. Os namorados namorando. Os que não dançavam se encostavam pelas mesas e, quem já estava farto, fazia roda, bebia café, fumava cigarro e contava piadas.

Quando a festança ia mais animada, lá pelas tantas, ouviu-se um corre-corre pelos quartos e corredores.

Logo mais aparecia na sala o dono da casa, ansioso e afobado, se desculpando e pedindo ao juiz e ao vigário fazerem o favor de acabar com a festa porque a noiva estava com dor de parto e a assistente já tinha chegado...

“Isto é que se chama aproveitar o tempo”, comentou um convidado, “numa só festa, casa a filha e chega a cegonha...”

Cora Coralina 

Texto extraído do livro "Estória da Casa Velha da Ponte", Global Editora — São Paulo, 2001, pág. 53

Definição

A classificação do que é “de direita” e o que é “de esquerda” complica-se ainda mais porque às vezes até os xingamentos trocados entre eles são os mesmos

Como distinguir quem é de esquerda de quem é de direita? Pelas suas opiniões, claro. Pelo que dizem. Mas como distinguir um direitista silencioso de um esquerdista lacônico, sem sinais aparentes que os definam?

Os da direta sugerem um método prático de identificar esquerdistas. Deve-se procurar um rabo escondido dentro das suas calças e dois chifres camuflados na sua cabeça. O problema com este método é que ele é exatamente igual ao proposto pelos da esquerda para identificar um direitista. Acaba-se sem saber se o demônio é dos nossos ou dos deles.

A classificação do que é “de direita” e o que é “de esquerda” complica-se ainda mais porque às vezes até os xingamentos trocados entre eles são os mesmos. “Fascista!”, por exemplo, serve para os dois lados. Outros xingamentos pecam pela falta de clareza. “Comunista!”, dependendo de quem acusa, engloba várias graduações de esquerda, da social-democracia ao stalinismo; “reacionário!” inclui de conservadores respeitáveis ao Bolsonaro.

Na dificuldade de se chegar à diferença entre esquerda e direita pela divisão politica e pela imprecisão semântica do confronto entre os mutuamente demonizados, busca-se uma definição, qualquer definição, em outras áreas

Estive lendo sobre a Comuna de Paris, os dois meses da primavera de 1871 (Segundo Império, de Louis-Napoleon, sobrinho coxinha do Napoleon de verdade) quando trabalhadores botaram a correr o rei e a nobreza e ocuparam e capital da França na esperança de que a revolta se espalhasse pelo resto do país.

Depois de dois meses, as tropas leais ao rei, que tinham fugido para Versalhes, retomaram Paris e massacraram os communards, mas os dois inebriantes meses da esquerda no poder ficaram como uma espécie de ensaio para conquistas republicanas que viriam.

Mas fiquei sabendo que as agruras da ocupação e da defesa da comuna não impediram os communards de aproveitar as chamadas coisas boas da vida, presumivelmente saqueando as caves e despensas da nobreza. E a preferencia era por vinhos da Borgonha, considerados “de esquerda”, em contraste com os vinhos de Bordeaux, “de direita”, porque vinham de uma região notoriamente reacionária.

Borgonha de esquerda, Bordeaux de direita... A divisão pode se estender a qualquer tipo de gosto ou costume. Mineral sem gás de direita, com gás de esquerda. Carne bem passada de direita, mal passada de esquerda. Mocassim sem meias de direita, havaiana de esquerda... 

Luis Fernando Veríssimo 

Frase

A presidente já não governa mais. Quem está governando são os acólitos (ajudantes, acompanhantes) que estão do lado dela

HÉLIO BICUDO, JURISTA, FUNDADOR DO PT, QUE QUER O IMPEACHMENT DE DILMA

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos 

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos



Sophia de Mello Breyner Andresen
Dual (1972)


Sugestão de postagem de Marisa Bello

Mulher abstrata

Sou quem sou, simplesmente mulher, não fujo, nem nego,
Corro risco, atropelo perigo, avanço sinal, ignoro avisos.
Procuro viver, sem medo, sem dor, com calor, aconchego,
Supro carências, rego desejos, desabrocho em risos...

Matéria cobiçada... na tez macia, no calor ardente.
Alma pura, envolta em completa fissura. Sem frescuras!
Encontro prazer na forma completa, repleta, latente.
Meretriz sem pudor,mulher no ponto, uva madura!

Sou quadro abstrato, me entrego no ato à paixão que aflora.
Sou enigma permanente, sem ponto final, sem continências,
Sou mulher tão somente, vivendo o momento, sorvendo as horas.

Sou pétala recolhida, sem forma, sem cor, completa em essência.
Exalo a esperança, transpiro vontades. Não me tenhas senhora.
Sou mulher insolúvel, nada volúvel. Vivo a vida em reticências...



Ângela Bretas

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Rubem Alves

Que pipoquem experimentos

A vida me ensinou que não existe nada mais inútil que projeções futurológicas: o final é sempre outro… Mas pediram que eu me aventurasse… Assim, o que vou fazer é indicar algumas das tendências “escolares” que vejo no presente e imaginar seu destino futuro.
Em primeiro lugar há “escola tradicional”. A “escola tradicional” se caracteriza por ser baseada em “programas” em que os saberes, organizados numa determinada ordem, são estabelecidos por autoridades burocráticas superiores ausentes. Os professores sabem o programa e o ensinam. Os alunos não sabem e devem aprender.
Os alunos são agrupados em turmas independentes que não se comunicam umas com as outras. A atividade de pensar é fragmentada em unidades de tempo chamadas aulas, que também não se relacionam umas com as outras. Livros-texto garantem a uniformidade do ensino. A aprendizagem é avaliada numericamente por meio de testes.
As “escolas tradicionais”, como todas as instituições, são dotadas de mecanismos para impedir as mudanças. Muitas das “escolas tradicionais” são estatais, o que significa garantia de segurança, por meio de um emprego vitalício. Mas, como se sabe, a segurança põe a inteligência a dormir.
Prevejo que, daqui a 25 anos, essas escolas estarão do mesmo jeito, talvez pintadas com cores mais alegres.
Mas, de repente, os saberes começaram a pulular fora dos limites da “escola tradicional”. Circulam livres no ar —sem depender de turmas, salas, aulas, programas, professores, livros-texto—, dotados do poder divino da onipresença: o aprendiz aperta um botão e viaja instantaneamente pelo espaço.
O aprendiz se descobre diante de um mundo imenso, onde não há caminhos predeterminados por autoridades exteriores. Viaja ao sabor da sua curiosidade, quer explorar, experimenta a surpresa, o inesperado, a possibilidade de comunicação com outros aprendizes companheiros de viagem.
Mas o fato é que ele se encontra diante de uma tela de computador. É um mundo virtual. Trata-se apenas de um meio. E é somente isso, essa alienação da realidade vital, que torna possível a sua imensidão potencialmente infinita. Mas, como disse McLuhan, “o meio é a mensagem”. E a “massagem”…
Há o perigo de que os fins, a vida, sejam trocados pelo fascínio dos meios —mais seguros e mais extensos. Fascinante esse novo espaço educativo. Não é preciso ser profeta para prever que ele irá se expandir além daquilo que podemos imaginar, especialmente em se considerando a sua ligação com interesses econômicos gigantescos. Mas é preciso perguntar: “Qual é o sentido desses meios para os milhões de pobres que não têm o que comer? E quais serão as consequências do seu fascínio virtual?”.
Há, finalmente, um florescimento de experimentos educacionais alternativos.
Por oposição ao conhecimento virtual, essas experiências de aprendizagem se constroem a partir dos problemas vitais com que os alunos se defrontam no seu cotidiano, no seu lugar, na sua particularidade. Não há programas universais definidos por uma burocracia ausente porque a vida não é programável.
Os desafios que enfrentam as crianças nas praias de Alagoas, nas favelas do Rio, nas matas da Amazônia e nas montanhas de Minas não são os mesmos. Além dos saberes que porventura venham a ser aprendidos, esses experimentos buscam o desenvolvimento da capacidade de ver, de maravilhar-se diante do mundo, de fazer perguntas e de pensar.
Tenho a esperança de que esses experimentos continuarão a pipocar, porque é neles que o meu coração se sente esperançoso.

Rubem Alves

A ideia

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...
Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.

                Augusto
 de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Peça que deveria solucionar mistério do voo MH370 o complicou ainda mais

Quando um pedaço da asa de um Boeing 777 foi encontrada mês passado na Ilha da Reunião, no Oceano Índico, o governo da Malásia rapidamente a identificou como parte do voo 370 da Malaysian Airlines que desapareceu no ano passado. Mas a investigação falhou em identificar a peça, fazendo com que essa história fique cada dia mais esquisita.
Pouco depois do flaperon aparecer na praia, engenheiros da Boeing confirmaram que a asa pertencia a uma aeronave 777. E o MH370, que desapareceu em março de 2014, era o único 777 desaparecido até então. Então, caso encerrado, certo?
O Primeiro Ministro da Malásia, Najib Razak, acreditou que a peça fosse parte do voo desaparecido e, em 5 de agosto, por meio de um anúncio, declarou ao mundo que era ela era de fato. Mas minutos depois, Serge Mackowiak, investigador francês, contestou a declaração de Razak, dizendo que mais testes seriam necessários para determinar a origem da peça da asa. Os resultados deveriam sair um dia depois da declaração. Mas dias se passaram. E agora semanas.
E o que acontece? De acordo com a New York Magazine, a placa de identificação que deveria estar grudada ao lado do flaperon não foi encontrada. Essa placa, colocada em todos os flaperons de aeronaves 777, deveria conter o número de série da peça, conectando-a ao voo MH370. O sumiço deste número não apenas frustrou o processo de verificação, como também levou outros aspectos da investigação da asa a (talvez excessivos) exames minuciosos.
Por exemplo, o flaperon estava coberto de crustáceos. Crustáceos em tudo! E algumas pessoas estão ficando malucas com isso, uma vez que estes crustáceos sugeriam que a asa passou diversos meses abaixo da superfície oceânica. Mas como?
Com certeza existe uma explicação lógica para tudo isso, e vamos descobri-la uma hora ou outra — talvez até aprenderemos uma coisa ou outra sobre a ecologia destes crustáceos no processo! Mas até lá, os detetives da internet com certeza criaram as mais mirabolantes histórias para o caso do flaperon. O destino do voo MH370 permanece cada vez mais misterioso. 
Fonte aqui

Valsinha

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais 
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz



Vinicius de Moraes – Chico Buarque

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Me engana que eu gosto

Para Lula, a Lava Jato é uma conspiração contra aqueles que, de tanto defenderem os pobres, ficaram ricos

Vou hoje comentar o discurso que Lula fez na abertura da Marcha das Margaridas, em Brasília, há algumas semanas. Apesar do atraso com que o faço, parece-me oportuno comentá-lo pelo caráter exemplar da maneira como, ele, ex-presidente da República, manipula os fatos da realidade nacional.

A tal marcha foi organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), certamente por iniciativa de Lula, visando pôr em prática o conselho que tem dado a Dilma para enfrentar sua crescente impopularidade.

Na sua opinião, ela deveria ir para as ruas mobilizar o povo contra os adversários. Sucede que onde ela aparece é vaiada. Logo, para "falar às massas", terá de fazê-lo em recinto fechado, como tem feito ultimamente.

A Marcha das Margaridas começou na rua quando Lula discursou –mas foi solidar-se com Dilma dentro do Palácio do Planalto, longe do povo. Ali, devidamente protegida, disse o que sempre diz, isto é, que as dificuldades são passageiras, pois se trata apenas de uma travessia.

Já o discurso de Lula merece ser comentado, por ser exemplo da versão que ele (e o PT também) apresenta dos fatos políticos e particularmente das sucessivas denúncias que têm vindo a público com as delações feitas pelos sócios do governo petista nas propinas.

Ele começou o discurso pedindo compreensão para os erros do governo, mas logo em seguida afirmou que a responsabilidade da crise não cabe à presidente Dilma Rousseff. Diz isso para depois admitir que ela erra, mas erra como todo mundo e, por isso, devemos ter compreensão com seus erros. A essa altura, quem o ouvia certamente se perguntava, afinal das contas, se Dilma errou ou não errou. Mas o objetivo era exatamente esse: confundir o pessoal.

Logo depois, mudou o tom de sua fala, alegando que "este é o momento de a gente levantar a cabeça e dizer para a companheira Dilma que o problema, pelo qual o país está passando, não é só seu, é nosso".

Ou seja, a culpa é de todos. Portanto, "se ela errar –porque todo mundo erra– temos de levar em conta que ela é nossa e temos de ajudá-la a consertar".

O discurso é uma descarada embromação. Se o país está em crise, a culpa não é de Dilma, mas teríamos todos de ajudá-la a consertar o erro, ou seja, como ela é nossa, "vocês terão de apoiá-la a qualquer custo". Sim, porque, se os próprios petistas se convencerem de que Dilma levou o país ao impasse por incompetência, a culpa será dele, Lula, que a fez presidente da República.

Por essa razão, mais uma vez, há que enganar os que ouvem seu discurso, deliberadamente confuso e embromatório. Mas nisso Lula é mestre, e o ensinou a seus auxiliares imediatos. A verdade, porém, é que essa conversa de Lula só engana quem quer ser enganado.

De qualquer modo, com a inflação crescente, os preços todos subindo e o desemprego aumentando a cada dia, não é possível, mesmo para Lula, descomprometido com a verdade, afirmar que está tudo bem. Por isso, forçado a reconhecer que a coisa vai mal, transforma Dilma em vítima. Mas sua desconsideração com a verdade não tem limites, pois chega a afirmar que ele também já passou por situação semelhante, em 2005, quando tentaram contra ele o impeachment e "só levantei a cabeça graças a vocês".

Tudo mentira, já que, naquela ocasião, ninguém tentou derrubá-lo, nem havia crise econômica ou política, como agora; o que havia era o escândalo do mensalão, quando ele e sua turma usaram dinheiro público para comprar deputados. A falcatrua foi comprovada e seus principais auxiliares –José Dirceu, Genoino e Delúbio Soares– foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal.

Ele, Lula, esperto como sempre, escapou dessa e, apesar disso, em vez de se envergonhar do que fez, apresenta-se como vítima de uma conspiração que visava derrubá-lo.

Segundo ele, o mesmo se tenta agora com a Operação Lava Jato. Tudo conspiração da elite branca contra ele e seus comparsas, os defensores dos pobres que, de tanto defendê-los, ficaram ricos.

Ferreira Gullar
Folha de S. Paulo 

Olho as minhas mãos

Olho as minhas mãos: elas só não são estranhas
Porque são minhas. Mas é tão esquisito distendê-las
Assim, lentamente, como essas anêmonas do fundo do mar...
Fechá-las, de repente,
Os dedos como pétalas carnívoras !
Só apanho, porém, com elas, esse alimento impalpável do tempo,
Que me sustenta, e mata, e que vai secretando o pensamento
Como tecem as teias as aranhas.
A que mundo
Pertenço ?
No mundo há pedras, baobás, panteras,
Águas cantarolantes, o vento ventando
E no alto as nuvens improvisando sem cessar.
Mas nada, disso tudo, diz: "existo".
Porque apenas existem...
Enquanto isto,
O tempo engendra a morte, e a morte gera os deuses
E, cheios de esperança e medo,
Oficiamos rituais, inventamos
Palavras mágicas,
Fazemos
Poemas, pobres poemas
Que o vento
Mistura, confunde e dispersa no ar...
Nem na estrela do céu nem na estrela do mar
Foi este o fim da Criação !
Mas, então,
Quem urde eternamente a trama de tão velhos sonhos ?
Quem faz - em mim - esta interrogação ?


Mário Quintana

Frase

Agora, a mim me parece que é difícil qualquer pessoa que estava em posição de responsabilidade dizer que desconhecia essas práticas. (...) E nós estamos falando só da Petrobras, agora recentemente começamos a falar da Eletrobras. Isso é extremamente preocupante. Agora, se ninguém sabe e ninguém viu, precisa ir ao oculista, além de outros sentidos que podem estar perdidos por aí

GILMAR MENDES, MINISTRO DO STF
Anunciaram que você morreu.
Meus olhos, meus ouvidos testemunham:
A alma profunda, não.
Por isso não sinto agora a sua falta.
Sei bem que ela virá
(Pela força persuasiva do tempo).
Virá súbito um dia,
Inadvertida para os demais.
Por exemplo assim:
À mesa conversarão de uma coisa e outra,
Uma palavra lançada à toa
Baterá na franja dos lutos de sangue,
Alguém perguntará em que estou pensando,
Sorrirei sem dizer que em você
Profundamente.
Mas agora não sinto a sua falta.
(É sempre assim quando o ausente
Partiu sem se despedir:
Você não se despediu.)
Você não morreu: ausentou-se.
                            Manuel Bandeira
(Excertos do poema "A Mário de Andrade ausente", Manuel Bandeira, citado por Gilberto Lucena no texto O amigo Carlos Tavares e transcrito do livro O ALMANAQUE DA ALMA DE GILBERTO LUCENA, Ed Porto (org.), João Pessoa: Ideia, 1. ed., 2015, p. 52.)

Sugestão de postagem do amigo Adauto Neto

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Nacional de Pombal perde a invencibilidade para o Cruzeiro de Itaporanga

"Quem não faz, leva!" Nunca essa assertiva esportiva esteve tão presente e verdadeira quanto na tarde do último domingo (30) no estádio de futebol "O Perpetão".  O Nacional de Pombal enfrentando o Cruzeiro de Itaporanga pela segundona na cidade de Cajazeiras dominou o adversário durante toda a partida, principalmente após a justa expulsão de um dos zagueiros da equipe de Itaporanga.

Inúmeros gols foram desperdiçados pelo Naça que não sentiu a falta do seu lateral Jaime e do volante de contenção Fernando que não participaram do jogo por cumprir suspensão. 

O Camaleão do Sertão foi sempre superior durante todos os 90 minutos mas não foi competente o suficiente para colocar a bola no gol. Nem mesmo com a entrada do centroavante Jessui, no final do segundo tempo, o alviverde modificou o placar. 

No finalzinho do jogo, num lance despretencioso, o Cruzeiro marcou o seu gol terminando por vencer o Nacional por 1 x 0. 

Na próxima quarta (02) o Camaleão verde volta a campo para enfrentar a forte equipe do Paraíba de Cajazeiras no estádio "O Pereirão", pelas 15h15min. 

Teófilo Júnior