terça-feira, 5 de novembro de 2013

Troca de igreja

Para ficar com o horário de Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial, no Canal 21 e nas madrugadas da Band, a Universal, de Edir Macedo, pagará 140 milhões anuais ao grupo Bandeirantes. Algo como uns 15% do faturamento da Band num ano.
Por Lauro Jardim

Perderam

Quem passou da infância à vida adulta nas décadas de 1980 e 1990 acostumou-se ao padrão. Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil nunca perdiam. Alinhados às boas causas, eram reputados como reserva de sabedoria de nossa vida pública corrompida.

Tratava-se, obviamente, de uma fábula. O primeiro compromisso desses artistas sempre foi com seus legítimos interesses profissionais e empresariais. A qualidade intrínseca de suas intervenções na política e no debate de ideias jamais se aproximou do seu desempenho como letristas.

A influência que exerciam nos palanques nacionais indicava a rarefação de nossa esfera pública. A conversão de capital cultural em capital político não é certa nem imediata nas democracias consolidadas, que separam muito bem esses campos.

Celebre-se, portanto, como sinal de amadurecimento do país a derrota esmagadora do (ex-)grupo Procure Saber, encabeçado pelo trio de ouro da MPB, no debate das biografias não autorizadas.

A causa era decerto ingrata. O grupo propunha-se a convencer a opinião pública de que biografias só poderiam circular mediante autorização do biografado ou de seus familiares. Não há meio de aceitar essa cláusula sem ferir a liberdade de expressão, consagrada na Carta de 88.

Sim, a liberdade de expressão é também a liberdade de injuriar, caluniar e difamar. Para esses males, a lei determina remédios. Mas é sobretudo a liberdade de criticar e contar histórias e versões menos abonadoras sobre quem quer que seja. E de oferecê-las ao crivo do debate público.




Habituados a despertar solidariedade automática nos círculos intelectuais e políticos, Chico, Caetano e Gil talvez pensassem que iriam levar mais esta. O tempo passou na janela, mas eles não notaram.

O Brasil começa a descobrir que, como políticos e intelectuais, eles são apenas bons compositores e empresários.

 
Vinicius Mota
Folha de São Paulo

Interlúdio


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Chuva de 146 mm na cidade de Paulista-PB alegra os sertanejos e faz açudes sangrarem. Ponte do rio amanhece encoberta.

A forte chuva que caiu sobre o município de Paulista durante a noite deste domingo (03), e que se estendeu pelas primeiras horas dessa Segunda-Feira (04), provocou sangramento em vários açudes nas comunidades rurais, exemplo para o açude da comunidade Cachoeira Vermelha onde choveu 147 mm. A Ponte do rio Piranhas amanheceu encoberta
 
O Açude da vizinha comunidade Pé da Serra também amanheceu sangrando.
 
Veja as Medições a que tivemos acesso até o momento:
 
Paulista: 146 mm
Cachoeira vermelha: 147
Pé da serra: 124
Mimoso: 110
Pai Xicu: 58
 
 
Fonte e todos os créditos para

Pessoas mentem mais durante a tarde

Pela manhã você até tem paciência para se explicar, contar detalhadamente ao chefe por que aquele projeto ainda não saiu do papel. Mas vai dizer que à tarde, quando bate aquela preguiça pós-almoço, sua vontade não é falar qualquer coisa, lançar uma desculpinha, ao invés de passar um tempão contando a verdade… Pode ficar tranquilo, é normal.

Foi o que perceberam os pesquisadores da Universidade Harvard. Eles convidaram voluntários para um teste: numa tela de computador apareciam dois quadros, e eles tinham de dizer em qual dos dois havia mais pontinhos. Só que eles não seriam premiados pela resposta correta – e sim pelo número de vezes que escolhiam o lado direito da tela. Todos fizeram a brincadeira duas vezes: entre as 8h e 12h e entre as 12h e 18h. E todos eles tendiam a mentir mais no período da tarde (por mais que fosse evidente qual era a resposta certa, eles fingiam acreditar que no lado direito havia mais pontos).

É que, segundo os cientistas, nosso autocontrole diminui ao longo do dia – e junto com ele, lá se vai também nossa capacidade de evitar mentiras ou trapacear. “Infelizmente, mesmo as pessoas mais honestas podem estar suscetíveis às consequências negativas desse efeito”, diz a pesquisa. Ah, o horário só não fez diferença entre os desonestos: eles mentiam sempre, independentemente do relógio.

E aí, o que achou da pesquisa? Você costuma contar menos mentiras pela manhã mesmo?
 

Fonte: Superinteressante
Yan (faixa azul) em competição
 
Aquecimento com o Prof. Jorge
 
Concentração no Hino Nacional
 
No último domingo (03) estive na cidade de Sousa-PB onde fui levar meu filho Yan (06 anos) para o 1º Torneiro de Karatê que ele participa depois de 6 meses de academia na Associação Maringá.
 
O torneio envolveu associações de Karetê de várias cidades da Paraíba. A princípio, a ideia era apenas participar, mas de repente ele mudou de rumo e resolveu, na categória dele, ser o único atleta de Pombal-PB a passar para as quartas de final do torneio. Parabéns Yan. Parabéns também para o mestre Jorge, seu instrutor. Vamos trabalhar esse garoto!

Charge

Vende-se

Honda Fan 125 KS em perfeito estado de conservação. Valor R$ 2.500,00. Interessados favor deixar comentários! Aproveitem, estou queimando...

domingo, 3 de novembro de 2013

“Por que o senhor atirou em mim?”

Em memória de Douglas Rodrigues, 17 anos, assassinado por um PM em 27 de outubro de 2013
 
 
É muito importante fazer uma análise da violência atual, mas isso não trará Douglas Rodrigues de volta. A impotência das análises serve, no entanto, à violência. E alimenta o senso comum.
 
Sabemos que vários outros jovens vem sendo mortos pela Polícia Militar e isso é, por incrível que pareça – por mais estarrecedor que pareça – uma explicação total do que vivemos em nosso país. Para o bom leitor não é preciso nem meia palavra. A pergunta feita por Douglas quando tomou o tiro no peito que o levou à morte é estarrecedora porque já está respondida e ela põe em cena a nossa falência como sociedade.
 
No entanto, não creio que ideia de que temos o governo que merecemos explique o que estamos vivendo. Nós merecemos mais, merecemos algo melhor. Como Douglas merecia. Eu penso nos pais de Douglas, em seu irmão. Em seus colegas e penso que não merecemos isso. Que Douglas merecia um futuro bom. Li que um motorista de caminhão incomodou-se com a manifestação em nome de Douglas, que incomodou-se com os caminhões queimados, com a interrupção da rodovia Fernão Dias no dia seguinte à morte de Douglas. Pensei que aquele que não tem capacidade de colocar-se no lugar dos outros, que não consegue imaginar o sofrimento alheio, é alguém que precisa rever seus conceitos. É claro que não desejamos sofrer as consequências diretas das dores alheias, mas não se trata de uma dor alheia. E vivemos neste país, todas as consequências da ditadura cínica que nos quer arrebentar a cada um que não concorde com ela. Que país é esse? O país onde Douglas Rodrigues de 17 anos foi morto à queima roupa por um PM.
 
Neste sentido, cito o senhor taxista com quem conversei ontem. Ele perguntava mais ou menos assim: por que o governador Alckmim se pronunciou – estarrecido e todo dominador – contra o espancamento do coronel dia desses e por que o mesmo governador não pronunciou-se quando do assassinato do menino?
 
Douglas Rodrigues foi assassinado pelo soldado Luciano Pinheiro. Luciano Pinheiro, quem será? Não o conhecemos. Poderíamos saber o que pensa? Como se sente? Por que fez o que fez? É muito difícil colocar-se no lugar dele. Não é tão difícil colocar-se no lugar de Douglas. Lembro dos mortos vivos que, nos filmes, tiram a vida de outro sem explicação. Não gostaria de reduzir a interpretação social dos fatos, mas PMs e governador atuam como mortos vivos. O governador representa-se como a figura abjeta que, como um conde drácula, governa esse estado de coisas, esse reino do mal estar, esse império do ódio em que não haverá justiça nem para vivos, nem para mortos. Por isso talvez a campanha “Fora Alckmin” seja toda movida por jovens que tem medo de uma figura dessas que representa o mal radical entre nós. Rei do império do ódio em que todos estão condenados à morte diariamente.
 
Mas eu não gostaria de escrever sobre a questão da violência com nenhum tipo de exagero retórico. Tenho visto muito exagero retórico e muita histeria por parte da televisão. A televisão que eu não assisto diariamente (não tenho tv em casa há anos, mas vejo tv por aí nas ruas) tem sido o principal aparelho de repressão e precisamos tomar cuidado com ela como sempre. Televisão é um meio de comunicação que deverá ser democratizado como qualquer outro. É para isso é que tem trabalhado a midia alternativa que sustenta a democracia no meio da atual ditadura cínica dos meios de comunicação fazendo a cabeça do povo com a retórica baixa e imbecilizante que usam. Praticam o pior tipo de violência simbólica, aquela que conserva o estado injusto contra as pessoas enquanto, ao mesmo tempo, seduz as pessoas.
 
Assim como temos que “ocupar” o governo temos que “ocupar” a televisão… Mas sem violência e com muito cuidado, por que o assassinato é, na nossa democracia cínica (uma ditadura cínica…), realmente distribuído para todos pelo governo.
 
***
 
O assunto da violência é muito complicado e no âmbito do senso comum é muito difícil falar dele. Tenho notado que as pessoas defendem certos tipos de violência mesmo quando querem combatê-la e que criticam a mesma violência que praticam ficando enroladas num círculo vicioso. Vejo que há uma propaganda contra a violência dos black blocs e não contra a violência dos policiais. Por que uma violência é permitida ou consentida e outra não? Será que podemos avaliar isso com cuidado? Outra questão: por que choca tanto que os vidros dos bancos sejam quebrados e não choca tanto que professores sejam espancados? Estamos em uma sociedade que valoriza mesmo mais os vidros do que as pessoas? Ou será que os meios de comunicação denominam “vândalos” um outro – e primeiro – para evitar que sejam chamados eles mesmos de “vândalos” pela violência que praticam com sua comunicação cheia de violência? O uso da expressão “vândalo” e “vandalismo” entre nós tem sido ridícula. Mas quem se dedica a pensar no que está realmente se passando? Onde está nosso discernimento?
 
A complexidade da violência atual, expressa no espancamento e assassinato que PMs tem dirigido à população a mando do Estado tem também combinado com o estranho “direito” que muitos praticam em particular. E não é só no governo e na PM. Tenho percebido pelo menos dois tipos de mentalidade discursarem no mundo cotidiano: 1 – uma que é a do fascista potencial que encontra nesse momento o seu ódio ao outro e seu desejo de humilhar realizado; 2 – o cidadão que busca ser razoável e olha para o nexo entre particular e universal, entre individuo e sociedade. Esse último ainda deseja um mundo melhor.
 
O que os outros realmente querem? Douglas teve a resposta. Nós todos agora sabemos do que se trata.
 
Penso que tudo o que venhamos a dizer só pode ser dito em nome de que a morte por assassinato de nosso jovens pela polícia não se repita.
 
Que Douglas não seja esquecido.
 
 
Marcia Tiburi

Charge


Mistério

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!



Florbela Espanca

Homem padece meio século para ser macho

Tudo bem, tio Nelson Rodrigues já dizia: um homem aos 20 e poucos anos não sabe sequer pronunciar um bom dia para uma mulher.
 
Certo, certíssimo. Como no mantra dos sertões: certo como boca de padre, justo como boca de bode.
 
A gente demora pra cacete a amadurecer. É sério. Não existe carbureto ou qualquer outra química que avexe tal processo bananoso -o carbureto, como qualquer homem de verdade há de saber, é uma pedra milagrosa amadurecedora de frutas em tempo recorde.
 
Há até quem diga, a tirar pela nossa zoação permanente, que os homens não amadurecem nunca.
 
Pode ser. É realmente um eterna pelada com direito a churrasco e cerveja depois. Nada tão ruim assim. Há uma leveza boa também nisso, como me alertava uma ex, coisa marlinda das minas sem mares das Gerais do mundo inteiro.
 
“Ora, homem vai até pra guerra, não é fácil a vida de vocês”, dizia a mesma graça de moça tentando entender as nossas bobagens nos quintais da vila Pompeia & arredores paulistanos.
 
Tudo bem que a gente demora, volto algumas casas. Mas daí achar que a vida do macho começa apenas aos 54 é exagero. Demais da conta.
 
É o que diz uma pesquisa inglesa publicada esta semana pelo “The Telegraph”, um jornal dito sério. Se é que existe jornal sério no mundo fora “O Pharol” de Petrolina.
 
A vida principia aos 54 anos para os marmanjos. Ah, é? A manchete me faz deitar na rede branca e reler tudinho do Tolstói de novo. É a única maneira honesta e proveitosa para esperar a minha hora na varanda do Capibaribe.
 
A tese da pesquisa é até simples: somente a esta altura os miseravões começam a aproveitar a vida como adultos de verdade –haja aspas para adultos de verdade. Somente nesta fase outonal, digamos assim, os homens estariam “resolvidos e seguros”.
 
Ao contrário das gerações anteriores, a madureza de hoje é/seria mais demorada. O cara demora mais pra sair da casa dos pais, o cara demora mais pra ter filho, o cara é um ser demorado, folgado, que foge do vínculo e dos compromissos à moda antiga.
 
O temor de não acertar na vida –como se a vida fosse uma planilha do Excel- faz também o homem adiar esse momento ideal.
 
É medo de tudo, rapaz:
 
De ficar sem grana, um looser perdido e estranho no paraíso como um personagem de filme de Jim Jarmusch. Pior: um velho lesado e mais liso que muçum (Synbranchus marmoratus) do açude do Orós.
 
O medo da solidão também pega. Principalmente aos domingos. Ai de mim, Copacabana.
 
O medo do corpo caído (ah, seus metrossexuais mal-agradecidos dos seiscentos diabos!) e outras inseguranças anatômicas. Ah, vão se danar, homem que é homem não se preocupa com um galinheiro inteiro, quanto mais com um ou outro pezinho de galinha no poleiro da existência.
 
Deixai as rugas residirem, sem pagar o aluguel da vaidade, em vossos rostos.
 
Quanta frescura, meu Deus, quanta perobice, quanto baitolismo, quanta qualiragem, quanto frufru e nove-horas, se é que você me entende.

 
Haja medo. A pesquisa também detectou o medinho de lidar com a careca, com o queixo duplo e com as mamas (rs). Só rindo, amiga. Las tetas. Tetinhas mais lindas, como diria meu grande amigo Marcelo Coppola.
 
Um autêntico macho-jurubeba não teme essas frescuras. Em um mundo onde os fracos não têm vez isso não existe. Suponho, supunhetamos.
 
No Ceará não tem disso não, como alertava Gonzaga. Pelo menos no Cariri eu garanto (rs). Lá em nós até a velha da foice, mexicana e fatal, chega educada, cheia de com-licenças e cerimônias.

 
Fiquei invocado com esta pesquisa. Cá entre nós, você acha que somente aos 54 alcançamos essa segurança? Ou nunca?

 
 
Xico Sá

Versículos do dia

Quão formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do príncipe! Os contornos de tuas coxas são como jóias, trabalhadas por mãos de artista.

O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como montão de trigo, cercado de lírios.

Os teus dois seios como dois filhos gêmeos de gazela.

Livro de Cânticos 7:1-3

sábado, 2 de novembro de 2013

Lembrança de morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!


Álvares de Azevedo


"Deus tinha acendido na alma do mancebo aquele fogo sagrado da poesia, que eleva o homem acima da terra e faz correr de seus lábios, em cânticos sonoros, a linguagem do inspirado."
 
Trecho do discurso do escritor e seu parente Manoel Antônio de Almeida, no enterro do poeta.

Shave It


Jorge Tereso / Fernando Maldonado - Argentina, 2013
 
Numa floresta onde tratores gigantescos devastam a vegetação, um macaco acha um barbeador e decide usá-lo. Com aparência humana, ele se muda para a cidade e inicia sua escalada social.

Em São Bento-PB um leigo criou um pote que tem água gelada

Do face do Gutemberg Cardoso
 
Conhecido como vaso de barro, com diferentes formas e /ou dimensões, e que já foi muito utilizado, sobretudo, no Nordeste do Brasil, mas que está quase em desuso, o velho pote de colocar água de beber poderá voltar a ser usado mais intensamente, principalmente, no Sertão da Paraíba.
 
É que depois de refletir durante 30 dias, o pintor da cidade de São Bento-PB, José Bezerra da Silva, mais conhecido por João Pintor, que trabalha há 10 anos no ramo de refrigeração e pintura, desenvolveu um sistema de refrigeração de água, a partir de um pote.

Seu João disse que foi chamado até de doido por muita gente e pela própria esposa, quando mencionou a idéia de transformar um pote em geladeira. Mas ele reagiu, dizendo que doido não era e que iria continuar pensando em colocar a proposta em prática. E conseguiu.
 
De acordo com o inventor sertanejo, os equipamentos adaptados ao pote são, basicamente, os mesmos de uma geladeira normal, a exemplo de serpentina, compressor, termostato, dentre outros.
 
O pote-geladeira já está em pleno funcionamento, inclusive, sendo utilizado na oficina do autor da máquina. João disse que o instrumento deu tão certo, que já tem até encomenda pra fazer mais três, ao preço de R$ 500,00 cada um.
 
Em pesquisa na Internet, o inventor da nova forma de gelar água revelou que não encontrou nada parecido com a sua descoberta, e acredita que o produto vai se tornar conhecido na Paraíba e no resto do país, pois as pessoas que encomendaram os novos aparelhos pertencem às classes média e alta de São Bento-PB, o que lhe trouxe boas expectativas.
 
 
 
FONTE: Leomarque Pereira.

A amizade no Lísis de Platão

 
               Dentre as relações humanas destacam-se as várias formas de amor. O amor era entendido pelos gregos a partir de vários conceitos ou dimensões especificas, tais como: o amor erótico (Eros), a amizade (Philía), o amor espiritual (Ágape), etc. A amizade é uma das primeiras relações que os homens mantêm entre si em sua cotidianidade, e sua análise do ponto de vista filosófico é de grande importância, fato comprovado tanto pela análise feita pelos filósofos gregos mais importantes como Pitágoras, Platão e Aristóteles, Epicuro, além de Cícero e Sêneca (em Roma), como pela sua imediata proximidade na vida humana, no sentido de ser esta amizade uma relação espontânea.
 
Talvez em nenhum outro lugar a amizade assumisse tão grande importância quanto na Grécia clássica. Já nos tempos heróicos temos conhecimento da amizade perene entre Aquiles e Pátroclo, enfatizada na Ilíada de Homero, e no período clássico Sócrates é conhecido como admirador da amizade no seu sentido mais autêntico. O termo grego philía, que traduzimos por amizade é importante para se compreender inclusive a própria palavra “philosophia”, que remonta segundo a tradição a Pitágoras, que com grande humildade não queria ser chamado sábio (sofos - sophos), mas amigo (filos - philos) da sabedoria (sofia - sofia), reflexo disso também observamos em Sócrates, que ao dizer que sabia que nada sabia foi considerado o mais sábio entre os gregos pelo oráculo de Delfos.
 
Platão chegou a escrever um diálogo sobre tal assunto chamado Lísis, um diálogo da juventude no estilo maiêutico, tendo como principal interlocutor Sócrates. Lísis (lisis em grego) significa ‘libertação’ e, de certo modo, podemos compreender que a amizade nos possibilita uma saída do mundo sensível em direção ao mundo inteligível e do sumo Bem, ou seja, uma libertação das aparências, este que é o escopo da filosofia platônica. Também Aristóteles trata da questão da amizade em seu livro Ética a Nicômaco (livro VIII), dividindo-a em três tipos: a amizade por utilidade, por prazer e por virtude.
 
Segundo Epicuro: “De todas as coisas que nos oferece a sabedoria para a felicidade de toda a vida, a maior é a aquisição da amizade”. Epicuro é conhecido pela valorização da amizade, talvez o bem mais precioso cultivado no seu famoso jardim. Em muitos de seus aforismos destaca-se a importância dada à amizade como um bem e uma fonte de felicidade, seja para jovens, crianças e idosos.
 
A filosofia em sua essência só se dá numa relação amistosa, ou seja, a amizade à sabedoria pode ser compreendida também como uma sabedoria da amizade. Isto é evidente na medida em que os grandes filósofos sempre trataram a amizade como uma relação fundamental não apenas para a vida humana em geral, mas como condição de possibilidade do diálogo filosófico. Haveria diálogo possível entre inimigos?
 

O que faz a foto de uma mulher nua sobre um pedestal, num blog de respeito como este?

Não faz nada, ora.
 
Porque não se trata de uma mulher nua, amigas e amigos do blog.
 
Trata-se de uma obra de arte — uma escultura feita de resina e pintada pela americana Carole Feuerman, considerada uma das melhores artistas hiperrealistas do mundo, com trabalhos expostos em alguns dos melhores museus que existem, como o Metropolitan, de Nova York, e o Hermitage, em São Petersburgo, na Rússia.
 
Entre as personalidades que possuem obras de Feuerman estão o imperador Akihito, do Japão, o ex-presidente americano Bill Clinton e sua mulher, Hillary, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger e o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov.
 
“Sou mais conhecida por minhas escultuas hiperrealistas de nadadores e de pessoas tomando banho, minuciosas a ponto de conter cada sarda da pele e cada gota de água”, diz, com acerto, Feuerman. “Procuro esculpir a figura humana de forma tão semelhante a pessoas vivas para que as peças pareçam até respirar… ”
 
Para ficar no estado de perfeição que quer, a artista explica que uma peça pode requerer até 100 mãos de tinta, e lixar e polir entre cada camada, para alcançar o acabamento e a luminosidade necessários. Do começo ao fim, o processo de criar uma escultura pode levar de seis meses a vários anos.

 
 
Do Blog de Ricardo Setti

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) obteve, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), decisão que restabelece a validade da regulamentação que permite às operadoras de telefonia fixarem prazos para utilização de créditos inseridos em planos pré-pagos para telefonia móvel, segundo nota à imprensa do órgão regulador.
 
"A decisão, que produz efeitos imediatos, foi tomada ontem pelo presidente do STJ, Ministro Félix Fischer, em face de pedido de suspensão de liminar e sentença ajuizado pela Advocacia-Geral da União, por meio da Procuradoria Federal Especializada junto à Anatel e da Procuradoria-Geral Federal", afirmou o comunicado.
 
 
O Estadão

Aprendendo a viver

Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.

Thoreau, por exemplo, desolava-se vendo seus vizinhos só pouparem e economizarem para um futuro longínquo. Que se pensasse um pouco no futuro, estava certo. Mas «melhore o momento presente», exclamava. E acrescentava: «Estamos vivos agora.» E comentava com desgosto: «Eles ficam juntando tesouros que as traças e a ferrugem irão roer e os ladrões roubar.»

A mensagem é clara: não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe.

Cada um de nós, aliás, fazendo um exame de consciência, lembra-se pelo menos de vários agoras que foram perdidos e que não voltarão mais. Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida em que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.

Ele queria que fizéssemos agora o que queremos fazer. A vida inteira Thoreau pregou e praticou a necessidade de fazer agora o que é mais importante para cada um de nós.

Por exemplo: para os jovens que queriam tornar-se escritores mas que contemporizavam — ou esperando uma inspiração ou se dizendo que não tinham tempo por causa de estudos ou trabalhos — ele mandava ir agora para o quarto e começar a escrever.

Impacientava-se também com os que gastam tanto tempo estudando a vida que nunca chegam a viver. «É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber.» E dizia esta coisa forte que nos enche de coragem: «Por que não deixamos penetrar a torrente, abrimos os portões e pomos em movimento toda a nossa engrenagem?» Só em pensar em seguir o seu conselho, sinto uma corrente de vitalidade percorrer-me o sangue. Agora, meus amigos, está sendo neste próprio instante.

Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: «A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos.» É verdade: mesmo as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois «o que um homem pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino».

E, por mais inesperado que isso seja, ele dizia: tenha pena de si mesmo. Isso quando se levava uma vida de desespero passivo. Ele então aconselhava um pouco menos de dureza para com eles próprios. O medo faz, segundo ele, ter-se uma covardia desnecessária. Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio. «Creio», escreveu, «que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força.» E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas — e quem de nós não faz isso? —, como eu ia dizendo, ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!
 

Clarice Lispector, in Crónicas no 'Jornal do Brasil (1968)'

Da insônia

Muita gente consegue ter uma ótima noite de sono contando carneiros. Se possível, é aconselhável ter os carneiros no quarto. No entanto, se você é alérgico à lã, você também pode cortejar o sono contando panteras.

É claro que sempre existe o perigo de as panteras comerem você mas, se você sofre de insônia, isto é realmente a melhor coisa que pode lhe acontecer.


Groucho Marx in Groucho e Eu. São Paulo: Marco Zero, 1991

Ludovico Einaudi - Eros


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pombal/PB: O Ministério Público do Estado da Paraíba entra com ação civil pública para regularizar serviço de segurança privada dos eventos festivos promovidos pela AABB em Pombal – PB

A Promotoria de Justiça de Pombal – PB ingressou, no mês de outubro do corrente ano, com uma ação civil pública, com pedido de liminar (processo nº 0002728-39.2013.815.0301; 2A. VARA DE POMBAL/PB), objetivando a regularização do serviço de segurança privada fornecido pela Associação demandada (AABB – Pombal/PB) por ocasião dos eventos festivos por ela promovidos , tendo em conta que inúmeros consumidores sofreram e sofrem sérios riscos com a inadequação do serviço em questão.

Instaurado procedimento ministerial para apurar notícia de supostas irregularidades no âmbito da segurança privada fornecida pela AABB (Inquérito Civil Público nº 005.2012.000056/Promotoria de Justiça de Pombal/PB/MPVIRTUAL02), constatou-se que a atividade aludida estava sendo desempenhada de forma alheia aos parâmetros normativos pertinentes.
 
De fato, restou incontroverso que o serviço referenciado era prestado mediante a contratação verbal de pessoas físicas dedicadas a tal atividade, a despeito da necessidade de contratação de empresas cujas atividades de segurança privada estejam previamente autorizadas pelo Departamento de Polícia Federal – DPF.
 
Também pode ser verificado que a AABB em Pombal – PB não possuía nenhum registro formal dos seguranças/vigilantes (nome e outros dados identificadores), com a consequente inviabilização do acesso a tais dados pelos consumidores e a registro das ocorrências com a atuação da segurança privada.

Ademais, os seguranças/vigilantes trajavam uniformes, sem constar apito com cordão e plaqueta de identificação do vigilante, autenticada pela empresa, constando o nome, o número da CNV, fotografia colorida em tamanho 3 x 4 e a data de validade, sendo que nunca foi exigido que estes portassem a CNV (Carteira Nacional de Vigilante), constando seus dados de identificação e as atividades a que estão habilitados.

A conduta combatida violou a Constituição da República (art. 5º, “caput”), o Código de Defesa do Consumidor (art. 4º, II, “d”; art. 6º, I e III), a Lei Federal nº 7.102/83 (art. 17) e a Portaria nº 3.233/2012-DG/DPF (art. 1º, §1º; art. 13, §4º; art. 149; art. 157; art. 159 e art. 164).

Mister destacar que, na cidade de Pombal – PB, que a Associação demandada promove regularmente eventos festivos/sociais com grande quantidade de pessoas, aflorando necessária a efetividade do serviço de segurança privada para a manutenção da ordem do local, a integridade física dos participantes e a inocorrência de danos patrimoniais.

Foi intentada a resolução amistosa do caso, mediante a proposta de termo de ajustamento de conduta [TAC], mas não se consolidou o deslinde amigável.

No processo, os pedidos do Ministério Público foram os seguintes: “o reconhecimento da procedência do pedido para: "[d.1] condenar o(a) demandado(a) ao pagamento de indenização pelos danos morais/extrapatrimoniais coletivos aludidos nos autos e [d.2] sob pena de multa diária no valor de R$100.000,00 (cem mil reais) para cada evento realizado irregularmente, determinar que o(a) demandado(a), cumulativamente, nos eventos festivos realizados na AABB/Pombal/PB, [d.2.1] abstenha-se de contratar segurança privada, armada ou desarmada, desenvolvida por pessoa(s) física(s) e/ou por empresas (pessoas jurídicas) cujas atividades de segurança privada não estejam previamente autorizadas pelo Departamento de Polícia Federal – DPF (alvará/autorização emitida pelo Coordenador-Geral de Controle de Segurança Privada) e/ou cujo alvará/autorização não esteja vigente, [d.2.2] só possa realizar evento festivo mediante a prévia contratação formal (por escrito) de segurança privada, armada ou desarmada, em quantitativo compatível com o público esperado, sendo a atividade de segurança desenvolvida exclusivamente por empresas (pessoas jurídicas) cujas atividades de segurança privada estejam previamente autorizadas pelo Departamento de Polícia Federal – DPF e cujo alvará/autorização esteja vigente, [d.2.3] admita, na segurança privada armada ou desarmada regularmente contratada, exclusivamente vigilantes portando a CNV vigente (Carteira Nacional de Vigilante; constando seus dados de identificação e as atividades a que está habilitado) e trajando uniformes possuidores de características que garantam a sua ostensividade (com os seguintes elementos: I - apito com cordão; II - emblema da empresa; e III - plaqueta de identificação do vigilante, autenticada pela empresa, com validade de seis meses, constando o nome, o número da Carteira Nacional de Vigilante - CNV e fotografia colorida em tamanho 3 x 4 e a data de validade), [d.2.4] fiscalize o cumprimento dos deveres dos vigilantes e comunique oficialmente, por escrito, à empresa contratada eventuais infrações cometidas (Art. 164, Portaria nº 3.233/2012-DG/DPF), e [d.2.5] garanta a todos os consumidores o livre acesso às informações/dados/documentos referentes às eventuais infrações cometidas pelos vigilantes, bem como à documentação contratual pertinente à segurança privada, nomes dos vigilantes/seguranças, relatórios sobre ocorrências, etc. (art. 6º, III, CDC)”.

De fato, a presente ação aflorou imprescindível para garantir a efetividade das normas de proteção à vida, à segurança e à propriedade, núcleos essenciais do postulado da dignidade da pessoa humana, previsto no art. 1º, III da Constituição Federal.



Fonte: Ministério Público/Promotoria de Pombal