terça-feira, 13 de agosto de 2013

Humor

Arte de Antonio Lucena

Servidores do STF querem ter carreira especial no funcionalismo

Os servidores do Supremo Tribunal Federal (STF) entregaram ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, um documento reivindicando que seja criada uma carreira do funcionalismo exclusiva para eles. Seria um grupo formado apenas pelos 1.119 servidores do Supremo, que assim se descolaria dos 120 mil de todo o Judiciário. O objetivo é que fique mais fácil obter aumentos salariais.

 
No documento encaminhado a Barbosa, a comissão diz que “qualquer pretensão de melhoria salarial esbarra no argumento da inviabilidade orçamentária, em virtude do elevado número de servidores, apesar da autonomia do Poder Judiciário”. Com a criação de uma carreira própria, o impacto financeiro do reajuste a 1.119 servidores seria menor e, portanto, mais viável do que se concedido a 120 mil pessoas.
 
 
André de Souza, O Globo

Frase

"O STF não pode impor sua vontade. Viver em um Estado de Direito significa fazer tudo o que eu posso, e não tudo o que eu quero.
 
 
Luis Roberto Barroso, ministro do STF, ao defender que o Congresso decida sobre a perda de mandato de parlamentares condenados

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Antônio Silvino


Uma foto tem circulado nas redes sociais, mostrando dois homens de terno, frente a frente. São eles o presidente-ditador Getúlio Vargas e o ex-cangaceiro Antonio Silvino, que recebera indulto após 23 anos de cadeia, por bom comportamento (havia sido condenado a 239 anos). Diferentemente de Lampião, que em vinte anos de cangaço nunca foi preso, Silvino cumpriu pena, alfabetizou-se na prisão, converteu-se ao protestantismo e trabalhou em vários tipos de artesanato até receber o indulto de Vargas. São duas histórias diferentes, dois finais diferentes. Lampião, que era 23 anos mais novo, morreu numa emboscada na gruta de Angicos em 1938. Silvino, aprisionado em 1914 (antes mesmo de Lampião entrar para o cangaço) morreu em 1944, na casa de uma prima, em Campina Grande. (Quando eu era menino, várias vezes me mostraram a vilazinha humilde onde ele findou seus dias, em frente à Praça Félix Araújo, esquina com a Arrojado Lisboa).

A carreira de Silvino está documentada nos folhetos de Francisco das Chagas Batista, que cobrem suas aventuras até 1912. Uma ótima avaliação deles está em Memória de Lutas de Ruth Brito Lemos Terra (Global, 1983), onde ela compara a abordagem de Chagas Batista, mais documental, com a de Leandro Gomes de Barros, mais fantasiosa e romantizada. Tal como Lampião, Silvino foi exaltado por poetas e escritores como um guerreiro nobre e ético. Em As Infâncias de Quaderna, de Ariano Suassuna, é ele quem resgata o menino Quaderna, raptado por ciganos, e o devolve à família; em Menino de Engenho, José Lins do Rego reconstitui uma visita do cangaceiro ao coronel José Paulino, que o recebe à mesa, com todas as honras.
 
Foi, aliás, o próprio Zé Lins que em 1938 levou Graciliano Ramos a visitar Silvino na prisão, antes do seu indulto. Numa crônica no Jornal de Alagoas (18-9-1938, aqui: http://bit.ly/NI7SRl), Graciliano faz um retrato elogioso do ex-cangaceiro, onde ficam evidentes os preconceitos de raça e classe que ambos inconscientemente compartilhavam. Diz ele: “Antonio Silvino é um homem branco. Seria mais razoável que fosse um representante das raças inferiores, que, no Nordeste e em outros lugares, constituem a maioria da classe inferior. Mas é um branco, e se for examinado convenientemente, não dá para bandido. (...) Homem de ordem, indispôs-se com outros homens de ordem, fez tropelias no sertão, caiu numa cilada e penou vinte anos para lá das grades. Continuou, porém, a ser o que era, apesar da cadeia: homem de ordem, membro da classe média, com todas as virtudes da classe média”. Sertanejos escritores, políticos ou cangaceiros que respiravam o mesmo ar, as mesmas idéias.
 
 
Braulio Tavares

Coca-cola, o doce veneno


domingo, 11 de agosto de 2013

Charges

 


Crianças são crianças

Você já parou para analisar o que diz, pede ou manda uma criança fazer? Experimente. Provavelmente irá se surpreender. Já vi e ouvi coisas absurdas que quero aqui compartilhar.

 
Certa vez, caminhava pela rua quando, pouco adiante, duas crianças saiam de um carro e sua jovem mãe logo atrás. Rapidamente as crianças subiram numa pequena grade que cercava um prédio. O que vi a seguir foi realmente absurdo. Aquela estressada mãe deu um enorme empurrão em cada uma das crianças, para que descessem dali, gritando-lhes o quanto eram danadas, desgraçadas; que se caíssem iriam dar trabalho para ela. Diga-se de passagem que o pai ia junto, sem dizer qualquer palavra.

 
Crianças são crianças, vivem subindo em grades, cercas, sofás, mesas, etc. E, pode acreditar, não fazem isso só para irritar os adultos. Fazem porque têm uma energia vital, porque são aventureiras, porque precisam ver as coisas de cima, como só os adultos vêem. De outra vez, uma mãe levou seu filhinho de uns 4 anos rigorosamente vestido, penteado e arrumado para o departamento infantil da igreja e lhe deu ordens estritas de não se sujar. Criança é criança! Ela gosta de desenhar no papel, na mesa, no chão; gosta de sentir a textura da massa, da areia, da tinta; há centenas de coisas à sua volta para descobrir, conhecer, experimentar, por isso é mais prático limpar as mãozinhas na roupa ou na toalha do que perder tempo indo lavar as mãos. 

 
Doutra feita, um pai repreendeu o filho, chamando-o de mentiroso e ordenando-lhe que fosse para a cama dormir porque não havia monstro algum no quarto. Criança é criança. Em sua imaginação existe super-herói, monstro, papai-noel, chupa-cabra e etc. No escuro, uma camisa dependurada vira fantasma, uma sombra vira monstro, um ruído vira um estrondo.

 
Conheço uma mãe que dizia aos filhos que, se chegasse do trabalho e não encontrasse tudo em ordem, cabeças iriam rolar. Sabe o que a criança imagina nessa hora? Suas cabeças rolando pelo chão ou pelo ar, como bolas. Crianças não fazem associações subjetivas. Seu trabalho mental é no concreto, no que conhecem de ver, tocar. Por isso, é importante conversar com elas usando palavras claras e simples, exemplos palpáveis. Sua infindável curiosidade irá se satisfazer quando ela encontrar as respostas certas.

 
Por que a criancice da criança irrita o adulto? Por que é exigido dela comportamento de gente grande? Dê uma resposta para você mesmo a estas perguntas.

 
Devemos então deixá-las pular em cima de todos os sofás, mesas e árvores; que se sujem dos pés à cabeça; levar ao pé da letra tudo o que dizem? Claro que não. Crianças para se tornar adulto responsável precisa de limites, regras, educação. E, acima de tudo, da sua mão.

 
Que nas brincadeiras a crianças encontre diversão; nas dúvidas encontre verdadeiras respostas; nas conversas, sinceridade; na solidão e no medo, uma voz familiar que lhe diga: Estou aqui, meu filho...


Elizabete Bifano
Psicóloga
 

Obrigado meu filho!


Aos pais


Homens pobres são melhores namorados

Todos pensam que as mulheres se interessam pelos homens mais ricos. Pode até ser verdade, mas agora elas terão ótimos motivos para darem uma chance aos menos endinheirados.
 
Não é de hoje que já percebemos que os mais ricos colocam o relacionamento em segundo plano, enquanto os mais pobres se esforçam muito pela relação.
 
Confira algumas razões pelas quais você deve dar uma chance aos homens pobres:
 
São mais fiéis
Os caras famosos, cheios de dinheiro são tentados a trair. Pesquisas mostram que aqueles que ganham menos são mais fieis, e que os mais ricos são mais mentirosos. Exemplo disso é o jogador Tiger Woods que admitiu ser viciado em sexo e declarou se sentir tentado a trair por causa do seu sucesso.
 
Conquistam seus amigos
Segundo o jornal americano Psychological Science, os homens mais pobres são mais educados do que os ricos quando conhecem novas pessoas. Então o menos endinheirado vai se esforçar muito mais para conquistar os seu amigos e fazer parte do seu convívio social.
 
Incentiva suas ambições
Um homem de sucesso pode até ser mais sexy do que os outros, mas eles tendem a se preocuparem unicamente com eles, enquanto os menos favorecidos são compreensivos e incentivam as companheiras a alcançarem seus sonhos.
 
Sexo de qualidade
O homem que tem uma condição financeira não muito boa, vai usar tudo o que tem para conquistar e manter a sua mulher. Logo, ele irá caprichar na hora do sexo na tentativa de conquistar o coração de sua amada de todas as maneiras.
 
Existem muitos outros motivos para fazerem as mulheres desencanarem dessa ideia de que homem tem que ser rico. Já passou da hora de conquistarem as coisas por si próprias, sem depender do companheiro. Na hora de dar ou não uma chance para um homem é necessário avaliar outros fatores que são muito mais importantes do que o financeiro, como a forma que ele te trata, a atenção, o carinho e honestidade.
 
 

"Escrever é voltar ao local do crime. Não há como fugir-lhe: volta-se sempre."
 
(Teolinda Gersão)

sábado, 10 de agosto de 2013

Charge


Mitologia grega. A deusa Hera

Na mitologia grega Hera é a deusa dos deuses, regente do casamento. Retratada como majestosa e solene, muitas vezes coroada, Hera algumas vezes ostenta em sua mão uma romã, símbolo da fertilidade, sangue e morte, um substituto para as cápsulas da papoula de ópio. Argos Panoptes foi um dos seus fieis ajudantes e em recompensa, após sua morte, ela o transformou em um pavão que passou a ser relacionado a ela. Iris era sua fiel servente e mensageira.

Hera, a mais excelsa das deusas, é representada na Ilíada como orgulhosa, vaidosa, obstinada, ciumenta e rixosa. Possuía sete templos na Grécia e mostrava apenas seus olhos aos mortais, usando uma pena do seu pavão para marcar os locais que protegia. Como esposa de Zeus, Hera também tinha poder sobre os fenômenos celestes. Podia derramar chuvas benéficas ou desencadear tempestades. A união de Zeus e Hera era como um símbolo de toda a natureza. O calor, as chuvas e os raios do sol que penetravam no solo através do casal, fecundavam a Terra.

Presidia a casamentos e nascimentos e era representada como uma respeitável matrona, conduzindo um cetro ou coroa. Em Roma seu festival era chamado Matronália, onde era tratada como Juno. Sua figura era considerada maléfica e vingativa, e Hera não poupava seus inimigos e suas rivais. Hera teve quatro filhos, e nem mesmo com eles, Hera foi condescendente:
  • Hefesto, a divindade do fogo e dos metais, foi considerado muito feio e desajeitado quando nasceu. Hera jogou-o do Monte Olimpo tornando Hefesto coxo. Mas Hefesto aprendeu um ofício e se tornou um hábil ferreiro. Casou com Afrodite, que tinha muitos amantes e seu principal rival era seu irmão Ares.
  • Ares, deus da guerra e da violência, tinha Éris como companheira de batalha - deusa da discórdia. Ares amava o calor da batalha e exultava em derrotar o inimigo. Sempre foi repelido pelos deuses pois estava sempre associado aos conflitos e guerras sangrentas, usando sua força bruta e sem refinamento. Era amante de Afrodite, a esposa de seu irmão Hefesto, com quem teve vários filhos, e também outras inúmeras amantes.
  • Hebe, a deusa da eterna juventude, servia néctar e ambrosia aos deuses. Casou-se com Héracles ou Hércules quando ele foi aceito no Olimpo.
  • Ilítia era a deusa responsável pelos partos e foi convencida por Hera a antecipar o parto da irmã de Alcmena, para evitar que Hercules fosse rei na Grécia.
  • Segundo as lendas, teria ainda gerado sozinha Tifão, um monstro terrível, que trazia o corpo coberto por escamas, cabeças de dragão entre os dedos, lançando fogo dos olhos
Hera e Zeus tiveram as núpcias no Jardim das Hespérides, em eterna primavera. Como legítima esposa de Zeus, Hera foi considerada protetora das esposas e do amor legítimo. A deusa era excessivamente ciumenta e sempre estava irritada com as infidelidades do marido, perseguindo suas amantes e filhos gerados com deusas e mortais.

Hera possuia muitas rivais, entre elas, a bela Calisto. Por inveja da sua imensa beleza, que conquistara o seu marido, transformou-a numa ursa. Helena de Tróia, possuia a reputação de mulher mais bonita do mundo e isso despertava a inveja em Hera. Outra de suas rivais foi Io, transformada em uma vaca e perseguida por Hera em muitas partes da terra.

O único filho de Zeus que Hera não odiava era Hermes e sua mãe Maia, porque Hermes demonstrou grande habilidade e inteligência, tornando-se o mensageiro dos deuses.
Hera também provocou a morte de Sêmele quando ela estava grávida de Dioniso e tentou impedir o nascimento dos gêmeos Apolo e Ártemis, filhos de Zeus e Leto. Para fugir da vigilância da esposa, Zeus se metamorfoseava em diferentes formas, como em touro, cisne, chuva de ouro ou no marido da mulher desejada, como fez para seduzir Alcmena, mãe de Hercules.

Quando Zeus engravidou a mortal Alcmena, Ilitia predisse que o primeiro neto do pai da Alcmena ia se tornar o rei da Grécia. Alcmena e sua irmã estavam grávidas. Hera, com ciúmes de Zeus, pediu a Ilítia que causasse o parto da irmã antes de 9 meses e nasceu Euristeus que se tornou rei da Grécia, posto que era reservado para Hercules, filho de Alcmena.

Hera odiava sobretudo Hercules. Quando ele nasceu, para torná-lo imortal, Zeus pediu a Hermes que o levasse ao seio de Hera e o fizesse mamar. Ele sugou o leite divino com tanta força que feriu a deusa. Hera o afastou com violência mas o leite continuou a jorrar e as gotas formaram a Via Láctea.


Hera tentou matar Hercules quando ele era apenas um bebê. Com sua tentativa frustrada de matá-lo ainda criança, Hera influenciou Euristeus, que o envolveu em muitas aventuras perigosas que ficaram conhecidas como "doze trabalhos". Mas Hércules destruiu seus sete templos e, antes de terminar sua vida mortal, aprisionou Hera em um jarro de barro que entregou a Zeus. Depois disso, ele foi aceito como deus do Olimpo.

Tirésias também foi uma de suas vítimas. Certa vez, tendo sido chamado para resolver uma questão entre Hera e Zeus, enraivecida com as verdades do adivinho, Hera o cegou. Ixíon, rei dos Lápitas, tentou seduzir a deusa, mas acabou abraçando uma nuvem, que Zeus confeccionou à semelhança da esposa. Os Centauros nasceram dessa união. Para castigar Íxion, Zeus fez com que se alimentasse de ambrosia, o manjar da imortalidade, e o lançou-o no Tártaro, onde ficou girando eternamente numa roda de fogo.

Durante as núpcias de Peleu e Tétis, Éris – a Discórdia – convidada a não comparecer, jogou uma maçã de ouro para a mais bela das deusas. Nessa célebre disputa da mais bela deusa entre Hera, Atena e Afrodite, Zeus incumbiu Paris de decidir a disputa. As deusas tentaram subornar Paris, prometendo presentes em troca do voto: Hera ofereceu o governo do mundo; Atena, sabedoria. Afrodite ofereceu o amor da mais bela mulher, conseguindo ganhar o cobiçado título. Isso deu origem à famosa Guerra de Troia.
Françoise de Haricot:::Les Petits Pois: C’est à Toi que Je Te Rendre. Parque do Ibirapuera - SP, 2007

"E caí, como um corpo morto cai.”

 
Dante Alighieri. La Divina Commedia. Infern
Canto V, 142:

Conclusão

Os impactos de amor não são poesia
(tentaram ser: aspiração noturna).
A memória infantil e o outono pobre
vazam no verso de nossa urna diurna.

Que é poesia, o belo? Não é poesia,
e o que não é poesia não tem fala.
Nem o mistério em si nem velhos nomes
poesia são: coxa, fúria, cabala.

Então, desanimamos. Adeus, tudo!
A mala pronta, o corpo desprendido,
resta a alegria de estar só, e mudo.

De que se formam nossos poemas? Onde?
Que sonho envenenado lhes responde,
se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?

Carlos Drummond de Andrade in Fazendeiro do Ar. Reunião: 10 Livros de Poesia. RJ: José Olympio, 1969

Internação compulsória, higienismo e eutanásia

O último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) mostrou um número preocupante: 2,6 milhões de brasileiros são usuários de crack ou cocaína e metade deles é dependente dessas substâncias. A mesma pesquisa, divulgada em setembro do ano passado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apontou que 46% dos que consomem a droga são provenientes da Região Sudeste. Apesar da falta de dados oficiais da quantidade em cada estado, sabe-se que Rio de Janeiro e São Paulo têm a maior concentração de casos da região, especialmente em suas capitais. Não por acaso, foram nesses locais as primeiras manifestações do poder público em prol da , ou seja, sem o consentimento do paciente, como forma de solucionar um antigo problema.

Apenas nos oito primeiros meses do ano passado, o governo municipal da capital paulista apreendeu mais de 15 mil pedras de crack no centro da cidade. No Rio de Janeiro, a prefeitura acolheu, nos dois últimos anos, 6,5 mil dependentes em abrigos temporários. Entretanto, os abrigados voluntariamente retornam às ruas e voltam a consumir, dias após a internação, e geralmente nos mesmos lugares, bem embaixo do nariz do poder público. Cabe aqui um esclarecimento: a dependência química é uma doença cerebral. Ela leva a uma redução do funcionamento de circuitos neuronais, responsáveis pela nossa capacidade decisória. Assim, quem sofre dela, na maior parte das vezes não tem condições de decidir se precisa ou não de tratamento.

O que fazer então? Deixar essas pessoas morando na rua, expostas a todas as consequências do consumo das drogas? A questão se agrava quando se fala de usuários que estão colocando em risco a própria vida. Se por um lado eles incomodam a paz pública, por outro eles estão morrendo a olhos vistos. A passou então a ser uma opção. Desde janeiro, o governo estadual de São Paulo oficializou a medida. Assim, qualquer pessoa que presencie um usuário de drogas atentando contra a própria vida ou contra a vida do outro pode entrar em contato com as autoridades, que permitirão o acolhimento do paciente, mesmo contra a vontade dele.

Em fevereiro, a Prefeitura do Rio de Janeiro realizou as primeiras operações nas cracolândias. Entre os cerca de 3 mil abrigados, já nas primeiras operações, era grande a quantidade de pessoas que apresentava doenças relacionadas ao uso da droga, incluindo desnutrição. A polêmica de tal medida deve-se justamente ao fato de que muitos daqueles que são internados forçosamente são apenas levados a um hospital municipal, que não é especializado no tratamento de dependentes de drogas. Lá eles permanecem por pouco tempo e não recebem o atendimento adequado. Feita dessa forma, tal medida acaba por se tornar antiética e desumana, com propósitos visivelmente higienistas.

Por seu lado, o que fazer com um indivíduo que, se deixado à própria sorte, claramente terminará por morrer devido a uma doença? O que você faria se encontrasse uma pessoa atropelada no meio da rua, desacordada? Esperaria ela voltar à lucidez para verificar se deseja socorro? Dependentes de droga podem escolher morrer? Não internar compulsoriamente esses indivíduos seria uma espécie de eutanásia pública. É acreditar que o dependente tem a mesma clareza de raciocínio que alguns pacientes terminais, quando desejam optar por encurtar sua jornada até a morte. E mesmo isso é polêmico. Como dito anteriormente, dependentes graves não têm capacidade de escolha, e por vezes cabe à família ou ao Estado zelar pelo direito deles à saúde e à vida. Sob esse ponto de vista, a é plenamente defensável.

Mas, para que a política que vem sendo adotada realmente apresente resultados, é preciso que todas as cidades que enfrentam a ameaça do crack estejam equipadas para atender os dependentes de forma adequada. É preciso que disponham de espaço físico, medicamentos e profissionais habilitados para o tratamento. Caso contrário, corre-se o risco de "amontoar" as pessoas em abrigos, transformando-os em "depósitos humanos", incapazes de recuperar qualquer pessoa. O objetivo não é esconder o problema dos olhos da população, mas sim resolvê-lo de forma responsável e humana.
 
 
Analice Gigliotti
Correio Braziliense

Deu no rádio: presepada!

"Ênio Carlos ouvia opiniões do povo, pelo telefone, sobre a violência, no Ceará, e essa conversa de maioridade penal. É 16, 18 ou é o quê, perguntava Ênio, na Verdinha. Eis que ... um cavalheiro chamado Daniel de Tal entra no ar e sugere: Esses bandidos, os criminosos, assassinos, já que vivem às nossas custas, quando presos, devem pagar à sociedade.
 

E exemplificou: Quando alguém precisar de uma córnea, tira de um preso. Quando precisar de um pulmão, tire de um preso. Um rim, tira de um preso. Asseguro que ainda não é tudo, mas vai cair 80% a criminalidade ..."
 
Por Macário Batista.

Juiz defende pena de morte para magistrado corrupto

O juiz Roberto Bacellar, candidato à presidência da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), defendeu pena de morte para juízes corruptos. "Não se admite pena de morte no Brasil, eu sou contra a pena de morte, mas para esse tipo de autoridade, como juiz, como polícia, que pratica atos de corrupção, aí até mesmo a pena de morte eu acho que seria adequada no País. É duro isso que estou falando, mas é porque quem tem o dever de dar proteção para o cidadão, de ser firme, correto, não pode ser corrupto."
 
As declarações de Bacellar agitam a toga. Aliados consideram que ele foi "imprudente" ao pregar a pena capital para os próprios pares envolvidos com malfeitos. Adversários fazem críticas.
 
 
Fausto Macedo, Estadão
 
"Que sejas tu,
a continuidade da minha canção.
Que sejas tu,
a essência de meus versos,
a rima mais perfeita,
o verbo que conjugo.
Que sejas tu,
o término de minha busca.
O escolhido.
O marcado.
Que sejas meu objetivo alcançado.
Que acima de tudo,
sejas o amor jurado.
Que diante do que desejo, sejas
Seja eu, teu raio de sol.
Seja eu, a tua euforia,
tua maior alegria,
O encanto de teus dias.
Que além de teus sonhos,
Seja eu, a tua realidade.
A essência, o corpo que te invade.
O abraço que te enlaça,
O beijo que nos sela.
O amor que nos espera.
Tu e Eu , EU e TU...
Que Assim Seja!"
 
Pablo Neruda  

Sarah Jaffe


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Tribunal de Justiça da Paraíba: Dois pesos e duas medidas



Carta pluma

 a uma carta pluma
só se responde
com alguma resposta nenhuma
algo assim como se a onda
não acabasse em espuma
assim algo como se amar
fosse mais do que a bruma

uma coisa assim complexa
como se um dia de chuva
fosse uma sombrinha aberta
como se, ai, como se,
de quantos se
se faz essa história
que se chama eu e você
 
 
Paulo Leminski