Em Lahore, no Paquistão, muçulmanos viajam em trem lotado rumo ao festival Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, mês sagrado para os islâmicos.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Amor aos 80
Quero falar de “Amor” e não sei por onde começar, suspensa em minhas emoções diante desse filme impactante como fiquei durante a projeção. A câmara parada não me deu descanso, o ritmo lento, quase em tempo real, não me deu descanso, o roteiro não me deu descanso. Eu não tive como escapar, ou pelo menos repousar, do sofrimento alheio. Não me foi dada a clemência de um ponto de fuga.
Nem a mim, nem às personagens. A essa altura todos já sabem qual é a história do filme, um casal de musicistas octogenários vive sua vida avançada mas sem sobressaltos até o momento em que ela, Anne, tem um primeiro derrame. Terá outros depois. E porque fez o marido prometer que não a internaria em um hospital, cabe a ele cuidá-la. É disso que se trata, de um ser humano cuidando de outro. Não como uma mãe trata de um filho, nem como um filho trata de um dos pais. Aqui ninguém é jovem, ninguém tem resistência física, e a interferência externa é mínima. Mas sobretudo, aqui opera-se dentro de uma relação de amor.
Amor aos 80. Não lassidão, permanência passiva, hábito, mas amor. Os outros olham de fora um velho casal e, entre ternura e desconfiança, se perguntam como isso é possível – difícil acreditar na integridade da velhice sem estar dentro dela. De que é feito um amor já tão distante da paixão inaugural, em que o sexo é precário quando não inexistente? De que vive um amor quando a surpresa se tornou improvável?
O amor do casal do filme vive de colcheias. Logo no início, de volta de um concerto, fazendo pequenas coisas pela casa, os dois comentam a qualidade das colcheias obtida pelo pianista. A música é seu universo de cumplicidade, é onde se movem seguros da compreensão um do outro. Um universo de cumplicidade é estufa muito propícia à vida e manutenção do amor.
E o amor daquele casal vive, visivelmente, de si mesmo. Nenhum outro afeto mais completo e circular do que o que sentem um pelo outro nos é apresentado. Até surpreende a distância quase formal com que a filha única entra em cena. Do neto, percebe-se, quase não têm notícia. São eles, a musica, e o entrosamento conquistado ao longo de anos de convivência.
O amor da velhice é um amor de juventude polido, amaciado pela flanela dos dias, é um amor com pátina. Mas é um amor que, tendo se tornado indissolúvel, enfrenta o aproximar-se da dissolução. Desses dois que se querem e que para ficarem juntos venceram todos os obstáculos que a vida foi pondo à sua frente, desses dois que agora se encostam confiantes um no outro como cavalos cansados, um vai ter que trair o pacto de amor e deixar o outro.
No amplo apartamento parisiense de pisos que rangem, onde ele e ela tomam café da manhã na mesa da cozinha apertada contra um canto de parede, o pacto começa a ser traído quando no cérebro de Anne algum circuito se interrompe por minutos.
Nenhum jovem casal é obrigado a enfrentar essa ruptura compulsória com vago aviso prévio. E não quando todas as outras ameaças –tantas - foram superadas. Tudo está bem na vida de um velho casal que se ama, os corpos ainda se querem, a seu modo, e é cada dia mais fácil comentar colcheias. A alma ganhou um tanto de peso pelo caminho, se pôs mansa. Mas em algum ponto da máquina, sem que ainda se veja, algum circuito está prestes a se romper.
Nem a mim, nem às personagens. A essa altura todos já sabem qual é a história do filme, um casal de musicistas octogenários vive sua vida avançada mas sem sobressaltos até o momento em que ela, Anne, tem um primeiro derrame. Terá outros depois. E porque fez o marido prometer que não a internaria em um hospital, cabe a ele cuidá-la. É disso que se trata, de um ser humano cuidando de outro. Não como uma mãe trata de um filho, nem como um filho trata de um dos pais. Aqui ninguém é jovem, ninguém tem resistência física, e a interferência externa é mínima. Mas sobretudo, aqui opera-se dentro de uma relação de amor.
Amor aos 80. Não lassidão, permanência passiva, hábito, mas amor. Os outros olham de fora um velho casal e, entre ternura e desconfiança, se perguntam como isso é possível – difícil acreditar na integridade da velhice sem estar dentro dela. De que é feito um amor já tão distante da paixão inaugural, em que o sexo é precário quando não inexistente? De que vive um amor quando a surpresa se tornou improvável?
O amor do casal do filme vive de colcheias. Logo no início, de volta de um concerto, fazendo pequenas coisas pela casa, os dois comentam a qualidade das colcheias obtida pelo pianista. A música é seu universo de cumplicidade, é onde se movem seguros da compreensão um do outro. Um universo de cumplicidade é estufa muito propícia à vida e manutenção do amor.
E o amor daquele casal vive, visivelmente, de si mesmo. Nenhum outro afeto mais completo e circular do que o que sentem um pelo outro nos é apresentado. Até surpreende a distância quase formal com que a filha única entra em cena. Do neto, percebe-se, quase não têm notícia. São eles, a musica, e o entrosamento conquistado ao longo de anos de convivência.
O amor da velhice é um amor de juventude polido, amaciado pela flanela dos dias, é um amor com pátina. Mas é um amor que, tendo se tornado indissolúvel, enfrenta o aproximar-se da dissolução. Desses dois que se querem e que para ficarem juntos venceram todos os obstáculos que a vida foi pondo à sua frente, desses dois que agora se encostam confiantes um no outro como cavalos cansados, um vai ter que trair o pacto de amor e deixar o outro.
No amplo apartamento parisiense de pisos que rangem, onde ele e ela tomam café da manhã na mesa da cozinha apertada contra um canto de parede, o pacto começa a ser traído quando no cérebro de Anne algum circuito se interrompe por minutos.
Nenhum jovem casal é obrigado a enfrentar essa ruptura compulsória com vago aviso prévio. E não quando todas as outras ameaças –tantas - foram superadas. Tudo está bem na vida de um velho casal que se ama, os corpos ainda se querem, a seu modo, e é cada dia mais fácil comentar colcheias. A alma ganhou um tanto de peso pelo caminho, se pôs mansa. Mas em algum ponto da máquina, sem que ainda se veja, algum circuito está prestes a se romper.
Marina Colasanti
Estado de Minas, quinta feira, 24 de janeiro de 2013
Insânia
Afundei minha louca
fantasia;
Cedo atraiu-me a auréola
fulgidia
Da refulgência antiga das
idades.
Mas ao esplendor das velhas
majestades
Vacila a mente e o seu ardor
esfria;
Busquei então na nebulosa
fria
Das ilusões, sonhar novas
idades.
Que desespero insano me
apavora!
Aqui, chora um ocaso
sepultado;
Ali, pompeia a luz da branca
aurora.
E eu tremo entre um mistério
escuro:
- Quero partir em busca do
Passado,
- Quero correr em busca do
Futuro.
Augusto dos Anjos
Augusto dos Anjos
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Senado acaba com a aposentadoria como pena para juiz
O plenário do Senado aprovou ontem (6) o substitutivo do senador Blairo Maggi
(PR-MT) à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 53, que estabelece o fim da
aposentadoria compulsória para magistrados e membros do Ministério Público como
forma de punição disciplinar.
Agência Brasil
Pelo texto de Maggi aprovado em dois turnos, os magistrados acusados de
delitos graves, como crimes hediondos ou corrupção, passam a ser colocados em
disponibilidade por até dois anos. Nesse período, eles receberão proventos
proporcionais ao tempo de contribuição previdenciária e o Ministério Público
deverá encaminhar denúncia para início de processo judicial. Ao fim do processo,
se eles forem considerados culpados, serão demitidos e não mais aposentados
compulsoriamente como prevê a lei atual. Se forem inocentados, eles retomam as
atividades e receberão a diferença de seus proventos.
O senador também incorporou em seu substitutivo a PEC 75, que tramitava
apensada à PEC 53 e que trata das punições disciplinares de membros do
Ministério Público. Atualmente, a pena máxima para eles também é a aposentadoria
compulsória, mas a proposta de Maggi é de que eles possam ser demitidos ou ter
as aposentadorias cassadas. Nesse caso, se forem condenados pelo Conselho
Nacional do Ministério Público também ficam inicialmente afastados e recebendo
proventos proporcionais ao tempo de serviço enquanto processo judicial é
apresentado e concluído.
O Ministério Público terá 90 dias para apresentar as denúncias contra os
magistrados, procuradores ou promotores acusados de crimes. Os processos terão
tramitação preferencial na Justiça e devem ser concluídos com rapidez.
“Nós não veremos mais juízes ou promotores que forem condenados por corrupção
continuando com seus vencimentos integrais, como nós víamos antigamente. A
partir de agora, qualquer membro do Ministério Público ou da magistratura que
for condenado por algum tipo de crime perderá esses vencimentos que ele tinha e
cairá no Regime Geral da Previdência Pública, como todo mundo tem hoje, com R$
3.900 [o teto é R$ 4.157,05]”, explicou Maggi.
Segundo o senador, foi assegurado aos juízes, promotores e procuradores o
amplo direito de defesa, com prazos de afastamento anteriores à punição máxima
para garantir que aqueles que estejam sendo acusados não sejam punidos
severamente, mas também não continuem atuando sob suspeição. “Nós colocamos duas
penalidades anteriores a isso [à demissão]. Primeiro, o afastamento por 90 dias.
Levando adiante a denúncia, ele pode ficar em disponibilidade por dois anos, com
vencimentos proporcionais. Em dois anos, nós teremos que ter julgado e
transitado o processo para que ele possa ser excluído da magistratura ou do
Ministério Público se for condenado”, disse.
A PEC segue agora para a Câmara dos Deputados, onde precisa ser aprovada em
dois turnos. Se receber alterações, ela voltará ao Senado para última análise. A
proposta faz parte das matérias elencadas pelo presidente do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL), como resposta às demandas das manifestações populares.
Os senadores também tinha acordado votar hoje a PEC 122, que permite aos
médicos militares atenderem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mas a votação da
matéria foi adiada para amanhã (7).
Agência Brasil
O WC sobre o abismo
Em muitas áreas rurais de
países montanhosos existe um costume que pode às vezes surpreender o viajante
distraído. São as privadas ao ar livre na borda de um precipício. As alturas são
vertiginosas nessas regiões, e as casas em geral dão os fundos para o abismo.
Nada mais natural do que haver uma construção feita de tábuas, em geral
protegida também por cima, com o respectivo assento, a abertura... e abaixo dela
o abismo. Por uma razão simples. Fossas sanitárias são sempre um problema,
exigem um trabalho estafante e desagradável, e podem ser fonte de doença. Para a
mentalidade dos montanheses, parece mais prático despejar de pouquinho em
pouquinho aqueles dejetos sobre centenas de metros de barranco, para que sejam
ali lavados pela chuva e bebidos pela terra. Mais prático, mais higiênico e mais
lógico.
A filha de Cordwainer Smith, escritor de FC norte-americano, conta que seu pai (que por muitos anos trabalhou na China) certa vez, em viagem pelo interior do país, foi num desses lugares. Era uma noite de clima agradável, e ele entrou uma privada que tinha dois assentos. Sentado num deles, olhou de lado e viu no fundo do outro assento uma luzinhas piscando. Pensou que fossem vagalumes. Então ouviu um ronco de motores de caminhão e percebeu que aquelas luzes eram os faróis dos veículos, lá embaixo, subindo a serra quase embaixo do lugar onde ele se encontrava.
Luís Buñuel conta uma memória de infância, em Molinos (Aragón): através do buraco de uma privada assim ele viu “um falcão voando em círculos por baixo de mim”. Ele faz uma referência a isto num dos diálogos surrealistas do Anjo Exterminador (1962). É fácil entender que essas imagens tenham alguma ressonância freudiana ou coisa parecida, mas o mais interessante é que elas exprimam, a seu modo, a noção de que mesmo o pior fundo-do-poço não é o mais fundo ainda, pode haver todo um planeta aberto lá embaixo.
Mergulhar na privada para emergir noutro mundo é uma idéia sugerida no começo de Quem quer ser um milionário? de Danny Boyle, e reconstituída literalmente em O Feitiço de Áquila de Richard Donner (não lembro se os personagens de O Conde de Monte Cristo e Os Miseráveis também usam esse caminho de fuga). O único problema que vejo com essa organização do espaço sanitário é o perigo de chuvas, deslizamentos e avalanches que ponham em perigo a segurança da casinha, fazendo o sujeito desmoronar morro abaixo num momento altamente desfavorável. Mas a verdade é que se um sujeito está num lugar onde ele olha para o fundo de uma privada e vê um falcão voando, então não tem muita coisa de que se queixar à vida.
Braulio Tavares
(O mundo fantasmo)
A educação na contramão da história
A introdução de cotas na USP e no sistema universitário brasileiro é um
verdadeiro absurdo.
No Brasil, sabe-se pouca matemática. Com o 6º PIB do mundo, em dois rankings
diferentes, o Brasil ocupa o 53º lugar dentre 65 países no ranking do Programa
Internacional de Avaliação de Alunos da OCDE, e o 116º lugar dentre 144 países
no ranking do Fórum Econômico Mundial.
É nítido o esforço do governo brasileiro no aumento do número de estudantes
nos níveis fundamental, médio e universitário, o que resulta no aumento do IDH,
mas aprende-se pouco no Brasil, com qualidade que deixa a desejar.
A nota média de matemática no ENEM fica bem abaixo dos 50%, ou seja, o aluno
brasileiro aprende menos que 50% da grade formal do ensino no país.
A introdução de cotas vai no sentido contrário da excelência.
A USP ocupa hoje a 45ª posição nos rankings internacionais, a única
universidade da América Latina a ocupar uma posição entre as 100 melhores do
mundo.
Após a derrota na Revolução Constitucionalista de 1932, a USP foi criada em
1934 “para retomar a hegemonia política através das ideias, e não através da
força”, segundo seus fundadores.
A criação da USP assemelha-se em muito à fundação da Universidade de Berlim,
em 1808, quando a Alemanha estava enfraquecida pelas Guerras Napoleônicas.
Seu objetivo era a geração do conhecimento pelo conhecimento, com a qualidade
e a excelência necessárias à apreensão e compreensão do conhecimento
organizado.
Teodoro Ramos, matemático brasileiro, foi então designado para trazer para a
USP os melhores talentos do exterior. Para a Física veio Gleb Wataghin,
discípulo de Enrico Fermi, físico que pela primeira vez quebrou o átomo de forma
controlada em 1942. Para as Ciências Sociais, Levi Strauss, que formou gerações
de pensadores brasileiros. Dentre outros.
Do Departamento de Física resultou a indústria eletrônica no Brasil, o ITA, a
Embraer, e nossa capacidade de utilizar a energia atômica. Do de Ciências
Sociais, pesquisas socioeconômicas que tanto nos beneficiaram. E muito mais, em
diversas áreas, como química, medicina, e inúmeras outras.
É através da ciência pela ciência que se chega ao conhecimento prático, de
utilidade. As tentativas da implantação de uma “ciência natural dialética” na
Rússia de Josef Stalin, ou na China, durante a Revolução Cultural Proletária de
Mao Tse Tung, não deram certo, sendo substituídas por centros de excelência.
Enquanto o MIT e Harvard garantem recursos para os selecionados com alto
nível de rendimento intelectual e científico, independentemente de classe,
etnia, nacionalidade ou grupo social, aqui se estabelece previamente cotas para
grupos sociais específicos, como se a ciência pudesse ser aprendida por
decreto.
Há falta de qualidade no ensino básico, equívoco e retrocesso no ensino
universitário.
Precisamos de excelência para o desenvolvimento e gestão do país.
Ricardo Guedes, Licenciado em Física pela UFRJ e Ph.D.
em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago, é Diretor-Presidente do
Instituto de Pesquisa Sensus.
O Globo
"De repente, vem a ideia de uma agenda positiva para enganar o
povo. Vamos falar com franqueza. O povo quer mudanças. O povo não quer ajustes.
O povo quer uma nova história, não quer pontos e vírgulas nos documentos
oficiais. Essa agenda positiva é uma ilusão que estamos criando na população ou
mesmo um engano. Mas é isso o que estamos fazendo.”
Senador Cristovam Buarque (PDT-DF)
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Cientista desenvolve "hormônio da juventude" para plantas
O biólogo Shimon Gepstein, do Instituto de Tecnologia de Israel (Technion)
desenvolveu um mecanismo genético para prolongar a vida das plantas -
estimulando a autoprodução de um hormônio chamado citocinina - que pode
incrementar o cultivo de plantas em áreas áridas e a produção de alimentos.
Em entrevista à BBC Brasil, Gepstein explicou que 'com um mecanismo
sofisticado de engenharia genética, conseguimos levar as plantas a aumentar o
nível do hormônio citocinina nos períodos em que esse hormônio tende a
baixar'.
De acordo com o cientista, as plantas envelhecem e morrem quando o nível desse hormônio baixa. Por intermédio do novo mecanismo, o ciclo de vida das plantas é prolongado e sua biomassa aumenta, fazendo com que elas produzam frutos mais resistentes e em maior quantidade.
'Em vista da crise global dos alimentos que tende a se agravar, o mecanismo que desenvolvemos pode ser muito útil para combater a fome no planeta.'
Ele conta ainda que, 'por acaso', também descobriu que as plantas que passam pela intervenção genética são mais resistentes à seca.
'Esqueci de regar as plantas, na quais já havíamos aplicado o novo mecanismo hormonal, por três semanas. Elas ficaram expostas ao sol durante esse período, e quando me lembrei tive certeza que já tinham morrido', conta.
'Fiquei muito surpreso ao constatar que as plantas estavam intactas, haviam sobrevivido sem água e não sofreram quaisquer transformações.
Hormônio da juventude.
Após esse incidente, Gepstein começou a regar as mesmas plantas com 30% da quantidade de água que geralmente é necessária para plantas normais.
Os resultados foram positivos. As plantas continuaram crescendo, mesmo com um terço da água.
'Essa experiência demonstra que, além de resolver o problema da fome, o novo mecanismo genético também pode ser a resposta para o problema da escassez de água no planeta', afirma.
Agora, o biólogo também se dedica ao desenvolvimento de plantas para a produção de biocombustível. 'A maior resistência das plantas à escassez de água possibilita que o biocombustível seja cultivado em áreas áridas, e assim poderemos poupar as áreas férteis para a produção de alimentos.
Gepstein garante que esse tipo de intervenção genética não é prejudicial à saúde humana.
'Concordo que a intervenção genética muitas vezes é complicada e pode ser prejudicial à saúde, principalmente quando se introduz hormônios estranhos às plantas, mas neste caso não interferimos na estrutura da própria planta, apenas estimulamos as plantas a produzirem, por si mesmas, um hormônio que elas já têm', diz.
O departamento de Biologia do Technion já fez experiências com o 'hormônio da juventude' em plantas de tabaco, arroz, tomate e trigo. De acordo com Gepstein, todas elas foram bem sucedidas.
A BBC Brasil pediu a opinião de um especialista em genética de plantas da Faculdade de Agricultura da Universidade Hebraica de Jerusalém a respeito da manipulação genética das plantas.
De acordo com o especialista, que preferiu não se identificar, 'o nível do hormônio citocinina é de fato um fator significativo na capacidade das plantas de sobreviverem em condições duras'.
No entanto, ele acredita que chamar a substância de 'hormônio da juventude' seria um 'exagero'. 'Infelizmente é necessário bem mais do que um só gene para salvar o mundo da fome. Para aumentar a produção agrícola é necessária uma pirâmide inteira de genes.'
'O que a citocinina faz é retardar o envelhecimento das folhas. Assim, ela contribui para a resistência da planta em condições de escassez de água. Mas infelizmente, nesse assunto, os avanços são mais complexos e demoram mais'.
Fonte: G1
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
"Sobre esta Estrada ilumineira e parda,
dorme o lajedo, ao sol, como uma cobra.
Tua nudez na minha se desdobra
- ó Corsa branca, ó ruiva leoparda.
O anjo sopra a corneta e se retarda:
seu cinzeu corta a pedra e o porco sobra.
Ao toque do Divino o bronze dobra,
enquanto assolo os peitos da javarda
Vê: um dia a Bigorna desses passos
cortará no martelo o som dos aços
e o sangue hão de abrasar os inimgos
e a morte em trajes pretos e amarelos
brandirá contra nós doidos cutelos
e as asas rubras dos dragões antigos."
Ariano Suassuna
O teatro da neurose
Os indivíduos chamados histriônicos são de algum modo presas dos sentimentos que representam. Cabe à análise fazer aparecer o que são. Enquanto isso, é certo que não sentem seus sentimentos e que os representam como para tentar encontrá-los.
Representam, assim, dramaticamente o amor, o ciúme, a honra ultrajada, mas também o luto e o júbilo, porque se defendem da insuficiência do que sentem, do sentimento do nada.
In Octave Mannoni. Chaves para o Imaginário.
Petrópolis: Vozes,1973. (excerto)
Petrópolis: Vozes,1973. (excerto)
Frase
"Todas as coisas me são lícitas,
mas nem todas me convêm.
Todas as coisas me são lícitas,
mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas".
mas nem todas me convêm.
Todas as coisas me são lícitas,
mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas".
(Carta de Paulo aos Coríntios)
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