segunda-feira, 5 de agosto de 2013

domingo, 4 de agosto de 2013

Rubem Alves, o professor de espantos


Curiosidade

Vietnam melon milk, cujo nome científico é Lagenaria, é uma Abobora Vietnamita ou porongo que lembra seios femininos.

Como crianças reagiram a um prato vazio


Pescado do face da amiga Marcia Almeida

Sociedade Fissurada - Para pensar as drogas e a banalidade do vício.

Agora em agosto Marcia Tiburi Lança juntamente com a amiga Andréa Dias o livro Sociedade Fissurada - Para pensar as drogas e a banalidade do vício.
 
Dia 21 o lançamento será em Belo Horizonte e no dia 28 no Espaço Cult em São Paulo.

Baú de recordações


A sólida base de nossa visão do mundo e também o grau de sua profundidade são formados na infância. Essa visão é depois elaborada e aperfeiçoada, mas, na essência, não se altera.
 
 

Clarice no umbral

Estive fora do ar durante algumas semanas, acompanhando a agonia de minha mãe, Lucy, que faleceu, depois de inaceitável sofrimento, na semana passada. Agora volto ao ar e a este blog. No hospital, na cabeceira de minha mãe, já completamente fora de si, passei longo tempo observando as pinturas de Clarice Lispector guardadas em "Clarice/ Pinturas", livro de Carlos Mendes de Sousa editado pela Rocco. Eu já o comentei em minha coluna do "Prosa", mas a ele retorno para tratar de alguns aspectos mais pessoais que nela me escaparam.

Em "Um sopro de vida", seu livro de despedida - nos recorda Carlos - Clarice escreve: "Quase não sei o que sinto, se na verdade sinto. O que não existe passa a existir se receber um nome. Eu escrevo para fazer existir e para existir-me". Essas breves ideias expressas no romance pelo "Autor" ecoaram em minha mente enquanto eu ob servava a agonia (impotente) de minha mãe. Já não sabia o que sentia: se tristeza, se sufoco, se terror. Mais difícil ainda era dizer o que minha mãe sentia, já que ela nada mais dizia. Às vezes abria os olhos, me olhava rapidamente, esboçava um sorriso, fechava de novo. Isso era tudo. As palavras lhe faltavam.

Então, desses últimos momentos de minha mãe, ficaram algumas imagens _ como esses restos de iluminações que Clarice Lispector estampa em seus intrigantes quadros. Não são quadros agradáveis, são quadros desagradáveis, que interrogam o que temos de pior: temores vagos, pesadelos, sustos, abismos. Sim, são telas feitas de puro susto e, nesse sentido, muito parecidas com as últimas imagens que eu mesmo guardei de minha mãe doente.

"Não sou pintora, mas gosto de pintar", Clarice dizia. Alguma coisa se despejava, de algo ela se livrava _ algo tenso e doloroso _ enquanto esboçava suas im agens. Também minha mãe, mesmo sem conseguir se comunicar, arriscava movimentos, caretas, espantos, tentando me dizer o que já não era mais possível dizer. Ao observar o esforço de minha mãe _ como que "desespiritualizado" _ eu tinha a impressão de estar diante da matéria pura. Diz Carlos, ecoando meus sentimentos: "A busca primeira e absoluta (de Clarice) é o encontro com a matéria". Que é caótica, que é silenciosa, que anseia por significados que muitas vezes não lhe vêm. Que respira (mal e mal), que digere (ainda pior), que se resume a um coração que (mal e mal) ainda bate. Assim minha mãe. Assim as telas de Clarice.

Com o passar das horas, comecei a me convencer de que Clarice não só pintou a agonia de minha mãe, mas pintou a morte. Uma sobra ou uma sombra _ aquilo que sobra quando o espírito (ou que nome se queira dar) se vai, ou já está indo. Um corpo inerte (ou quase inerte). Um resto do que a pessoa fo i, e que, no entanto, ainda é a pessoa. Aquele espaço intermediário - de passagem - que Clarice expressou tão bem em uma tela como "Escuridão e luz: centro da vida".

 
O quadro poderia se chamar "luta". Poderia se chamar, ainda, "nulo". Ou "luto", numa referência ao que se perde. Uma coisa empurra a outra e tenta ocupar seu lugar. As duas se espremem, as duas insistem em viver, ou deixar de viver. Na tela de Clarice, em meio à escuridão, temos uma flor amarela, que pode ser também o resto de um incêndio, ou ainda um sexo feminino aberto. Em torno, três velas (falos) cintilam. O centro da vida é assim: puro enfrentamento. Uma luta silenciosa e cheia de ais.

Vendo minha mãe agonizar, magra, muito magra, o corpo tomado por feridas, as entranhas devastadas pela doença, eu também assistia a alguém que atravessava um limite. Os espíritas (não sou espírita) diriam talvez: um umbral. Palavras: todas, de alguma forma, sempre nos servem. Elas não pertencem a ninguém. Elas ganham a cor e a potência que cada um lhes dá. A busc a do nome, de que fala o "Autor" de Clarice, é a busca do ser. Minha mãe gaguejava, sufocava, aspirava: não encontrava o nome que queria dizer. Ali, nessa luta sem glória, eu observava seu fim.

Diz Clarice (me lembra, ainda, Carlos), em "Para não esquecer": "Meu erro é o modo como vi a vida e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva". Clarice via em cada coisa o nascimento (ou o fim, o que não deixa de dar no mesmo) da coisa. Para uma coisa existir é preciso que outra morra. Duas coisas, nos diz a física, não ocupam um mesmo lugar. Minha mãe agonizava: seria um erro? Estaria vendo mais do que suportamos ver? A morte será isso: ver mais do que devemos? Ou, ao contrário - o mesmo _, encarar a escuridão absoluta, defrontar-se com o grande vazio? O problema na agonia é que não conseguimos preencher o vazio. Nada mais sai de nós. Resta o corpo, e então tentamos preencher o vazio com o corpo. Já se sabe o  desastre final a que isso nos leva.

Diz Clarice ainda: "Quero pintar uma tela branca. Como se faz? É a coisa mais dificil do mundo. A nudez. O número zero. Como atingi- los? Só chegando, suponho, ao núcleo último da pessoa". Não deixa de ser uma bela, embora dura, definição da morte. É sem dúvida uma boa definição dos quadros da própria Clarice. O núcleo último, o centro, ali onde nada mais pode se aprofundar, ou se desdobrar. O esgotamento. Clarice foi não só a pintora, mas a escritora do esgotamento. Não como busca da morte, mas como construção de um mito de renascimento. Ali onde nada mais parece estar, tudo agora pode estar.
 
 
José Castello
 
 
Sugestão de postagem do amigo Adauto Neto

sábado, 3 de agosto de 2013

Charge - Amarildo



“eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro

... quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha”

 Paulo Leminski
 
PS - Pescado do face da colega e amiga Marcia Almeida



Carinhoso, com Paulinho da Viola e Marisa Monte


O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou no último dia (29) os dados do Atlas Brasil 2013, que apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 5.565 municípios. O índice considera que apenas o crescimento econômico não é suficiente para medir o desenvolvimento de uma cidade: o IDHM é constituído da avaliação de critérios relacionados à saúde, educação e renda.
 
Em termos numéricos o índice é calculado de zero a um - 0 significa nenhum desenvolvimento humano, e 1, desenvolvimento humano total. Quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o município.
 
Clique aqui e confira o IDHM do seu município

Sem novidades no front

Esperava que o marido voltasse da guerra. Durante os primeiros anos, quando ele certamente não chegaria, preparou compotas. Depois, a partir do momento em que o regresso se tornava uma possibilidade iminente, assou pães, e a cada semana uma torta de pêras, enchendo a casa com o perfume açucarado que, antes mesmo do seu sorriso, lhe daria as boas-vindas.

Um dia chegou o vizinho da frente. No outro chegou o vizinho do lado. E seu marido não chegou. Voltaram os gêmeos morenos. Voltaram os três irmãos louros. E seu marido não voltou. Aos poucos, todos os homens da pequena cidade estavam de volta a suas casas, Menos um. O seu.

Paciente, ainda assim ela espanava os vidros de compotas, abria em cruz a massa levedada, e descascava pêras.

Há muito a guerra havia terminado, quando a silhueta escura parou hesitante frente ao seu portão. Antes que sequer batesse palmas, foi ela recebê-lo, de avental limpo. E puxando-o pela mão o trouxe para dentro, fez que lavasse o rosto na pia mesmo da cozinha, sentasse à mesa, enfim um homem no espaço que a ele sempre fora dedicado.

Encheu-lhe o copo de vinho, serviu-lhe a fatia de torta. Profunda paz a invadia enquanto o olhava comer esfaimado. E esforçando-se para não perceber que aquele não era o seu marido, começou a fazer-lhe perguntas sobre o front.
 
 
Marina Colasanti
 
Texto extraídos do livro "Contos de Amor Rasgados", Editora Rocco, 1986.

Imagem


Por detrás da epopéia


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Outdoor da campanha promovida pela ASTAJ colocado no início da Av Epitácio Pessoa em João Pessoa




Em 02 de agosto de 1989 morria o réu do baião


24 anos de saudades

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém…
que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraça-la…
Sonhe com aquilo que você quiser…
Seja o que você quer ser…
Porque você possui apenas uma vida
E nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para faze-la doce,
dificuldades para faze-la forte,
tristeza para faze-la humana.
E esperança suficiente para faze-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas,
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram…
Para aqueles que buscam e tentam sempre…
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar…
…duram uma eternidade…
 
 

Crônica, um gênero brasileiro

Nas fronteiras longínquas da literatura, ali onde os gêneros se esfumam, as certezas vacilam e os cânones se esfarelam, resiste a crônica. Nem todos os escritores se arriscam a experimentá-la, e os que o fazem se expõem, muitas vezes, a uma difusa desconfiança. Para os puristas, a crônica é um "gênero menor". Para outros, ainda mais desconfiados, não é literatura, é jornalismo – o que significa dizer, simples registro documental. Alguns acreditam que ela seja um gênero de circunstância, datado – oportunista. Não é fácil praticar a crônica.

Definida pelo dicionário como "narração histórica, ou registro de fatos comuns", a crônica ocupa um espaço fronteiriço, entre a grandeza da história e a leveza atribuída à vida cotidiana. Posição instável, e nem um pouco cômoda, em que a segurança oferecida pelos gêneros literários já não funciona. Lugar para quem prefere se arriscar, em vez de repetir. A crônica confunde porque está onde não devia estar: nos jornais, nas revistas e até na televisão – e nem sempre nos livros. Literatura ou jornalismo? Invenção, ou uma simples (e literal) fotografia da existência? Coisa séria, ou puro entretenimento?

Supõe-se, em geral, que os cronistas digam a verdade – seja o que se entenda por verdade. Não só porque crônicas são publicadas na imprensa, lugar dos fatos, das notícias e da matéria bruta, mas também porque elas costumam ser narradas na primeira pessoa, e o Eu sempre evoca a idéia de confissão. E ainda porque vêm adornadas, com freqüência, pela fotografia (verdadeira!) de seu autor.

Então, se o cronista diz que foi à padaria, ou que esteve em uma festa, aquilo deve, de fato, ter acontecido, o leitor se apressa a concluir. É uma suposição antiga, que vem dos tempos do Descobrimento, quando os cronistas foram aqueles que primeiro transformaram em palavras a visão do Novo Mundo. Cronistas eram, então, missivistas empenhados em dizer a verdade, retratistas do real.

Contudo, e esse é seu grande problema, mas também sua grande riqueza, a crônica é um gênero literário. Não é ficção, não é poesia, não é crítica, e nem ensaio, ou teoria – é crônica. As crônicas históricas do passado, relatos de viajantes e de aventureiros, pretendiam ser apenas um "relato de viagem". Aproximavam-se, assim, do inventário, do registro histórico e do retrato pessoal, e ainda da correspondência. Essas narrativas estavam mais ligadas à história que à literatura. Tinham, antes de tudo, um caráter utilitário, pragmático: serviam para transmitir aquilo que se viu.

No século XIX, com a sofisticação dos estudos históricos, e também com a expansão da imprensa, a crônica se afastou do registro factual e se aproximou da literatura e da invenção. Nossos primeiros grandes cronistas – Alencar, Machado, Bilac, João do Rio – foram, antes de tudo, grandes escritores. Eles descobriram na crônica o frescor do impreciso e o valor do transitório. E a praticaram com regularidade e empenho.

Gênero brasileiro
Mas foi ao longo do século XX que a crônica se firmou entre nós, assumindo posturas e feições realmente próprias. É no século XX que ela se torna – nas mãos de cronistas geniais como Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Carlos Oliveira, Sérgio Porto, Rachel de Queiroz, Fernando Sabino, Henrique Pongetti – um gênero brasileiro. Ou, dizendo melhor: que ela se adapta e se expande no cenário da literatura brasileira.

Isso não fala, contudo, nem de uma identidade, nem de um modelo. Ao contrário: o que marca a crônica brasileira é que, em nossa literatura, ela se torna um espaço de liberdade. Qual escritor brasileiro, no século XX, teve o espírito mais livre que Rubem Braga? Quem mais, desprezando as normas e pompas literárias, e com forte desapego aos cânones e aos gêneros, apostou tudo na crônica – vista como um gênero capaz de jogar de volta a literatura no mundo?

A grande novidade da crônica que se firmou ao longo do século XX no Brasil é exatamente esta: sua radical liberdade. Embora abrigada nos grandes jornais e depois reunida em livros, ela já não tem compromisso com mais nada: nem com a verdade dos fatos, que baliza o jornalismo, nem com império da imaginação, que define a literatura. A crônica traz de volta à cena literária o gratuito e o impulsivo. O cronista não precisa brilhar, não precisa se ultrapassar, não precisa surpreender, ou chocar; ele deseja, apenas, a leveza da escrita.

Gênero anfíbio, a crônica concede ao escritor a mais atordoante das liberdades: a de recomeçar do zero. Quando escreve uma crônica, o escritor pode ser ligeiro, pode ser informal, pode dispensar a originalidade, desprezar a busca de uma marca pessoal – pode tudo. Na crônica, ainda mais que na ficção, o escritor não tem compromissos com ninguém. Isso parece fácil, mas é freqüentemente assustador.

Pode falar de si, relatar fatos que realmente viveu, fazer exercícios de memória, confessar-se, desabafar. Mas pode (e deve) também mentir, falsificar, imaginar, acrescentar, censurar, distorcer. A novidade não está nem no apego à verdade, nem na escolha da imaginação: mas no fato de que o cronista manipula as duas coisas ao mesmo tempo – e sem explicar ao leitor, jamais, em qual das duas posições se encontra. O cronista é um agente duplo: trabalha, ao mesmo tempo, para os dois lados e nunca se pode dizer, com segurança, de que lado ele está.

Na verdade, ele não está em nenhuma das duas posições, nem na da verdade, nem na da imaginação – mas está "entre" elas. Ocupa uma posição limítrofe – e é por isso que o cronista inspira, em geral, muitas suspeitas. Os jornalistas o vêem como leviano, mentiroso, apressado, irresponsável. Os escritores acreditam que é preguiçoso, interesseiro, precipitado, imprudente, venal até. E o cronista tem que se ver, sempre, com essas duas restrições. Uns o tomam como uma ameaça à limpidez dos fatos e ao apego à verdade que norteiam, por princípio, o trabalho jornalístico. Outros, por seus compromissos com os fatos e com as miudezas do cotidiano, como um perigo para a liberdade e o assombro que definem a literatura.

E assim fica o cronista, um cigano, um nômade a transitar, com dificuldades, entre dois mundos, sem pertencer, de fato, a nenhum dos dois. Um errante, com um pé aqui, outro ali, um sujeito dividido. E o leitor, se tomar o que ele escreve ao pé da letra, também pode se encher de fúria. Como esse sujeito diz hoje uma coisa, se ontem disse outra? Como se descreve de um jeito, se ontem se descreveu de outro? Onde pensa que está? Quem pensa que é? Mas é justamente essa a vantagem do cronista: ele não se detém para pensar onde está, ou no que é; ele se limita a sentir e a escrever.

O cronista conserva, desse modo, os estigmas negativos que cercam a figura do forasteiro – aquele que sempre desperta desconfiança e em quem não se deve, nunca, acreditar inteiramente. Vindo sabe-se lá de onde, inspira uma admiração nervosa – como admiramos os mascarados e os clowns, sempre com uma ponta de insegurança, e um sorriso mal resolvido no rosto. Errante, ele nos leva a errar – em nossas avaliações, em nossas suposições. Uns o vêem, por isso, como um trapaceiro; outros, mais espertos, aceitam aquilo que ele tem de melhor a oferecer: a imprecisão.

Censuramos aos cronistas de hoje sua falta de rigor, seu sentimentalismo, seu apego excessivo ao Eu, seu lirismo, sua falta de propósitos. O que faz um sujeito assim em nossos jornais? – pensam os jornalistas. O que ele faz em nossa literatura? – pensam os escritores. Rubem Braga relatou, certa vez, que seus amigos escritores lhe cobravam, sempre, um grande romance – grande romance que, enfim, nunca chegou a escrever. Braga tentava lhes dizer que o romance não lhe interessava, mas só a crônica. E os amigos tomavam essa resposta como uma manifestação de falsa modéstia, ou então de preguiça. Nunca puderam, de fato, entender a grandeza de que Braga falava.

Numa conversa com Rubem Braga, republicada agora em
Entrevistas (coletânea recém-lançada pela Rocco), Clarice Lispector lhe diz: "Você, para mim, é um poeta que teve pudor de escrever versos". E diz mais: "A crônica em você é poesia em prosa". Sempre a suspeita: de que, no fundo, o cronista é um tímido, alguém que se desviou do caminho verdadeiro, alguém que não foi capaz de chegar a ser quem é. Depois de lembrar a Clarice que já publicara alguns poemas, Braga, ele também, talvez por delicadeza, ou quem sabe seduzido pelos encantos da escritora, termina por ceder: "É muito mais fácil ir na cadência da prosa, e quando acontece de ela dizer alguma coisa poética, tanto melhor".

Figura exemplar
Depois da explosão de gêneros promovida pelo modernismo do século XX, o cronista se torna – à sua revelia, a contragosto – uma figura exemplar. Transforma-se em um pioneiro que, entre escombros e imprecisões, e sempre pressionado pelo real, se põe a desbravar novas conexões entre a literatura e a vida – sem que nem a literatura, nem a vida venham a ser traídos. Figura solitária, o cronista se torna, também, uma presença emblemática, a promover simultaneamente dois caminhos: o que leva da literatura ao real, e o que, em direção contrária, conduz do real à literatura.

Há na literatura contemporânea um sentimento que, se não chega a ser de impotência, até porque grandes livros continuam a ser escritos, é, pelo menos de vazio. O modernismo esgarçou parâmetros, derrubou clichês, tirou do caminho um grande entulho de clichês, de formas gastas, de vícios de estilo. Depois de Kafka, Joyce, Proust, depois de Clarice e de Rosa, como continuar a ser um escritor? Como prosseguir em um caminho que, depois deles, se define pela fragmentação, pela dispersão, pelo vazio – exatamente como nosso conturbado mundo de hoje? O escritor já não pode mais conservar a antiga postura de Grande Senhor da escrita. Ele deixou de ser o Mestre da Palavra, para se converter, mais, em um aprendiz.

O escritor foi empurrado de volta a um ponto morto – ponto de recomeço, lugar fronteiriço que se assemelha, muito, ao ocupado pelos cronistas. Foi lançado, de volta, às perguntas básicas. Por que escrevo? O que é escrever? De que serve a literatura? Posição que, com as devidas ressalvas, podemos chamar de filosófica: pois parte das perguntas fundamentais, aquelas que, desde os gregos, definem a filosofia.

Eis a potência da crônica: sustentar-se como o lugar, por excelência, do absolutamente pessoal. Os líricos, como Vinicius, se misturam aos meditativos, como Carlinhos Oliveira, ou aos filosóficos, como Paulo Mendes Campos. Clarice praticava a crônica como um exercício de assombro; Rachel, como um instrumento para desvendar o mundo; Sabino, como um gênero de sensibilidade. Cada um fez, e faz, da crônica o que bem entende. Nenhum cronista pode ser julgado: cada cronista está absolutamente sozinho.

Terreno da liberdade, a crônica é também o gênero da mestiçagem. Haverá algo mais indicativo do que é o Brasil? País de amplas e desordenadas fronteiras, grande complexo de raças, crenças e culturas, nós também, brasileiros, vacilamos todo o tempo entre o ser e o não-ser. Somos um país que se desmente, que se contradiz e que se ultrapassa. Um país no qual é cada vez mais difícil responder à mais elementar das perguntas: – Quem sou eu?

Gênero fluido, traiçoeiro, mestiço, a crônica torna-se, assim, o mais brasileiros dos gêneros. Um gênero sem gênero, para uma identidade que, a cada pedido de identificação, fornece uma resposta diferente. Grandeza da diversidade e da diferença que são, no fim das contas, a matéria-prima da literatura.

 
 
Texto originalmente publicado no suplemento literário Rascunho, em setembro de 2007.
"Todas as palavras tomadas literalmente, são falsas; as verdadeiras moram no silêncio"
 
 
Rubem Alves

Toda a premissa de Jurassic Park está errada, diz entomologista

Rex Features
 

Espécie de mosquito usada no filme Jurassic Parck nunca se alimentou de sangue e o DNA não seria preservado por 80 milhões de anos.
 
Talvez seja melhor você se sentar antes de ler isto. E segure as pessoas que você ama, caso elas estejam por perto. É hora de acordar de uma grande mentira: aparentemente, Jurassic Park não é cientificamente preciso. E tudo isso por causa de um pequeno mosquito.
 
Para quem não conhece (ou seja, aqueles que vivem em abrigos anti-bomba do tempo da Guerra Fria), a história dos filmes é possível porque cientistas conseguiram extrair sangue de dentro de um mosquito pré-histórico preservado em âmbar. A partir daí, eles usaram o DNA para clonar os monstros enormes do período jurássico, colocaram todos em uma ilha e criaram um parque de diversões bem mais divertido (e fatal) do que a Disney World.
 
No entanto, o entomologista Joe Conlen explicou ao Business Insider que a espécie de mosquito usada no filme (Toxorhynchites rutilus) nunca se alimentou de sangue. Tudo bem, eles poderiam ter usado outra espécie no filme e tudo estaria certo – nosso colega Toxorhynchites rutilus é o único tipo que não se alimenta de sangue. Claro, outro problema seria o fato do DNA não conseguir se manter viável após 80 milhões de anos (além de alguns pequenos problemas como por exemplo o fato de nunca terem explicado como conseguiram DNA de plantas pré-históricas, e também como ninguém fez aquela mulher parar de falar), mas ei, detalhes.
 
Nos desculpamos por acabar com seus sonhos ao revelar esta mentira, mas você precisava saber. E obrigado por nada, Spielberg.
 
 
Fonte

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Editorial: Seis anos de postagens e muita emoção!

Hoje estamos aniversariando. Em 01 de agosto de 2007 nascia o blogO mundo como ele é”. É bem verdade que foi concebido sem muitas pretensões senão a de compartilhar com todos vocês a possibilidade de uma reflexão sem conceitos previamente definidos.
 
É claro que é imensamente prazeroso o nosso contato diário através das postagens, dos textos, das imagens, das charges e dos comentários que qualificam este espaço virtual, que reitero, é de todos nós.
Durante esses 06 anos de existência tivemos uma convivência bastante saudável e pudemos construir uma amizade fraternal e profícua com cada um de vocês no curso desses 2.190 dias.
Até aqui, foram 7.095 postagens e superamos a marca de 319.000,00 acessos oriundos do Brasil e de muitos outros países a exemplo dos Estados Unidos, Rússia, Alemanha, Ucrânia, Portugal, França, Itália, Espanha, Angola e Austrália, dentre outros.
É necessário que se registre ainda que este blog jamais teve o propósito de ser grande ou pequeno, culto ou inculto, belo ou feio. Porém, o que nos trouxe até aqui, indiscutivelmente, foi a certeza de poder encontrar você aqui produzindo opiniões, sugestões, comentários e criticas.
Não posso deixar de lembrar os 94 seguidores que nos acompanham neste sitio. A assiduidade de todos vocês é a mais fiel comprovação de que este blog é de todos nós e que não estamos sozinhos nessa caminhada.
Desse modo, neste dia especial, resta-nos a alegria do aniversário e a satisfação de agradecer a toda essa gente que nos faz companhia todos os dias.
E, Cá entre Nós, é maravilhoso termos chegado juntos até aqui.
Feliz aniversário a todos!


Teófilo Júnior
 

Blog completa hoje 06 anos e apresenta novo layout de sua página

Completamos hoje 06 anos de existênca e em razão disso estamos apresentando aos nossos amigos seguidores e internautas em geral o nosso novo layout.
 
Continuem acessando o nosso blog agora sob nova roupagem.
 
Um abraço a todos!
 
Teófilo Júnior