quarta-feira, 7 de julho de 2010

Senado aprova projeto de lei que pune quem difama pai e mãe para os filhos

Os senadores da Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovaram nesta quarta-feira (7) um projeto de lei da Câmara, do deputado Régis de Oliveira (PSC-SP), que define e pune quem pratica a chamada síndrome da “alienação parental”.

A proposta define o conceito de alienação parental, que acontece geralmente com filhos de casais separados, quando um deles difama ou interfere na relação do outro com os filhos. A interferência contínua pode levar o filho a rejeitar ou até a odiar o parente “mal falado”.

Para entrar em vigor, o projeto precisa apenas da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com o projeto, quem colocar os filhos contra os pais depois do divórcio pode ter penas que variam de advertência até a perda da guarda da criança ou adolescente. A lei se aplica também a avôs ou outros responsáveis pela criação dos jovens.


Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília. Acesse o uol.com.br

Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

(...)Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo; diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava — uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — "Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado."

Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego, como quem se retira tarde do espetáculo (...)

A Burca - Direitos femininos ou violência contra a mulher ?


Der Spiegel

Será que a questão das burcas diz respeito aos direitos das mulheres?


Na última quarta-feira, a Espanha tornou-se o mais recente país europeu a aprovar uma legislação para proibir o uso da burca e de outros véus faciais do gênero. Muitos dos indivíduos que apoiam tais leis citam os direitos das mulheres como justificativa, mas será que a criminalização das vestimentas delas ajuda de fato?


Ao que parece, em se tratando das burcas todos são feministas. Em 2006, o populista de direita holandês Geert Wilders argumentou que a burca – uma veste feminina que cobre o corpo inteiro, tendo apenas uma rede em frente aos olhos para que se possa enxergar – é “um símbolo medieval, um símbolo contra as mulheres”. No ano passado, o presidente francês Nicolas Sarkozy classificou o uso da burca de “um sinal de subserviência”. E, na última quarta-feira, o senado espanhol deu a sua aprovação a uma proposta de legislação anti-burca que apoia a proibição de “qualquer roupa, costume ou prática discriminatória que limite a liberdade das mulheres”.


A Espanha, de fato, tornou-se o país mais recente a aderir ao movimento para a proibição da burca e do niqab – que é similar a burca, mas que tem uma abertura para os olhos, em vez de uma rede. Assim, a Espanha junta-se à França, à Itália e à Bélgica. Enquanto isso, a Holanda, a Áustria e a Suíça também estão cogitando adotar leis proibindo tais vestimentas.


Mas será que esse ímpeto no sentido de descobrir o rosto das muçulmanas mais fervorosas pode ser explicado apenas por um desejo recém-descoberto de zelar pelos direitos das mulheres? A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, o órgão que assessora o conselho nas questões referentes aos direitos humanos, certamente acha que não.


Na quarta-feira, a Assembleia Parlamentar, conhecida como Pace (sigla em inglês de Parliamentary Assembly of the Council of Europe), aprovou uma resolução rogando aos Estados membros da União Europeia que não decretem um banimento das burcas “ou de outras roupas religiosas ou especiais”. Em vez disso, sugere a resolução, os países da União Europeia deveriam concentrar as suas energias na proteção da “livre escolha das mulheres de usarem ou não roupas religiosas ou especiais”. Em outras palavras, a Pace pareceu estar dizendo que as liberdades religiosas e os direitos humanos encontram-se no cerne do debate sobre a burca. E, segundo a organização, impedir as mulheres de usarem o que desejam seria uma ação antifeminista.


“As mulheres não têm o direito de serem humanas”


Essa alegação não é incontroversa. No final do ano passado, a líder feminista alemã Alice Schwarzer disse acreditar que uma proibição da burca é uma medida “autoevidente”. A ativista dos direitos das mulheres Necla Kelek, também da Alemanha, diz que as burcas “nada tem a ver com liberdades religiosas ou com religião”. Segundo ela, a vestimenta é derivada de uma ideologia segundo a qual “as mulheres em situações públicas não têm o direito de serem humanas”.


À medida que o debate se amplia, vai ficando cada vez mais fácil ignorar o fato de que grande parte da mobilização pela proibição da burca e do niqab é oriunda de partidos populistas de direita. Wilders foi seguido pelo partido belga de extrema-direita Vlaams Belang, e o partido alemão antimuçulmano Pro-NRW está defendendo também uma proibição desses trajes. Todos esses grupos também gostariam que os minaretes desaparecessem das paisagens europeias, e eles chamaram atenção principalmente devido à sua retórica antimuçulmana.


Na sua resolução da quarta-feira, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa também indicou que enxerga a mesma conexão. Ela justificou as suas recomendações enfatizando a prioridade “de se trabalhar no sentido de garantir a liberdade de pensamento, consciência e religião, e ao mesmo tempo de combater a intolerância e a discriminação religiosa”. O documento a seguir solicitou à Suíça que revogasse a sua proibição de minaretes, uma resolução que foi aprovada em um plebiscito nacional no final de novembro do ano passado.


“Legislação de emergência”

Entretanto, à medida que uma quantidade cada vez maior de países começa a cogitar uma proibição da burca, a ideia está se desassociando progressivamente da retórica de direita. A ministra das Relações Exteriores suíça, Micheline Calmy-Rey, do Partido Social-Democrata da Suíça, que é de centro-esquerda, gostaria que a burca fosse proibida. Na França, o parlamentar comunista André Gerin tem liderado a campanha pela proibição. No Reino Unido, Jack Straw, do Partido Trabalhista, declarou em 2006 que se opõe ao uso do véu que cobre toda a face. E, na Alemanha, políticos de todo o espectro político têm se manifestado favoravelmente a um banimento da burca.


Mas, perdidas no debate – talvez previsivelmente –, estão as mulheres que usam burcas e niqabs. Segundo um recente artigo publicado na revista britânica “New Statesmen”, não há muitas mulheres usando esses trajes no Reino Unido. Na França, os serviços de segurança calculam que apenas 0,1% das mulheres muçulmanas no país usam a burca – um número que parece zombar dos esforços no sentido de aprovar aquela que foi chamada de uma “legislação de emergência” contra o vestuário islâmico antes do recesso parlamentar de verão. O gabinete de Sarkozy aprovou o projeto de lei no mês passado. E o número de mulheres que usam o véu integral na Bélgica pode chegar a apenas 30.


Entretanto, em um continente no qual a integração da sua cada vez maior população muçulmana vem provocando atritos políticos há anos, talvez não seja surpreendente o fato de o debate em torno da burca ter se intensificado continuamente neste ano. Os europeus estão preocupados com o islamismo radical e muitos associam a proibição da burca a um combate ao extremismo muçulmano.


“Criminalizando as mulheres para libertá-las”

Mas o oposto pode ser verdade. No verão passado, a ala norte-africana da Al Qaeda ameaçou “vingar-se” da França como resultado do debate crescente no país a respeito do banimento da burca. “Nós não toleraremos tais provocações e injustiças, e nos vingaremos da França”, advertiu o grupo em uma declaração.


Já os trabalhadores do setor de direitos humanos temem que a proibição da burca envie a mensagem errada às mulheres muçulmanas. “Tratar mulheres muçulmanas fervorosas como criminosas não ajudará a integrá-las à sociedade”, afirmou em abril último Judith Sunderland, da organização Human Rights Watch. Falando a respeito do banimento belga, a escritora britânica Myrian François-Cerrah, que é muçulmana, disse simplesmente: “Os belgas têm uma noção engraçada de libertação, criminalizando as mulheres para libertá-las”.


Apesar de toda a popularidade do banimento da burca na Europa, parece improvável que os políticos alemães sejam obrigados a se defrontarem tão cedo com um projeto de lei desse tipo. Segundo uma análise realizada pelo parlamento alemão no mês passado, uma proibição da burca provavelmente violaria a constituição alemã. E o ministro do Interior, Thomas de Maizière (da União Democrata-Cristã, de centro-direita), manifestou a sua oposição a uma legislação desse tipo na Alemanha. “Um debate a respeito da burca na Alemanha é desnecessário”, afirmou Maizière.


Tradução: UOL

Versículos do dia

Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, (Daniel 2:44)

Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. (2 Pedro 1:10,11)

Gestos que emocionam

EUA batizam de 'Batman' e 'Robin' projetos para criar supersoldado

Projetos da Darpa estudam biologia e redes biológicas.

Detalhes de aplicações práticas não foram revelados.

A Agência de Pesquisa de Projetos Avançados de Defesa (Darpa) norte-americana anunciou dois projetos de pesquisa em tecnologia para criar, no futuro, "supersoldados" capazes de obter vantagens no campo de batalha. As siglas escolhidas para batizar os dois sistemas: “Batman” e “Robin”.

"BatMAN" significa “Biochronicity and Temporal Mechanisms Arising in Nature”, que estudará a "relação entre sistemas biológicos e o universo espaço-temporal de aplicações avançadas dos princípios das ciências físicas".

Entre os temas estudados, de acordo com a Darpa, estão a biologia quântica e relógios moleculares, reinicialização e sincronização de relógios biológicos, conversão de itens em microescala para macroescala, processamento de sinais e relógios fisiológicos de tempo e cognição.

Já a sigla "RoBIN" significa "Robustness of Biologically-Inspired Networks", que busca entender as redes biológicas presentes na natureza para construir modelos que facilitem a comunicação humana.

Entre as áreas de atuação estão explorar o comportamento coletivo, modularidade de redes e biologia, vigilância imunológica sintética e modelo e design de redes biológicas.

A Darpa é a responsável pelo nascimento da rede que serviu como embrião da internet, conectada pela primeira vez em 29 de outubro de 1969.


Do G1, em São Paulo

Nível superior para quem leciona

Comissão do Senado aprova obrigatoriedade de formação universitária.


A Comissão de Educação do Senado aprovou ontem projeto de lei que torna obrigatória a formação universitária para dar aulas na pré-escola e nas primeiras cinco séries do ensino fundamental.

Pelo texto, sempre que um professor com curso Normal de nível médio for contratado na rede pública, ele terá seis anos para apresentar o diploma de graduação. Caso contrário, ficará inabilitado para a atividade.

Apreciada primeiro na Câmara, a proposta foi modificada pela relatora na comissão, senadora Fátima Cleide (PT-RO). A regra inicial não previa o prazo, proibindo o ingresso de novos profissionais sem a chamada licenciatura de graduação plena.

O critério de seis anos não é provisório, ou seja, valerá toda vez que um docente for nomeado na rede pública. Quem já dá aulas e não tem a formação desejada está desobrigado de buscá-la, pois, tem direito adquirido.

Fátima diz que a proibição seria uma mudança radical. Para ela, o curso Normal de nível médio não é indesejável no magistério. Porém, falta na lei um dispositivo que leve os profissionais a progredirem na carreira.

— O ruim não é o professor ser contratado com nível médio, mas continuar nele — afirmou, acrescentando que a exigência, juntamente com o piso nacional dos professores, é um importante instrumento para melhorar a qualidade da educação.


Fábio Fabrini
Deu em O Globo

terça-feira, 6 de julho de 2010

As Chaves

Felizes os homens que tem as chaves
porque só encontram portas abertas...

Como podem tantos homens dormir sossegados e felizes
de portas fechadas,
quando essas portas se fecham para tantos homens
que ficam sempre ao relento
e nunca podem entrar?

Neste mundo de tantas portas,
quando teremos cada um, a sua chave,
e a sua hora de voltar?...


(Poesia de JG de Araújo Jorge, extraída
do livro " Mensagem" - 1966)

Charge - Amarildo


segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dono de carro roubado tem direito a devolução de IPVA

Você sabia que se o seu carro for roubado você tem direito à restituição do IPVA? O imposto a ser devolvido varia de acordo com o valor já pago do IPVA e com o mês em que o carro foi roubado. Por exemplo, quem quitou o IPVA e ficou sem o carro em junho, recebe a metade do dinheiro de volta.

Só no Paraná, mais de R$ 870 mil estão a espera do pedido, de quem teve o carro roubado ano passado e nem imagina que pode ter de volta a restituição. A lei é nacional e o prazo que o motorista tem para pedir a devolução é o mesmo em todo o país.

“O contribuinte tem direito a pedir a restituição em até cinco anos depois de quitado o IPVA”, diz a inspetora de arrecadação Suzana Dobjenski.

Mas o valor será devolvido de acordo com as regras de cada estado. Em São Paulo, por exemplo, depois do pedido a restituição virá só no ano seguinte. No Paraná, a restituição virá em um prazo de 30 a 90 dias.

Para receber o dinheiro de volta é preciso procurar a Receita Estadual, preencher um formulário e apresentar documentos pessoais, os do veículo, boletim de ocorrência, entre outros. Se o pedido for feito mais de três meses depois do roubo, é exigido também um comprovante de que o veículo não foi encontrado.

Michel Lima, que é o diretor de uma locadora de carros, não esperou. Da frota que circula em todo o país oito carros foram roubados e não recuperados no ano passado. Logo ele foi atrás do imposto.

“Nesses oito veículos aproximadamente R$ 5 mil foram restituídos. É uma compensação que vem em uma hora boa”, elogia o diretor de locadora de carros Michel Lima.

Confira o que fazer para pedir a restituição do IPVA de seu veículo roubado:

1 - Preencha o formulário de restituição. Em alguns estados, é possível fazer isso no site da Receita (veja abaixo). A solicitação é gratuita.

2 - Leve o formulário preenchido a uma das repartições da Receita Estadual. Ao protocolar o pedido, o proprietário também deve apresentar o número da conta corrente na qual o valor da restituição será depositado. Junto com o formulário, apresente fotocópia dos seguintes documentos:

- comprovante de pagamento do IPVA; - licenciamento do veículo; - comprovante de conta bancária (pode ser cópia do talão de cheque); - documento de identidade; - boletim de ocorrência relatando o roubo do veículo à polícia (se a data for superior a três meses, deve ser apresentada também a declaração de não localização do veículo); - inquérito policial formulado em caso de extorsão, estelionato ou apropriação indébita.

3 - O contribuinte que não tiver conta bancária recebe uma ordem de pagamento da Receita Estadual a ser descontada em qualquer agência do Banco do Brasil.


G1

Leonardo Boff - Elogio à sesta

Depois que o jornalista e amigo Zuenir Ventura se aventurou, num importante jornal do Rio (29/05), a exaltar os benefícios da sesta como algo que faz bem à saúde e, mais ainda, que representa uma necessidade biológica tornando as pessoas mais inteligentes, me animei a fazer o elogio da sesta. É um velho propósito que alimento há anos, tendo feito até pesquisas sobre o assunto. Era até para justificar o fato de que sou um inveterado sesteiro. Tão inveterado que condiciono algumas palestras à possibilidade de fazer uma pequena sesta depois do almoço nem que seja numa poltrona ou cadeira.

Em Friburgo na Alemanha tomaram tão a sério a minha vontade que numa sala montaram uma cama de campanha para que pudesse fazer a bendita sesta. Mas não aconteceu, porque alguns alemães têm o mau gosto de organizar, durante o almço, um encontro com algum grupo que quer conversar até sobre questões metafísicas. O resultado é que estragam seu almoço ou você acaba não comendo e, o que é pior, não tem mais tempo de fazer a indispensável sesta.

Pessoalmente vou para cama sempre recalcitrando. Não gosto de dormir e retardo o mais que posso a hora de me deitar. Mas há poucas coisas melhores, entre as gratas satisfações que o Criador deu aos "degradados" filhos e filhas de Adão e Eva, do que uma boa sesta. Não precisa ser longa. Bastam uns 20 minutos. À exceção dos sábados e domingos. Ai tomo, como bom descendente de italianos, dois copos de vinho. Não é tanto pelo vinho, mas por aquilo que ele propicia: uma sesta mais profunda e mais prolongada. Ai eu durmo "a piernas sueltas" como dizem os espanhóis, bem traduzido pelos caboclos mineiros "durmo de pé espalhado".

É misteriosa a origem da sesta. Mas por sua bondade intrínseca deve estar ligada ao processo da antropogênese, quer dizer, deve existir desde que irrompeu o ser humano. Se até os animais fazem sesta, como não iríamos fazê-la nos humanos, irmãos e irmãs mais complexos dos animais?

Alguns acham que no Ocidente ela foi oficialmente introduzida pelos monges e pelos frades. Há um dito saboroso em espanhol que diz: "si quieres matar un fraile, dale de tomer tarde e quitale la siesta", traduzindo:"se queres matar um frade, dá-lhe de comer tarde e tira-lhe a sesta". Na Espanha a sesta é tão sagrada que grande parte do comércio fecha por duas horas. Nos conventos, assisti que frades chegavam a colocar pijama para fazer a sesta, especialmente depois de tomarem uns bons copos de vinho seguidos de um excelente conhaque.

Conta-se que Newton e Churchil tiveram suas melhores idéias depois da sesta. Victor Hugo falou da sesta ao se referir ao leão num poema que tem por título:"la meridienne du lion"(a sesta do leão). Beaudelaire en "La belle Dorothée" diz inteligentemente (porque fazia sesta):"a sesta é uma espécie de morte saborosa, na qual quem dorme, semi acordado, degusta as volúpias de seu desaparecimento". René Louis, em suas "Mémoires d'un Siesteur"(Memória de um Sesteiro) diz muito bem: "a sesta permite me observar dormindo; é o momento em que o tempo pára e se cala". F. Audouard, em seus "Pensées" diz belamente:"Na Provence o sol nasce duas vezes: de manhã e depois da sesta".

Aqui está para mim a vantagem da sesta: ela nos brinda uma segunda noite e dois nasceres do sol. A sesta nos permite ter, no mesmo dia, um segundo dia. Ao despertar da sesta, tudo recomeça com renovado vigor como se reiniciássemos o dia.

Se me tolhem a sesta, o corpo se vinga, especialmente durante palestras que ouço: dormito, pestanejo e, não raro, durmo mesmo. Nem posso imaginar um dia inteiro com atividade mental, prestando atenção a tantas coisas e tendo que ordenar não sei quantas idéias sem uma sesta reparadora.

A sesta é uma sábia invenção da vida. Descansa a cabeça, faz esquecer os aborrecimentos e nos dá a rara experiência virtual de docemente morrer (o sono é uma bela metáfora da morte) e de novo ressuscitar.


Leonardo Boff

Autor do livro Ecologia, Mundialização e Espiritualidade,Record 2008

domingo, 4 de julho de 2010

Cinema. "O homem que engarrafava nuvens"

Documentário (musical) sobre a vida e a obra do compositor, advogado, deputado federal e criador das leis de direito autoral, Humberto Teixeira, também conhecido como "O Doutor do Baião" por ser o autor de clássicos populares como Asa Branca.

O documentário, dirigido por Lírio Ferreira, o premiado diretor de Árido Movie, Cartola e Baile Perfumado, estreou nas salas de cinema no último dia 15 de janeiro de 2010 e já pode ser encontrado nas lojas em DVD e Blu-Ray.

Distribuidora: Filmes do Estação. Gênero: Documentário. Produção: Denise Dumont. Fotografia: Walter Carvalho.


Vale muito a pena conferir.



sábado, 3 de julho de 2010

Beth Carvalho cantando um grande sucesso do mestre Cartola

Frase do Dia

"...Um Dunga, onze Sonecas e 190 milhões de Zangados..."


Anônimo

As "Meninas das Covinhas" - Uma história de fé e devoção

Para contar esta história, os estudantes de Comunicação Social da UFRN realizaram o curta-metragem "Covinhas - Uma História de Fé".


RO­DOL­FO FER­NAN­DES - A tra­je­tó­ria de fé do po­vo nor­des­ti­no é re­ple­ta de his­tó­rias de mi­la­gres atri­buí­dos a pes­soas que so­fre­ram mui­to ou que de­di­ca­ram suas vi­das a fa­zer o bem. São pa­dres, crian­ças, mu­lhe­res e he­róis co­ti­dia­nos san­ti­fi­ca­dos pe­lo po­vo, mes­mo que não se­jam ain­da acei­tos pe­la Igre­ja Ca­tó­li­ca. Uma des­sas his­tó­rias é a das Me­ni­nas das Co­vi­nhas, em Ro­dol­fo Fer­nan­des, no al­to oes­te po­ti­guar. As crian­ças re­ti­ran­tes que mor­re­ram de fo­me e se­de na se­ca de 1877 são ho­je al­vo de de­vo­ção de mui­tos ro­mei­ros da re­gião, que fa­zem suas pre­ces e de­po­si­tam seus ex-votos na ca­pe­la er­gui­da por um ilus­tre de­vo­to em ho­me­na­gem às me­ni­nas san­tas.

Pa­ra con­tar es­sa his­tó­ria, os es­tu­dan­tes de Co­mu­ni­ca­ção So­cial da Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral do Rio Gran­de do Nor­te - UFRN, Tú­lio Dan­tas, Ca­ta­ri­na Doo­lan e Lo­re­na Gur­gel, rea­li­za­ram o cur­ta-me­tra­gem "Co­vi­nhas - Uma His­tó­ria de Fé", co­mo tra­ba­lho de con­clu­são de cur­so. Os vi­deo­ma­kers re­sol­ve­ram com­par­ti­lhar com o pú­bli­co o tra­ba­lho aca­dê­mi­co que foi exi­bi­do na sa­la 1 do Mo­vie­com (Praia Shop­ping) em Na­tal.

Nar­ra­da em for­ma de do­cu­men­tá­rio, a his­tó­ria das me­ni­nas traz de­poi­men­tos so­bre cu­ras mi­la­gro­sas atri­buí­das a elas. "Me­ni­nas das Co­vi­nhas é uma da­que­las fan­tás­ti­cas his­tó­rias reais, e nós nos sen­ti­mos no de­ver de re­pas­sar uma nar­ra­ti­va tão bo­ni­ta e ri­ca cul­tu­ral­men­te ao Es­ta­do, ao Bra­sil e até ao mun­do", ex­pli­ca Ca­ta­ri­na Doo­lan. O do­cu­men­tá­rio foi gra­va­do com qua­li­da­de HD, to­tal­men­te di­gi­tal. O curta-metragem con­ta com o apoio da Pri­ma Pro­du­ções, Te­la Vi­va, MDCam, Pro­fil­mes, Neo­mi­dia Re­pre­sen­ta­ções e Mo­vie­com.

As me­ni­nas eram fi­lhas pe­que­nas de um re­ti­ran­te que veio do Cea­rá em bus­ca de um lu­gar me­lhor pa­ra a fa­mí­lia. De­ses­pe­ra­do com a fo­me e a se­de das fi­lhas, deixou-as de­bai­xo de uma ár­vo­re pa­ra ir so­zi­nho pro­cu­rar ali­men­to. Quan­do vol­tou, uma das me­ni­nas es­ta­va mor­ta e a ou­tra mor­ria ali, nos bra­ços do pai. Re­za a len­da que elas fo­ram en­ter­ra­das on­de ho­je é a pro­prie­da­de de Rai­mun­do Ho­nó­rio Ca­val­can­te Oli­vei­ra, co­nhe­ci­do co­mo Ben­to Ho­nó­rio. Foi es­te fa­zen­dei­ro e co­mer­cian­te que en­con­trou em sua fa­zen­da as co­vas nas quais as me­ni­nas fo­ram en­ter­ra­das, daí de­ri­va o no­me Me­ni­nas das Co­vi­nhas.

A his­tó­ria das Me­ni­nas das Co­vi­nhas se con­fun­de com a de Ben­to Ho­nó­rio. Foi ele o res­pon­sá­vel pe­la dis­se­mi­na­ção da fé nas me­ni­n as. Se­gun­do con­ta, seu Ben­to te­ve uma doen­ça gra­ve e sem ex­pli­ca­ção mé­di­ca. Ao lem­brar da his­tó­ria das me­ni­nas san­tas con­ta­da por sua avó, de­ci­diu se va­ler nas me­ni­nas pa­ra ser cu­ra­do. Ao ter sua gra­ça aten­di­da, ele pa­ga a pro­mes­sa de cons­truir uma igre­ja pa­ra elas. Até ho­je, seu Ben­to Ho­nó­rio vi­ve pa­ra cui­dar da igre­ja fei­ta em ho­me­na­gem às Me­ni­nas. Ele tam­bém rea­li­za to­dos os anos no dia 12 de ou­tu­bro (da­ta es­co­lhi­da por ser de­di­ca­da às crian­ças) uma gran­de fes­ta em ho­me­na­gem às me­ni­nas, que atrai ro­mei­ros de vá­rias ci­da­des do RN.

Mui­tos ro­dol­fen­ses veem nas Co­vi­nhas um lu­gar sa­gra­do. No in­te­rior da Ca­pe­la, os ex-votos e per­ten­ces pes­soais são dei­xa­dos por pes­soas que con­se­gui­ram re­ce­ber uma gra­ça. Lá es­tão guar­da­dos per­nas de ma­d ei­ras, bra­ços, mãos, ca­be­ças, fo­to­gra­fias e ora­ções de al­gu­mas pes­soas que fi­ca­ram boas de al­gu­ma en­fer­mi­da­de.


(Tri­bu­na On-line).

Fonte:http://www.ovaledoapodi.com.br/municipios/311-as-qmeninas-das-covinhasq-uma-historia-de-fe-e-devocao.html

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Uma palavra sobre a palavra vida

Por uma teoria do estado de exceção na linguagem


No atual estágio histórico em que pensamento e moral compõem dois lados de uma única banda torna-se impossível ler, dizer ou ouvir a palavra vida sem cuidado filosófico – pelo menos para quem deseja ser justo com o conhecimento preservando, pela busca, a possibilidade de sua realização. Não é possível alegar ingenuidade sobre a questão quando o termo vida foi capturado por toda sorte de ideologias, o que exige que sobre ele se opere uma desmontagem crítica. A disputa sobre o termo vida corresponde na ordem do discurso ao que para além do discurso se dá com a própria vida que, sob a palavra, é ocultada. Não querendo reeditar apressadamente nenhum nominalismo como crítica do discurso, é necessário hoje prestar atenção se já não estamos vivendo uma nova era nominalista em que a posse do nome define a posse sobre a possível verdade das coisas. Quem sabe o que é a vida como uma verdade para além de todas as possíveis definições? Esta verdade talvez não exista, mas aquele que a controlar saberá do seu império no tempo. Por isso, muitas disputas conceituais hoje, na verdade são disputas políticas. Saber é poder mais uma vez. Hoje, porém, poder, mais que nunca, é dizer. Quem não souber das disputas ideológicas corre o risco de parar de pensar por conta própria ao simplesmente aderir a falas prontas facilmente encontráveis no mercado das crenças.

A vida, portanto, precisa hoje, ser analisada como uma questão de discurso. A captura da palavra vida - sabem os que manipulam o discurso ou dele se valem num contexto comunicativo – define a intenção da captura da própria vida. Da vida enquanto é capturada pela palavra como ordem simbólica que impera sobre o real. A relação entre as palavras e as coisas ainda está na ordem do dia. Em outras palavras, quem puder definir vida, saber-se-á seu dono e senhor, assim dos poderes a ela associados. A tarefa hoje é reler a palavra buscando entender em que medida ela se tornou lugar da verdade sobre a qual sempre se disputa no discurso.

O poder do discurso, entendido como fala pré-estabelecida em nome da verdade, advém de seu ocultamento como tal. Em outras palavras, fala-se da vida como se estivesse a falar da própria coisa, e não de uma palavra que, ela mesma, é já conceito e, como tal, sempre elaborado, re-elaborável e passível de discussão. A palavra, por mais que se agregue à coisa, que se diga em nome de algo, não é a própria coisa à qual alude ainda que as próprias coisas precisem dela para chegar à cultura. Por isso, nos dias atuais, enganamo-nos ao discutir a vida – este amplo e inespecífico conceito que vai da natureza à cultura, da mera vida às suas formas e que como idéia é aquilo dentro do que estamos. Disputamos quem vence no contexto da crença para saber quem deterá o poder dos que podem crer (seja no que for que creiam, na ciência ou na religião). A pergunta a ser feita neste momento histórico é – para além do sexo dos anjos, da alma das mulheres ou da “vida” dos embriões – se poderíamos discutir o conceito de vida sabendo que se trata apenas de um conceito e, assim, ultrapassar a retórica e o desejo de persuadir e libertar a verdade à qual apenas uma disputa honesta de conceitos poderia nos levar. A questão seria precisar em que sentido a palavra é usada a cada vez que, como uma bandeira, é erguida em nome de guerra ou de paz.

Por isso, é preciso falar com cuidado e pressupor o próprio ato de fala como algo que merece análise. Portanto, usar a palavra vida supondo a ingenuidade de quem não imagina o seu lugar entre outros tantos conceitos é má-fé. Não é possível participar de uma discussão sem demonstrar o pressuposto a partir do qual se fala. Ninguém pode pensar filosoficamente, ou seja, em sentido analítico e crítico, ou dialético e crítico, sem definir com máxima exatidão o uso do termo que, historicamente, se constrói como um conceito dos mais complexos e sobre o qual as disputas mais acirradas se travam. Supor esta ingenuidade ou falar a partir dela é sempre a primeira estratégia de quem, cinicamente, não quer se enfrentar com argumentos, de quem quer afirmar suas idéias pondo-se como inimputável numa disputa. Quando digo a outrem que sei o que é vida enquanto ele não sabe, se afirmo que detenho a verdade sobre um conceito enquanto ele não, estou falsificando o meu próprio lugar como sujeito de discurso, que se afirma a partir de pressupostos culturais e formais que organizam o discurso. Se afirmo que sei imediatamente o que é a verdade, já me coloco como seu possuidor e exijo uma postura de atenção. A mesma atenção que me esquivo de ter com a possível postura de outrem. A melhor arma numa disputa em que algum nível retórico está em jogo nem sempre é a autoridade, mas a ignorância. Esperto é quem sabe usar a postura do burro como plano de argumento.

A palavra “vida” encontra-se neste lugar especial na atualidade, lugar que, a qualquer momento, é ocupado por qualquer palavra com a qual se deseje entabular a verdade. A questão hoje apenas pode ser refletida por uma teoria do “Estado de exceção da linguagem” por meio da qual se investigue o modo como se pretende, na ordem do discurso, se capturar a verdade e decidir sobre ela por meio da captura de uma palavra. O poder do discurso situa-se na palavra tomada como arma de decisão. Ao sacralizar a palavra “vida”, afirmando que falar dela ou contra ela é uma blasfêmia ou heresia, espera-se sacralizar a própria vida à qual a palavra se refere como se, por meio da palavra, já se tivesse decidido sobre a coisa.

Apenas uma teoria organizada sob a tese de que a linguagem, como parte de toda estrutura política, está sitiada por uma ordem que oculta seu próprio funcionamento, que a linguagem, como o corpo está “capturada fora”, incluída e excluída como no mesmo mecanismo do estado de exceção, é que se compreenderá o que se diz e o que se quer com isso ao pronunciar a palavra vida.

Ela está na ordem que faz do discurso a verdade. Duas posturas são visíveis nos dias de hoje. A daqueles que ainda enfrentam o potencial conceitual da palavra, o que se pode dizer por meio dela, ou o que ela pode significar em relação ao real. Tratam da palavra vida como uma palavra junto de outras. Compreendem-na como inserida na ordem do discurso à qual é preciso sempre prestar atenção. Por outro lado, há aqueles que falam dela como uma exceção.



Marcia Tiburi
Originalmente publicado na Revista Cult

Ator Andrew Garfield será o novo Homem-Aranha


Filme começa a ser gravado em dezembro, com estreia prevista para 2012.
Garfield, de 26 anos, substituirá Tobey Maguire, que deixou a saga.


Os estúdios Sony Pictures anunciaram nesta quinta-feira (1º) que o jovem ator americano Andrew Garfield, de 26 anos, será o novo Homem-Aranha. Garfield substituirá o ator Tobey Maguire, que deixou a saga, do mesmo modo que o diretor Sam Raimi.

“Após uma busca em todo o mundo, Andrew Garfield foi selecionado para interpretar Peter Parker quando Homem-Aranha voltar às telas em 3D, no dia 13 de julho de 2012”, informa a Sony em um comunicado.

O protagonista do novo filme da saga, cujas gravações estão previstas para começar em dezembro, atuou em “Leões e cordeiros” (2007) e “O mundo imaginário do dr. Parnassus”. O ator, que começou no teatro, acaba de rodar um filme de David Fincher, “The social network”, e poderá ser visto em breve em “Never let me go”, ao lado de Keira Knightley e Carey Mulligan.

O longa, com direção de Marc Webb e roteiro de James Vanderbilt, será lançado em 3D. O filme se centrará na fase adolescente do personagem e em como ele descobre seus poderes.

A data de estreia está prevista para 3 de julho de 2012.



Do G1, com agências internacionais *
Foto: Gerardo Garcia / Reuters

Aquarela do Brasil, João Gilberto

Ensino médio está pior do que o fundamental

Índice de Desenvolvimento da Educação Básica mostra avanço nas séries iniciais, mas, nas últimas, nota foi de 3,6

Demétrio Weber

O ensino brasileiro deu sinal de melhora, mas o avanço perde força entre os estudantes mais velhos.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2009 (Ideb), divulgado ontem pelo Ministério da Educação, mostrou que a maior elevação ocorreu nas séries iniciais do ensino fundamental (1 ao 5 ano), com aumento de 4,2 pontos, em 2007, para 4,6, em 2009, antecipando inclusive a meta estabelecida para 2011.

Nas séries finais do ensino fundamental (6 ao 9 ano), o acréscimo foi de 3,8 para 4. O ensino médio teve o pior desempenho: a nota passou de 3,5 para 3,6, numa escala que vai de 0 a 10.

O Ideb é um indicador criado pelo MEC para medir a qualidade dos sistemas de ensino público e privado. Ele considera as notas dos alunos na Prova Brasil/Saeb e o índice de aprovação nas escolas. Para o MEC, o resultado foi positivo.

— O fantasma da queda de qualidade, que nos assombrou até o começo dos anos 2000, está ficando para trás — disse ontem o ministro Fernando Haddad, ao anunciar os resultados. — Estamos distantes da nossa meta final, mas estamos com uma trajetória consistente, já pelo quarto ano consecutivo. Não é hora de esmorecer. É tentar acelerar o ritmo das mudanças.

O avanço captado pelo Ideb não significa que o nível de aprendizagem nas escolas brasileiras seja bom. Longe disso. A Prova Brasil/Saeb, usada no cálculo do índice, avalia conhecimentos de português e matemática a cada dois anos. A nota média dos alunos do 5 ano do ensino fundamental em português foi de 184,3 pontos, numa escala de até 400.

A nota dos estudantes do 3 ano do ensino médio foi 268,8, na escala até 800. Em todos os níveis, no entanto, houve progresso. Em 2009, apenas 75,9% dos alunos de nível médio passaram de ano. Nas séries finais, 81,3%. Nas iniciais, 88,5%. Os indicadores de fluxo também melhoraram em relação a 2007.

Ao criar o Ideb, o ministério reconheceu que o Brasil estava mais de uma geração atrás dos países desenvolvidos na área do ensino. Por isso, traçou como meta chegar a 2021, véspera do bicentenário da Independência, com o mesmo nível de aprendizagem atingido pelo mundo desenvolvido em 2003.

No modelo matemático que está por trás do Ideb, isso equivale a obter nota 6 no Ideb de 2021. De 2005, quando o índice foi calculado pela primeira vez, até 2021, foram traçadas metas bienais. São essas metas que foram superadas em 2007 e 2009.



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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Curiosidade. Bandeira positivista

É possivel que nas aulas de história você já tenha ouvido a palavra positivismo e que ela tem alguma relação com a bandeira brasileira. Quer entender por quê? Positivismo é o nome dado à escola filosófica inaugurada pelo francês Augusto Comte (1798 - 1857). Ele estabelecia as ciências experimentais como modelo para o conhecimento e buscava uma análise sistemática do desenvolvimento da cultura humana. No Brasil, o positivismo teve uma considerável ressonância. Muitos dos intelectuais, militares e políticos que prepararam a instalação da República no país eram positivistas ou tinham simpatia pelas idéias dessa corrente. Desse grupo destacavam-se nomes como Benjamin Constant (1836 - 1891) e Luis Pereira Barreto (1840 - 1923). Por causa disso, um lema comtiano passou a ser estampado na Bandeira Nacional a partir de 1889: "ordem e progresso".

Tribunal de Justiça da Paraíba reconhece União Estável Homoafetiva

A Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) julgou procedente o Agravo de Instrumento interposto por A. L. da N., contra decisão do Juízo de Direito da 3ª Vara da comarca de Patos, que indeferiu liminar, na Ação de Reconhecimento e Dissolução de União Estável Homoafetiva Post Mortem. A relatoria do processo nº 025.2009.000193-1/001 foi do desembargador Fred Coutinho.

A agravante alegou ter convivido em união estável com M. H. N., durante 43 anos, do que resultou um patrimônio comum. Mas, aduziu que, embora sua companheira não tenha deixado ascendentes ou descendentes, uma irmã e alguns sobrinhos firmaram acordo de divisão de bens, excluindo-a da partilha.

De acordo com a agravante, a liminar foi requerida a fim de impedir que os agravados registrassem Escritura de Partilha amigável, com relação aos bens deixados pela morte de M. H. N., bem como a firmação de Inventário Extrajudicial. O juiz de primeiro grau considerou inexistente a união estável entre pessoas do mesmo sexo, reconhecendo a impossibilidade jurídica do pedido, negando a medida.

No entanto, o voto do relator aponta que, embora os dispositivos do Código Civil limitem-se a estabelecer a possibilidade desta relação afetiva entre homem e mulher, não restringem eventual união entre pessoas do mesmo sexo, desde que preenchidos os demais requisitos legais.

“É o caso, portanto, de se atribuir normatividade idêntica à da união estável ao relacionamento afetivo, evitando-se que, por conta do evidente preconceito, sejam esquecidos os direitos fundamentais e, antes de mais nada, os sentimentos das pessoas envolvidas”, analisou o relator.

Fred Coutinho relembrou, também, que muitos países já possuem legislação voltada para reconhecer os direitos oriundos de uniões homoafetivas, tendo sido cada vez mais comum o intermédio do Judiciário nestas questões de tutela.

Quanto ao preconceito existente, o desembargador relator afirmou que “a discriminação velada à condição sexual do ser humano apoiada nesta lacuna da lei deve esbarrar no bom senso deste Poder, que, ao desempenhar suas funções junto à sociedade, deve reconhecer, com respeito, situações existentes e emprestar-lhes os efeitos jurídicos adequados”.


Site do Tribunal de Justiça da Paraíba

Coisas da nossa gente sertaneja. Fumo de rolo vendido em dias de feira


Conselho Nacional de Justiça quer que Tribunais Eleitorais tenham acesso à lista de pessoas condenadas

Relação de nomes agilizaria identificação de candidaturas que descumprem o Ficha Limpa.

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) vai recomendar aos tribunais que encaminhem aos TREs (tribunais regionais eleitorais) a relação de pessoas condenadas. O objetivo é garantir o cumprimento da lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos condenados na Justiça em decisão colegiada, em processos ainda não concluídos. A recomendação será apresentada na sessão plenária desta terça-feira (29).

Na sessão, o ministro Gilson Dipp vai apresentar o relatório final da inspeção realizada pela Corregedoria Nacional de Justiça no Judiciário do Paraná. O documento aponta as principais deficiências e as boas práticas do Tribunal de Justiça do estado verificadas durante inspeção realizada em abril. A inspeção tem o objetivo de melhorar o atendimento à população.

Também hoje, o CNJ e o TCU (Tribunal de Contas da União) firmam termo de cooperação técnica para compartilhar experiências na área de fiscalização.



R7

Os alquimistas estão chegando!

A batalha pela cruz

Itália e mais 10 países recorrem à Corte Europeia para manter crucifixos em escolas.


Considerada um dos países mais católicos do mundo, a Itália apelou ontem à Corte Europeia de Direitos Humanos para manter os crucifixos nas escolas públicas. E não entrou sozinha nessa batalha.

Num momento em que o continente discute a imigração muçulmana e questões como o direito ao uso do véu islâmico, o governo italiano recebeu o apoio de mais dez países, além do aval das Igrejas Católica e Ortodoxa, numa aliança contra o que veem como o avanço do secularismo no continente.

Mas a ação vai um pouco mais além: ela traz ainda uma discussão sobre os limites da jurisdição da corte.

Durante as três horas da audiência, o advogado italiano Nicola Lettieri defendeu que a lei só violaria a Convenção Europeia de Direitos Humanos se o crucifixo tivesse como objetivo promover o cristianismo entre os alunos.

— Um crucifixo na sala de aula não está lá para doutrinar alguém, mas como uma expressão de um sentimento popular que está no coração da nacionalidade italiana — disse ele a 17 juízes da Grande Câmara, a bancada mais alta da corte de Estrasburgo.

O veredicto pode levar meses e será válido para as 47 nações que fazem parte do Conselho da Europa, do qual a corte é um braço. Embora, segundo um porta-voz do tribunal, não tenha poder para forçar a remoção de todos os crucifixos, ele abre caminho a novos processos.

O impacto seria grande na Itália, onde 90% da população são católicos. "A coesão democrática da sociedade é dependente da capacidade de manter símbolos nacionais em torno dos quais a sociedade se aglutina", disse Joseph Weller, um especialista consultado pelos países que apelaram da sentença.

O recurso italiano conta com o aval de Armênia, Bulgária, Chipre, Grécia, Lituânia, Malta, Mônaco, San Marino, Romênia e Rússia, além do apoio de 33 integrantes do Parlamento Europeu.


O Globo
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